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sexta-feira, 04 de setembro de 2026   Vale do Rio Pardo Indicadores atualizados Edição Digital
Passo do Sobrado

COLBERTO E NAIR: Uma trajetória de serviço à comunidade

O casal contribuiu para a saúde e a educação de Passo do Sobrado

 

Entre as trajetórias que integram a memória de Passo do Sobrado está a do cirurgião-dentista Colberto Neuwald Celeste e da professora Nair Valéria Keller Celeste. Em diferentes momentos de suas vidas, os dois participaram de iniciativas comunitárias relacionadas à ampliação dos serviços de saúde e das oportunidades educacionais na localidade.

Colberto estabeleceu-se profissionalmente em Passo do Sobrado quando a localidade ainda era distrito de Rio Pardo. Além do atendimento odontológico, participou dos esforços para reativar o antigo hospital e liderou o movimento que resultou na criação da Escola Cenecista Rui Barbosa.

Nair, formada em Letras e com experiência no magistério, foi a primeira diretora da instituição. Ao longo de aproximadamente 45 anos como professora, participou da formação de diferentes gerações de estudantes.

 

COLBERTO E NAIR: Uma trajetória de serviço à comunidade
Legenda — Divulgação

 

A infância e a formação de Nair

Nair Valéria Keller Celeste nasceu em 11 de novembro de 1945, no município de Santa Cruz do Sul. Passou a infância em Rio Pardinho, onde seu pai, Lindolfo Edmundo Keller, exercia a profissão de professor.

Filha de Lindolfo e Wilma Keller, cresceu ao lado de três irmãos, sendo a única menina da família. Seus primeiros anos escolares foram realizados em Rio Pardinho, onde teve o próprio pai como professor.

Mais tarde, seguiu os estudos no Colégio Mauá, em Santa Cruz do Sul, permanecendo no internato da instituição. Foi nesse período que conheceu Colberto, que se tornaria seu marido e companheiro nos projetos desenvolvidos posteriormente em Passo do Sobrado.

Nair cursou a Faculdade de Letras e, depois de formada, iniciou a carreira em uma escola municipal de Rio Pardinho. Posteriormente, trabalhou na Escola Estadual Ernesto Alves, em Rio Pardo, onde lecionou Língua Portuguesa, Língua Inglesa e Literatura Brasileira.

Sua formação e experiência seriam fundamentais quando o casal passou a residir em Passo do Sobrado e se envolveu no movimento pela criação de uma escola que permitisse aos jovens continuar os estudos na própria localidade.

COLBERTO E NAIR: Uma trajetória de serviço à comunidade
Legenda — Divulgação

 

As origens de Colberto

Colberto Neuwald Celeste nasceu em 10 de julho de 1942, em Venâncio Aires. Sua infância esteve ligada à área rural de Passo do Sobrado, na localidade conhecida como Várzea dos Celeste.

Terceiro entre quatro irmãos, era filho de Odilo Pedro de Miranda Celeste e Romilda Ottília Neuwald Celeste. Cresceu em uma família de vida simples, marcada pelo trabalho no campo e pelo esforço para garantir o estudo dos filhos.

Aos 9 anos, mudou-se com a mãe para Santa Cruz do Sul, onde passou a frequentar regularmente a escola. Aos 12 anos, após a separação dos pais, passou a viver com a mãe e o irmão mais novo.

Ainda muito jovem, precisou trabalhar para ajudar no sustento da casa e na criação do irmão. As responsabilidades assumidas precocemente contribuíram para fortalecer características que o acompanhariam durante toda a vida, como iniciativa, persistência e disposição para o trabalho.

Colberto estudou no Colégio Estadual Santa Cruz, no Colégio Marista São Luís e no Colégio Mauá. Também prestou o serviço militar.

No Mauá, estudou como bolsista e destacou-se pelo desempenho escolar. Foi nessa instituição que conheceu Nair, iniciando uma relação que mais tarde se transformaria também em parceria profissional e comunitária.

A formação em Odontologia

Depois de concluir a formação básica, Colberto ingressou no curso de Odontologia da Universidade Federal de Santa Maria. Formou-se cirurgião-dentista em 1968.

A graduação representou uma conquista importante para um jovem vindo de uma família simples e que havia começado a trabalhar cedo. Naquele período, chegar ao ensino superior era especialmente difícil para os moradores de pequenas localidades do interior.

Após a formatura, teve uma primeira experiência profissional ligada ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Pardo. Pouco depois, recebeu a oportunidade de trabalhar em Passo do Sobrado, que ainda pertencia ao município de Rio Pardo.

A localidade possuía poucas opções de atendimento na área da saúde, e a presença permanente de um cirurgião-dentista representava um avanço para os moradores.

O início do atendimento em Passo do Sobrado

Colberto aceitou o desafio e se estabeleceu em Passo do Sobrado. Seu primeiro consultório foi instalado no prédio de um hospital que se encontrava desativado, imóvel posteriormente utilizado como lar geriátrico.

No mesmo local, encontrou sua primeira moradia. Ocupava um pequeno quarto e dividia algumas despesas com os zeladores do prédio, conhecidos como Chico e Vanina.

Conforme os relatos familiares e a memória preservada sobre aquele período, Colberto tornou-se o primeiro cirurgião-dentista a se estabelecer e manter atendimento regular na localidade. Não foram encontrados documentos públicos que permitam afirmar que nenhum outro profissional tenha realizado atendimentos ocasionais anteriormente.

A importância de Colberto está relacionada, portanto, à implantação de um serviço odontológico permanente. Seu consultório passou a receber moradores de Passo do Sobrado e de comunidades próximas, reduzindo a necessidade de deslocamento para outros centros.

A convivência diária com a população permitiu que ele conhecesse outras dificuldades enfrentadas pelas famílias. A falta de atendimento médico próximo, equipamentos e estrutura hospitalar obrigava muitos moradores a procurar auxílio em outros municípios.

Diante dessa realidade, Colberto decidiu participar da mobilização para reorganizar os serviços de saúde.

O esforço para reativar o hospital

Colberto envolveu-se nos esforços para reativar o hospital que se encontrava desativado. Participou da busca por recursos, da aquisição de equipamentos e da adaptação de salas para diferentes atendimentos.

Entre as melhorias recordadas está a instalação de um aparelho de raios X e a preparação de uma sala para procedimentos cirúrgicos. Conforme o relato preservado pela família, o local chegou a receber cesarianas, algo significativo para uma comunidade que enfrentava dificuldades de deslocamento.

Colberto também participou da articulação para levar o médico Dario Cesar Badaraco Aprato a trabalhar no distrito.

Em alguns procedimentos, auxiliava a equipe de saúde, que contava com profissionais como Maria Ermínia Helfer, conhecida como dona Míntia, e dona Irene. Ambas são lembradas pelo atendimento prestado às famílias em um período de recursos limitados.

A atuação demonstrava que o trabalho de Colberto não ficaria restrito à odontologia. Ele também se envolvia nas demandas da comunidade e procurava reunir pessoas e buscar meios para melhorar os serviços disponíveis.

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Legenda — Divulgação

 

“Queremos um ginásio”

Enquanto trabalhava e circulava por Passo do Sobrado, Colberto começou a encontrar uma mesma frase escrita em diferentes estabelecimentos comerciais: “Queremos um ginásio”.

Na organização educacional da época, o ginásio correspondia à etapa posterior às séries primárias. A localidade oferecia apenas os primeiros anos escolares, e muitos jovens interrompiam os estudos por não terem condições de se deslocar diariamente ou morar em outra cidade.

A frase encontrada nos antigos armazéns e bodegas revelava o desejo da população, mas ainda era necessário transformar a reivindicação em um projeto viável.

Colberto explicou aos moradores que a criação de uma escola dependia de autorização das autoridades educacionais, comprovação da existência de alunos, formação de um corpo docente e disponibilidade de um espaço adequado.

A partir daquele momento, assumiu a liderança da mobilização.

O pai da Escola Rui Barbosa

Ao recordar a criação da Escola Cenecista Rui Barbosa, Colberto define de maneira direta sua relação com a instituição:

“Eu sou o pai da Escola Rui Barbosa.”

A afirmação está relacionada à atuação que exerceu desde o início do projeto. Colberto participou da organização da comissão, procurou informações junto às autoridades educacionais em Porto Alegre, realizou o levantamento de possíveis alunos e buscou professores habilitados.

Como havia poucos profissionais com a formação exigida em Passo do Sobrado, foi necessário procurar educadores em municípios vizinhos, especialmente em Venâncio Aires. Entre os primeiros professores lembrados por Colberto estão Plínio e Almeida, além de outros profissionais cujos nomes não foram recuperados com segurança no relato.

Nair teve participação decisiva na estruturação pedagógica. Formada em Letras e com experiência em sala de aula, reunia as condições necessárias para assumir a direção e integrar o corpo docente.

A escola foi vinculada à Campanha Nacional de Escolas da Comunidade, a CNEC, recebendo o nome de Escola Cenecista Rui Barbosa. Inicialmente, atendia estudantes da 5ª à 8ª série, correspondentes ao antigo ginásio.

O nome foi escolhido por Colberto em homenagem ao jurista, político e intelectual brasileiro Rui Barbosa. Desde os tempos de estudante, ele admirava a inteligência e a trajetória do brasileiro conhecido como “Águia de Haia”.

Colberto liderou a implantação, acompanhou a organização e permaneceu próximo do cotidiano da instituição. Sua atuação fez com que passasse a ser reconhecido como fundador e pai da Escola Rui Barbosa.

Nair, a primeira diretora

Nair Valéria Keller Celeste tornou-se a primeira diretora da Escola Cenecista Rui Barbosa. Além de cuidar da organização pedagógica e administrativa, lecionava Língua Portuguesa e Língua Inglesa.

Seu trabalho foi importante para transformar o projeto comunitário em uma instituição organizada. Enquanto Colberto acompanhava as questões estruturais, financeiras e disciplinares, Nair conduzia o cotidiano escolar e as atividades pedagógicas.

Como professora, ficou conhecida pela disciplina, pelo respeito, pela honestidade e pela dedicação ao ensino. Sua relação com os estudantes frequentemente ultrapassava os limites formais da sala de aula, resultando em vínculos que permaneceram depois do período escolar.

Ao longo de aproximadamente 45 anos dedicados ao magistério, Nair lecionou para diferentes gerações e participou da ampliação das oportunidades educacionais oferecidas em Passo do Sobrado.

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A construção da escola

Depois de viabilizar o início das aulas, Colberto passou a trabalhar pela construção de uma sede própria para a escola.

Recursos obtidos para a compra de materiais não foram suficientes para concluir toda a estrutura planejada. A solução foi mobilizar professores, alunos, famílias e voluntários.

Parte da mão de obra foi realizada pelos próprios estudantes, com a orientação de profissionais da construção. Colberto recordava especialmente o trabalho do pedreiro Afonso Scheiper e a colaboração de moradores como Paulinho.

Enquanto os profissionais executavam os serviços técnicos, os alunos ajudavam a descarregar materiais, carregar tijolos e organizar a obra. A escola foi sendo construída também com a participação daqueles que ocupariam suas salas.

Colberto idealizou o prédio em formato de “U”, mantendo uma área central destinada ao recreio e à convivência. Nem toda a planta pôde ser executada imediatamente. Parte dos alicerces permaneceu aguardando novos recursos, enquanto as salas concluídas começaram a receber as turmas.

A instituição era comunitária e as famílias contribuíam com mensalidades para o pagamento dos professores e das despesas. Os valores, entretanto, nem sempre eram suficientes.

Colberto relatou ter assumido compromissos financeiros e trabalhado por períodos sem receber integralmente os valores investidos, para evitar que a escola interrompesse suas atividades.

Uma instituição presente na memória

A Escola Cenecista Rui Barbosa marcou a vida de estudantes durante as décadas de 1970, 1980 e 1990. Além das aulas, tornou-se um espaço de convivência, atividades esportivas, festas e mobilizações comunitárias.

Em determinado período, seu prédio também recebeu turmas da Escola Estadual Alexandrino de Alencar, que necessitava de mais salas enquanto sua estrutura era ampliada.

Com o passar dos anos, a Escola Cenecista Rui Barbosa encerrou suas atividades. O prédio, contudo, permaneceu como patrimônio da comunidade e continuou ligado à educação.

Depois de reformas e adaptações, o espaço passou a abrigar a Escola Municipal de Educação Infantil Pequeno Polegar. O local construído com a participação da comunidade voltou, assim, a receber uma nova geração de crianças.

A continuidade da finalidade educacional mantém viva parte do projeto que mobilizou Colberto, Nair, professores, estudantes e famílias.

Reconhecimento do CRO-RS

A ligação de Colberto com a odontologia de Passo do Sobrado atravessou várias décadas.

Em 2012, o Conselho Regional de Odontologia do Rio Grande do Sul nomeou Colberto Neuwald Celeste como representante municipal do CRO-RS em Passo do Sobrado.

A designação foi formalizada por meio da Portaria CRO-RS nº 79/2012. Na condição de representante municipal, Colberto passou a atuar como ligação entre o Conselho e os profissionais da odontologia do município durante o período previsto na nomeação.

O reconhecimento institucional reforçou uma trajetória iniciada ainda no final da década de 1960, quando chegou à localidade recém-formado e instalou seu consultório.

Mais do que confirmar sua permanência profissional em Passo do Sobrado, a nomeação demonstrou a confiança do Conselho em sua experiência e em sua relação com a odontologia local.

A passagem pela política

O envolvimento com os assuntos da comunidade também levou Colberto a participar da política partidária.

Conhecido pelo trabalho na odontologia e pela atuação em iniciativas relacionadas à saúde e à educação, ele concorreu ao cargo de vice-prefeito de Passo do Sobrado.

A candidatura não foi vitoriosa e Colberto não chegou a exercer mandato eletivo. Sua participação, entretanto, demonstra que também se colocou à disposição da população por meio da disputa eleitoral.

Sua atuação pública ficou marcada principalmente pelas iniciativas desenvolvidas fora dos cargos políticos, por meio da mobilização comunitária, da busca por recursos e da participação em projetos de interesse coletivo.

Contribuições que permanecem

As trajetórias de Colberto e Nair estão relacionadas a um período no qual muitas melhorias dependiam diretamente da organização dos moradores e da disposição para o trabalho comunitário.

Colberto estabeleceu-se em Passo do Sobrado como um jovem cirurgião-dentista. Além do atendimento profissional, participou da estruturação dos serviços de saúde, do esforço para reativar o hospital e do movimento que criou a Escola Cenecista Rui Barbosa.

Décadas depois, sua atuação profissional recebeu o reconhecimento do Conselho Regional de Odontologia, que o nomeou representante municipal do CRO-RS.

Nair colocou sua formação e experiência a serviço da educação. Como primeira diretora da escola e professora durante aproximadamente 45 anos, contribuiu para a formação de diferentes gerações.

Essas realizações contaram com a participação de professores, profissionais da saúde, estudantes, famílias, lideranças e voluntários. A colaboração coletiva foi essencial para transformar os projetos em realidade.

As contribuições de Colberto e Nair permanecem na memória dos moradores, nas pessoas que foram atendidas, nos estudantes que passaram pela Escola Rui Barbosa e no espaço que continua acolhendo crianças e servindo à educação de Passo do Sobrado.

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Tipo de conteúdo Notícia
Fonte/Origem Apuração/Redação
Autor Gazeta Popular
Atualização 04/09/2026 às 17:49
Categoria Passo do Sobrado
Cidade Passo do Sobrado
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Extensão 2.560 palavras
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O que aconteceu?COLBERTO E NAIR: Uma trajetória de serviço à comunidade
Onde?Passo do Sobrado
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Última atualização04/09/2026 às 17:49

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