Enquanto arroz e feijão registram quedas no volume colhido, o cenário das culturas de inverno mostra forte retração na área da cevada e do trigo, abrindo espaço para a expansão da canola.
Com as colheitas das culturas de verão praticamente finalizadas em todo o território gaúcho, a Emater/RS-Ascar revisou os números consolidados de produtividade e volume total para o ciclo 2025/2026. Os dados, divulgados no Informativo Conjuntural, confirmam que o encerramento dos trabalhos foi marcado por forte instabilidade climática, com alta umidade do ar, nevoeiros frequentes e baixa luminosidade dificultando o trabalho das máquinas nas lavouras restantes. Além disso, o resultado final das lavouras revelou uma grande disparidade regional no rendimento, reflexo direto da irregularidade das chuvas ao longo dos últimos meses.
No caso da soja, principal motor do agronegócio gaúcho, restam apenas áreas isoladas de segunda safra sem impacto nos dados estatísticos globais. A produtividade média do Estado fechou em 2.707 quilos por hectare, o que representa um recuo de 14,8% na comparação com os 3.180 quilos por hectare projetados inicialmente antes do início da semeadura. A área total plantada nesta temporada alcançou 6.697.172 hectares, uma leve retração de 1,5% frente ao ciclo anterior. Apesar da quebra na produtividade projetada, a produção total da oleaginosa somou 18.132.401 toneladas, um expressivo salto de 32,9% sobre o volume registrado na safra passada.
O milho em grão teve sua colheita fixada em 98% da área total, estimada em 812.540 hectares pela instituição — um avanço de 13,1% em área cultivada na comparação anual. Os pontos ainda pendentes de colheita concentram-se em pequenas propriedades com plantio tardio. O rendimento médio estadual ficou em 7.362 quilos por hectare, demonstrando estabilidade em relação à estimativa inicial. Mesmo enfrentando períodos de déficit hídrico, o Estado acumulou 5.981.614 toneladas do cereal, registrando alta de 13,1% sobre o ciclo anterior.
Já o milho destinado à silagem teve mais de 99% de sua área recolhida. Diante de geadas que comprometeram o potencial de lavouras tardias de grãos, muitos produtores mudaram a estratégia e direcionaram as plantas para a ensilagem, conseguindo aproveitar a biomassa e diminuir os prejuízos financeiros causados pelo clima. O rendimento médio fechou em 36.878 quilos por hectare, sofrendo redução de 3,8% sobre o esperado no plantio. A produção total recuou para 12,87 milhões de toneladas, ficando 8,3% abaixo da projeção inicial.
O cenário para o feijão apresentou realidades distintas entre as etapas de cultivo. A primeira safra foi totalmente concluída com produtividade de 1.726 quilos por hectare e uma produção final de 41.320 toneladas, amargando uma queda de 26,3% em relação ao ano anterior, muito impactada pela redução de 22,3% na área semeada. Por outro lado, a segunda safra de feijão atingiu 85% de área colhida, beneficiada recentemente pelo retorno do sol e das temperaturas amenas. Essa segunda fase deve injetar 13.880 toneladas no mercado, volume que, embora apresente estabilidade na produtividade por hectare, é 37,2% menor que o ciclo passado devido à forte retração da área de plantio nesta época do ano.
Para o arroz, o período atual é de entressafra. Os dados consolidados junto ao Instituto Riograndense do Arroz confirmaram uma área plantada de 891.908 hectares, recuo de 8,1% sobre o ano anterior. Com produtividade média fixada em 8.703 quilos por hectare, a produção total do cereal atingiu 7.762.464 toneladas, fechando o ciclo com volume 11,4% inferior ao registrado no período anterior.
Culturas de Inverno: Trigo Perde Espaço Enquanto Canola Avança e Cevada Recua
Com a página virada nas culturas de verão, a atenção dos produtores rurais se volta para as lavouras de inverno, cujo zoneamento e trabalhos de campo avançam em ritmos diferentes conforme a cultura escolhida.
O plantio do trigo teve forte evolução nos últimos dias devido às boas condições do solo e à umidade ideal para a germinação, gerando estandes de plantas uniformes. Contudo, a Emater/RS-Ascar projeta uma redução na área total cultivada no Estado para este ano. Esse movimento de retração é impulsionado por restrições no acesso ao crédito rural, redução no uso de tecnologia pelos agricultores, altos custos de produção e o receio frente às previsões climáticas para os próximos meses. Diante disso, muitas propriedades estão optando por substituir o trigo por pastagens, plantas de cobertura ou culturas alternativas.
A aveia-branca caminha para os ajustes finais de implantação na maioria das regiões do Rio Grande do Sul. O clima tem colaborado para um excelente desenvolvimento inicial e baixa pressão de pragas e doenças, permitindo que os produtores avancem com os tratos culturais e a aplicação de nitrogênio em cobertura nas áreas mais precoces. O panorama geral aponta para estabilidade ou leve expansão de área nas principais regiões produtoras.
A canola desponta como o grande destaque de crescimento para o inverno de 2026. Com a semeadura em fase de finalização, a cultura apresenta bom potencial produtivo inicial, impulsionada pelo forte interesse dos agricultores em diversificar a propriedade e rotacionar a terra, motivados pelos bons retornos financeiros obtidos em anos anteriores.
Em contrapartida, a cevada registra o cenário mais pessimista entre as culturas de inverno, com o plantio indicando uma retração superior a 30% na área cultivada. A forte sensibilidade do grão a problemas climáticos e biológicos, somada ao alerta para a possível influência do fenômeno El Niño durante os períodos de inverno e primavera, desestimulou os produtores, reduzindo drasticamente o interesse comercial pela cultura nesta safra.
Painel Estatístico da Safra Gaúcha
Culturas de Verão: Desempenho e Comparativos (Safra 2025/2026)
Cultura | Área Atualizada (Hectares) | Comparação de Área com Safra Anterior | Produtividade Média (kg/ha) | Produção Total Atual (Toneladas) | Comparação de Volume com Safra Anterior |
Soja | 6.697.172 | Retração de 1,5% | 2.707 | 18.132.401 | Crescimento de 32,9% |
Milho em Grão | 812.540 | Crescimento de 13,1% | 7.362 | 5.981.614 | Crescimento de 13,1% |
Milho Silagem | 349.085 | Retração de 2,0% | 36.878 | 12.870.000 | Retração de 0,7% |
Feijão (1ª Safra) | 23.942 | Retração de 22,3% | 1.726 | 41.320 | Retração de 26,3% |
Feijão (2ª Safra) | 9.818 | Retração de 45,7% | 1.414 | 13.880 | Retração de 37,2% |
Arroz | 891.908 | Retração de 8,1% | 8.703 | 7.762.464 | Retração de 11,4% |
Histórico de Referência para as Culturas de Inverno (Dados de Base – Safra 2025)
Cultura de Inverno | Área Cultivada em 2025 (Hectares) | Produtividade Média em 2025 (kg/ha) | Produção Total em 2025 (Toneladas) | Tendência de Campo para a Safra Atual (2026) |
Trigo | 1.166.163 | 2.968 | 3.458.083 | Perspectiva de redução de área |
Aveia-branca | 393.135 | 2.394 | 935.664 | Estabilidade a leve expansão |
Canola | 174.394 | 1.653 | 285.481 | Expectativa de grande expansão |
Cevada | 32.010 | 3.622 | Não especificado | Retração estimada superior a 30% |
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