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sexta-feira, 12 de junho de 2026   Vale do Rio Pardo Indicadores atualizados Edição Digital
Agricultura

Clima e Variabilidade Regional Marcam Encerramento da Safra de Verão no Rio Grande do Sul

Emater/RS-Ascar revisa números finais das lavouras de verão e aponta expressivo salto na produção total de soja, apesar da quebra na produtividade projetada.

Enquanto arroz e feijão registram quedas no volume colhido, o cenário das culturas de inverno mostra forte retração na área da cevada e do trigo, abrindo espaço para a expansão da canola.

Com as colheitas das culturas de verão praticamente finalizadas em todo o território gaúcho, a Emater/RS-Ascar revisou os números consolidados de produtividade e volume total para o ciclo 2025/2026. Os dados, divulgados no Informativo Conjuntural, confirmam que o encerramento dos trabalhos foi marcado por forte instabilidade climática, com alta umidade do ar, nevoeiros frequentes e baixa luminosidade dificultando o trabalho das máquinas nas lavouras restantes. Além disso, o resultado final das lavouras revelou uma grande disparidade regional no rendimento, reflexo direto da irregularidade das chuvas ao longo dos últimos meses.

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No caso da soja, principal motor do agronegócio gaúcho, restam apenas áreas isoladas de segunda safra sem impacto nos dados estatísticos globais. A produtividade média do Estado fechou em 2.707 quilos por hectare, o que representa um recuo de 14,8% na comparação com os 3.180 quilos por hectare projetados inicialmente antes do início da semeadura. A área total plantada nesta temporada alcançou 6.697.172 hectares, uma leve retração de 1,5% frente ao ciclo anterior. Apesar da quebra na produtividade projetada, a produção total da oleaginosa somou 18.132.401 toneladas, um expressivo salto de 32,9% sobre o volume registrado na safra passada.

O milho em grão teve sua colheita fixada em 98% da área total, estimada em 812.540 hectares pela instituição — um avanço de 13,1% em área cultivada na comparação anual. Os pontos ainda pendentes de colheita concentram-se em pequenas propriedades com plantio tardio. O rendimento médio estadual ficou em 7.362 quilos por hectare, demonstrando estabilidade em relação à estimativa inicial. Mesmo enfrentando períodos de déficit hídrico, o Estado acumulou 5.981.614 toneladas do cereal, registrando alta de 13,1% sobre o ciclo anterior.

Já o milho destinado à silagem teve mais de 99% de sua área recolhida. Diante de geadas que comprometeram o potencial de lavouras tardias de grãos, muitos produtores mudaram a estratégia e direcionaram as plantas para a ensilagem, conseguindo aproveitar a biomassa e diminuir os prejuízos financeiros causados pelo clima. O rendimento médio fechou em 36.878 quilos por hectare, sofrendo redução de 3,8% sobre o esperado no plantio. A produção total recuou para 12,87 milhões de toneladas, ficando 8,3% abaixo da projeção inicial.

O cenário para o feijão apresentou realidades distintas entre as etapas de cultivo. A primeira safra foi totalmente concluída com produtividade de 1.726 quilos por hectare e uma produção final de 41.320 toneladas, amargando uma queda de 26,3% em relação ao ano anterior, muito impactada pela redução de 22,3% na área semeada. Por outro lado, a segunda safra de feijão atingiu 85% de área colhida, beneficiada recentemente pelo retorno do sol e das temperaturas amenas. Essa segunda fase deve injetar 13.880 toneladas no mercado, volume que, embora apresente estabilidade na produtividade por hectare, é 37,2% menor que o ciclo passado devido à forte retração da área de plantio nesta época do ano.

Para o arroz, o período atual é de entressafra. Os dados consolidados junto ao Instituto Riograndense do Arroz confirmaram uma área plantada de 891.908 hectares, recuo de 8,1% sobre o ano anterior. Com produtividade média fixada em 8.703 quilos por hectare, a produção total do cereal atingiu 7.762.464 toneladas, fechando o ciclo com volume 11,4% inferior ao registrado no período anterior.

Culturas de Inverno: Trigo Perde Espaço Enquanto Canola Avança e Cevada Recua

Com a página virada nas culturas de verão, a atenção dos produtores rurais se volta para as lavouras de inverno, cujo zoneamento e trabalhos de campo avançam em ritmos diferentes conforme a cultura escolhida.

O plantio do trigo teve forte evolução nos últimos dias devido às boas condições do solo e à umidade ideal para a germinação, gerando estandes de plantas uniformes. Contudo, a Emater/RS-Ascar projeta uma redução na área total cultivada no Estado para este ano. Esse movimento de retração é impulsionado por restrições no acesso ao crédito rural, redução no uso de tecnologia pelos agricultores, altos custos de produção e o receio frente às previsões climáticas para os próximos meses. Diante disso, muitas propriedades estão optando por substituir o trigo por pastagens, plantas de cobertura ou culturas alternativas.

A aveia-branca caminha para os ajustes finais de implantação na maioria das regiões do Rio Grande do Sul. O clima tem colaborado para um excelente desenvolvimento inicial e baixa pressão de pragas e doenças, permitindo que os produtores avancem com os tratos culturais e a aplicação de nitrogênio em cobertura nas áreas mais precoces. O panorama geral aponta para estabilidade ou leve expansão de área nas principais regiões produtoras.

A canola desponta como o grande destaque de crescimento para o inverno de 2026. Com a semeadura em fase de finalização, a cultura apresenta bom potencial produtivo inicial, impulsionada pelo forte interesse dos agricultores em diversificar a propriedade e rotacionar a terra, motivados pelos bons retornos financeiros obtidos em anos anteriores.

Em contrapartida, a cevada registra o cenário mais pessimista entre as culturas de inverno, com o plantio indicando uma retração superior a 30% na área cultivada. A forte sensibilidade do grão a problemas climáticos e biológicos, somada ao alerta para a possível influência do fenômeno El Niño durante os períodos de inverno e primavera, desestimulou os produtores, reduzindo drasticamente o interesse comercial pela cultura nesta safra.

Painel Estatístico da Safra Gaúcha

Culturas de Verão: Desempenho e Comparativos (Safra 2025/2026)

Cultura

Área Atualizada (Hectares)

Comparação de Área com Safra Anterior

Produtividade Média (kg/ha)

Produção Total Atual (Toneladas)

Comparação de Volume com Safra Anterior

Soja

6.697.172

Retração de 1,5%

2.707

18.132.401

Crescimento de 32,9%

Milho em Grão

812.540

Crescimento de 13,1%

7.362

5.981.614

Crescimento de 13,1%

Milho Silagem

349.085

Retração de 2,0%

36.878

12.870.000

Retração de 0,7%

Feijão (1ª Safra)

23.942

Retração de 22,3%

1.726

41.320

Retração de 26,3%

Feijão (2ª Safra)

9.818

Retração de 45,7%

1.414

13.880

Retração de 37,2%

Arroz

891.908

Retração de 8,1%

8.703

7.762.464

Retração de 11,4%

Histórico de Referência para as Culturas de Inverno (Dados de Base – Safra 2025)

Cultura de Inverno

Área Cultivada em 2025 (Hectares)

Produtividade Média em 2025 (kg/ha)

Produção Total em 2025 (Toneladas)

Tendência de Campo para a Safra Atual (2026)

Trigo

1.166.163

2.968

3.458.083

Perspectiva de redução de área

Aveia-branca

393.135

2.394

935.664

Estabilidade a leve expansão

Canola

174.394

1.653

285.481

Expectativa de grande expansão

Cevada

32.010

3.622

Não especificado

Retração estimada superior a 30%

Entenda o caso

O que aconteceu?Clima e Variabilidade Regional Marcam Encerramento da Safra de Verão no Rio Grande do Sul
Onde?Local não informado
Fonte da informaçãoEmater RS

Transparência editorial

Tipo de conteúdoNotícia
Fonte/OrigemEmater RS
Última atualização12/06/2026 às 06:21

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