Os produtores rurais do Rio Grande do Sul iniciaram os preparativos para a safra de inverno à medida que se aproxima o fim da colheita das culturas de verão, como soja, milho, arroz e feijão. As primeiras áreas com canola e aveia-branca já começaram a ser implantadas em diversas regiões do Estado, segundo levantamento divulgado pela Emater/RS-Ascar.
A semeadura da canola teve avanço gradual nas últimas semanas, especialmente nas regiões de Ijuí e Santa Rosa. Apesar das chuvas recentes terem contribuído para a reposição da umidade do solo, elas também dificultaram o avanço das máquinas e aumentaram o risco de desuniformidade na emergência das plantas recém-semeadas. Ainda assim, as lavouras apresentam desenvolvimento considerado satisfatório nas áreas com melhor drenagem.
De acordo com a Emater/RS-Ascar, existe tendência de aumento da área cultivada com canola no Estado. O crescimento é motivado pela busca de alternativas mais rentáveis ao trigo e pela importância da cultura na rotação agrícola de inverno. Em 2025, o Rio Grande do Sul cultivou mais de 174 mil hectares de canola, com produção superior a 285 mil toneladas, conforme dados do IBGE.
Na região de Ijuí, cerca de 45% da área projetada já foi semeada. Em Santa Rosa, o índice chega a aproximadamente 30%. Produtores dessas regiões relatam boa emergência das lavouras implantadas anteriormente e maior preocupação com áreas sujeitas ao excesso de umidade, especialmente diante da possibilidade de atuação do fenômeno El Niño durante o inverno e a primavera.
A aveia-branca também começa a ganhar espaço no campo gaúcho. A expectativa é de intensificação do plantio na segunda quinzena de maio, principalmente após a liberação das áreas ocupadas pelas culturas de verão. A tendência é de manutenção da área cultivada em relação ao ciclo anterior, quando o Estado registrou mais de 393 mil hectares plantados.
Apesar das condições climáticas favoráveis no início da implantação, os produtores demonstram cautela quanto aos investimentos em tecnologia devido ao aumento dos custos dos fertilizantes e outros insumos agrícolas. Em algumas regiões, a aveia-branca também vem sendo utilizada como alternativa para produção de forragem destinada à alimentação animal.
Já para o trigo e a cevada, o cenário é de preocupação. A Emater/RS-Ascar aponta tendência de redução da área cultivada dessas culturas no Estado. Entre os principais fatores estão o aumento dos custos de produção, dificuldades de acesso ao crédito rural, limitações no seguro agrícola e os riscos climáticos associados ao possível El Niño.
No caso da cevada, o excesso de umidade pode favorecer doenças e comprometer a qualidade dos grãos, especialmente aqueles destinados à indústria cervejeira, que exige rígidos padrões de classificação. Atualmente, apenas áreas voltadas à alimentação animal apresentam semeadura mais avançada.
Enquanto isso, as culturas de verão caminham para o encerramento da safra. A colheita da soja já ultrapassa 95% da área cultivada no Estado, enquanto o milho chega a 94%. O arroz irrigado também está praticamente concluído, com mais de 98% das lavouras colhidas e produtividade considerada elevada pelas entidades do setor.
Segundo a Emater/RS-Ascar, o desempenho positivo das culturas de verão ajuda os produtores a planejar a nova temporada de inverno, mesmo diante dos desafios econômicos e climáticos previstos para os próximos meses.
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