O cenário agrícola no Rio Grande do Sul avança com ritmo intenso e dinâmicas distintas entre as culturas de inverno e as de verão, conforme os dados mais recentes do Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar. A semeadura do trigo teve uma evolução expressiva no Estado, aproximando-se da reta final na maior parte das regiões produtoras. Até o momento, os trabalhos atingiram a média de 83% da área total prevista, estimada em 814.220 hectares.
Nas zonas de maior altitude, onde o calendário recomendado se estende até o fim de julho, o plantio segue o cronograma planejado e se encontra entre as fases inicial e intermediária. De forma geral, o trigo apresenta bom estabelecimento e densidade de plantas adequada. O frio intenso e as geadas leves registradas recentemente atuaram positivamente, estimulando o perfilhamento sem causar prejuízos. Por outro lado, a forte nebulosidade e a menor incidência de sol, comuns nas primeiras horas do dia, têm desacelerado o ritmo de crescimento vegetal em alguns pontos.
Desempenho e projeções para as demais culturas de inverno
Os demais cereais e oleaginosas da estação fria também registram evolução significativa nas lavouras gaúchas:
Aveia-branca: O processo de plantio caminha para o encerramento. As áreas semeadas no início do período demonstram ótimo potencial produtivo, concentradas nas etapas de perfilhamento e elongação do colmo. Para a Safra 2026, a cultura mantém estabilidade de área com 387.697 hectares projetados e produtividade média estimada em 2.322 kg/ha.
Canola: Os trabalhos de campo estão praticamente concluídos, restando apenas pequenas áreas marginais. A cultura apresenta grande expansão de área no Estado nesta Safra 2026, alcançando 353.397 hectares e rendimento estimado em 1.619 kg/ha. O início do florescimento já é observado nas lavouras precoces, trazendo preocupação com geadas apenas para essas áreas específicas. Chuvas localizadas geraram alguma perda de nutrientes no solo por lixiviação.
Cevada: A semeadura entra na reta final com estandes uniformes e boas condições fitossanitárias, livre de pragas ou doenças expressivas. No entanto, a cultura registra uma forte retração na Safra 2026. A área total cultivada ficou em 20.320 hectares, com estimativa de colheita de 3.020 kg/ha.
Safras de verão concluídas e início do vazio sanitário
No segmento das culturas de verão, a colheita da soja e do milho foi totalmente finalizada no território gaúcho. A safra de soja 2025/2026 fechou com uma produtividade média consolidada de 2.707 kg/ha, abrangendo uma área de 6.697.172 hectares. As geadas recentes ajudaram a eliminar as plantas voluntárias — conhecidas como “guaxas” —, o que contribui para o manejo do vazio sanitário que vigora entre os meses de julho e setembro. Essa medida é estratégica para quebrar o ciclo de transmissão da ferrugem-asiática.
No caso do milho, a área cultivada somou 812.540 hectares, com uma produtividade média de 7.362 kg/ha. Algumas lavouras específicas ainda mantêm o milho em pé no campo, com as plantas dobradas, uma técnica que confere flexibilidade ao produtor no planejamento do frete e do armazenamento.
Excesso de umidade gera desafios nas olerícolas e frutas
O volume frequente de precipitações tem exigido atenção redobrada dos produtores de hortifrutigranjeiros, especialmente para o manejo do solo e controle de doenças fúngicas.
Na cultura da cebola, o solo encharcado atrasou o transplante de mudas precoces em Nova Roma do Sul, na região de Caxias do Sul. Nas sementeiras locais, há focos isolados da doença botritis, controlados com tratamentos preventivos. Em Passo Fundo, o plantio direto também avançou lentamente devido à umidade, mas a expectativa para a região é atingir 140 hectares com produtividade de 35 t/ha. Já no polo produtor de Pelotas, englobando São José do Norte, Rio Grande e Tavares, a chuva foi considerada benéfica, e o transplante chegou a 18% da área projetada em solo nortense.
A situação da mandioca acende um sinal de alerta em razão do solo excessivamente úmido e das baixas temperaturas. Na região de Santa Rosa, que cultiva 6,2 mil hectares, o encharcamento tem provocado o escurecimento e amolecimento das raízes, acompanhados de odor característico, tornando o produto impróprio para venda e consumo. Para mitigar os prejuízos e evitar o avanço da podridão provocada por fungos e bactérias, muitas famílias estão antecipando a colheita. Na região de Lajeado, em Cruzeiro do Sul, a retirada das plantas segue em andamento com bom rendimento médio de 15 t/ha, priorizando a variedade Vassourinha, muito valorizada pela qualidade de cozimento, embora sintomas iniciais de podridão radicular também comecem a surgir em variedades mais sensíveis.
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