A agricultura familiar ocupará posição de destaque na 49ª Expointer, que será realizada de 29 de agosto a 6 de setembro, no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio. Durante os nove dias de feira, um espaço de aproximadamente 14 mil metros quadrados reunirá tecnologias, práticas sustentáveis e ações de Assistência Técnica e Extensão Rural e Social (Aters) direcionadas às famílias do campo.
A programação deste ano será orientada pelo tema “Família e suas ruralidades”. A proposta é mostrar que o meio rural gaúcho é formado por diferentes maneiras de produzir, viver, organizar as comunidades e transmitir conhecimentos entre gerações.
Além da produção de alimentos, as atividades destacarão a participação das famílias rurais na preservação dos recursos naturais, na manutenção das culturas regionais e na adaptação às mudanças econômicas, sociais e climáticas. Mulheres, jovens, povos indígenas, comunidades quilombolas, assentados da reforma agrária, pescadores artesanais e pecuaristas familiares estarão entre os públicos representados.
Conforme a extensionista rural da Emater/RS-Ascar Charlise da Silva Nunes, essa diversidade constitui uma das riquezas do Rio Grande do Sul. “Por trás de cada produto, tecnologia e inovação, existem pessoas, famílias, histórias e modos de vida que merecem ser valorizados”, destaca.
Pavilhão terá 509 expositores
O 28º Pavilhão da Agricultura Familiar contará com 509 expositores de diferentes regiões do Estado. A participação inclui 400 agroindústrias familiares, 74 empreendimentos de artesanato rural e 28 produtores de plantas, mudas e flores. Entre os artesãos participantes, oito empreendimentos são indígenas e três pertencem a comunidades quilombolas.
A presença de novas gerações e de mulheres à frente dos negócios rurais também será evidenciada. Conforme os dados divulgados pela organização, 265 jovens e 179 mulheres estarão na gestão dos empreendimentos participantes.
O público encontrará embutidos, queijos, leite e derivados, pães, cucas, doces, geleias, mel, pescados, produtos da cana-de-açúcar, farinhas, vinhos, cachaças, sucos, frutas desidratadas, ovos, licores, erva-mate, grãos e cervejas artesanais. Sete cozinhas também comercializarão pratos tradicionais.
Os números foram divulgados pela organização oficial da Expointer.
Receitas com produtos da própria feira
Uma das atrações será a Cozinha Show, onde serão realizadas oficinas e demonstrações culinárias utilizando produtos comercializados pelas agroindústrias familiares participantes.
As atividades buscarão incentivar o consumo da produção regional, o aproveitamento integral dos alimentos e a adoção de práticas relacionadas à segurança alimentar. O espaço também funcionará como vitrine para os produtos, contribuindo para a divulgação dos empreendimentos e para a geração de renda.
Outras iniciativas abordarão cooperativismo, associativismo e turismo rural, mostrando alternativas de organização econômica e de diversificação das propriedades.
Tecnologias sustentáveis no campo
As áreas demonstrativas apresentarão soluções que podem ser aplicadas nas pequenas propriedades. Entre elas estão compostagem, condicionadores de solo, uso de microrganismos eficientes, controle biológico de pragas e doenças e o Sistema de Plantio Direto de Hortaliças.
Também serão demonstradas tecnologias de baixa emissão de carbono, sistemas agroflorestais, produção de biogás e geração de energia solar. A edição de 2026, como um todo, foi anunciada pela organização como uma feira de carbono neutro, mediante inventário e compensação das principais fontes de emissão.
A biodiversidade será abordada por meio da exposição de sementes crioulas, plantas alimentícias não convencionais, frutas, tubérculos e espécies tradicionais. O objetivo é mostrar a importância da conservação desse patrimônio genético e dos conhecimentos acumulados pelas famílias rurais.
Produção animal e Caminhos do Mel
Na área da bovinocultura de leite, o público poderá conhecer diferentes espécies forrageiras, planejamento da alimentação do rebanho e sistemas de produção de leite à base de pasto.
A bubalinocultura retornará ao espaço da agricultura familiar, sendo apresentada como possibilidade de diversificação produtiva. Na área destinada à pecuária familiar, haverá orientações sobre manejo sanitário, melhoramento genético, inseminação artificial em tempo fixo e criação de bovinos e ovinos.
O espaço Caminhos do Mel reunirá atividades de apicultura e meliponicultura. Estão previstas demonstrações de manejo de abelhas, equipamentos, extração de mel e ações de preservação ambiental, especialmente relacionadas à proteção das espécies polinizadoras.
Água, solo e saneamento rural
A importância da água para as propriedades rurais será apresentada em uma área de educação e saneamento ambiental. As atividades abordarão conservação dos recursos hídricos, manejo do solo, armazenamento da água e sua utilização na irrigação, piscicultura, produção de alimentos e dessedentação animal.
Também haverá orientações sobre saneamento básico no meio rural e alternativas para reduzir riscos de contaminação das fontes utilizadas pelas famílias e pelos animais.
A piscicultura terá espaço próprio, com informações sobre criação de peixes e sistemas produtivos. A pesca profissional artesanal e o processamento de pescados em agroindústrias familiares também estarão contemplados.
Concurso terá 22 categorias
Outra atração será o 14º Concurso de Produtos da Agricultura Familiar, que terá 22 categorias. Entre as novidades estão melado batido, doce cremoso de figo, erva-mate, queijo autoral e queijo artesanal serrano.
Os produtos serão avaliados por jurados e os três primeiros colocados de cada categoria receberão premiação. Todos os participantes terão acesso às notas e aos pareceres da avaliação, permitindo identificar pontos que podem ser aprimorados na produção.
Diversidade de atividades
A programação ainda incluirá fruticultura, implantação de pomares domésticos, cultivo de morangos, produção de mudas e prevenção ao greening, uma das principais ameaças à citricultura.
Na área de plantas bioativas, serão abordados cultivo, manejo, secagem, biodiversidade, homeopatia e produção de hidrolatos. A olericultura contará com demonstrações de sistemas protegidos, irrigação, hidroponia e cultivo em recipientes.
Também haverá espaços dedicados às plantas e flores ornamentais, paisagismo, turismo rural, secagem e armazenagem de grãos, certificação da erva-mate e processamento de alimentos.
O Espaço Multiuso receberá oficinas, palestras, painéis, rodas de conversa e encontros temáticos. As atividades mostrarão trabalhos realizados pela extensão rural com agricultores familiares, pecuaristas, assentados, indígenas, quilombolas e pescadores artesanais.
Serviço
A 49ª Expointer ocorrerá entre 29 de agosto e 6 de setembro, com visitação diária das 8h às 20h. O ingresso para pedestres custará R$ 22. Estudantes, pessoas com 60 anos ou mais e pessoas com deficiência pagarão R$ 11. Crianças menores de seis anos, acompanhadas pelos pais ou responsáveis, terão entrada gratuita. O estacionamento custará R$ 53 por veículo, sem incluir os ingressos dos ocupantes.
Além da agricultura familiar, a feira reunirá produção animal, máquinas e implementos agrícolas, inovação, tecnologia, cultura e oportunidades de negócios. A edição registra 7.926 animais de argola e rústicos inscritos. As informações de acesso e a programação atualizada estão disponíveis no site oficial da Expointer.
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