Agroflorestas mostram alternativas para diversificar a produção na Expointer
Espaço reúne cultivos consorciados, plantio direto de hortaliças e manejo orgânico, com foco na produção de alimentos e na conservação do solo.

A combinação de árvores, frutas, grãos e hortaliças em uma mesma área é uma das propostas apresentadas no espaço dedicado aos Sistemas Agroflorestais da 49ª Expointer, em Esteio. A feira segue até domingo, 6 de setembro, no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil. As demonstrações aproximam os visitantes de práticas que buscam diversificar a produção e conservar o solo, a água e a biodiversidade.
Nos sistemas agroflorestais, o planejamento dos cultivos considera a convivência entre diferentes espécies e o desenvolvimento da vegetação ao longo do tempo. A proposta utiliza princípios da sucessão natural, processo pelo qual a composição das plantas de uma área se modifica, para organizar espécies de interesse econômico, plantas nativas e vegetação espontânea.
Entre as culturas apresentadas estão banana, hortaliças e milho. A combinação permite aproveitar diferentes alturas e espaços da vegetação, com possibilidades de colheita em períodos distintos. Conforme as espécies escolhidas e o manejo adotado, a produção pode incluir frutas, hortaliças e madeira, além de fornecer matéria-prima para produtos como geleias e doces.
A manutenção de resíduos vegetais sobre a superfície também ajuda a proteger o terreno. Essa cobertura pode reduzir a erosão, favorecer a infiltração da água da chuva e contribuir para a conservação da umidade. Os resultados dependem das condições da área e do planejamento dos cultivos.
O espaço apresenta ainda o Sistema de Plantio Direto de Hortaliças (SPDH), com exemplos de brócolis, tomate, alface e repolho. Nessa prática, o foco está na manutenção da cobertura vegetal e na redução do revolvimento da terra, buscando preservar sua estrutura e melhorar as condições de cultivo.
Embora tenham características próprias, o plantio direto e os sistemas agroflorestais compartilham a preocupação com a proteção do solo e o aproveitamento dos recursos naturais.
Diversidade também nas hortas
Outra demonstração reúne hortaliças em um sistema de policultivo com manejo orgânico. Alface, beterraba, couve, cebolinha, salsa, tomate, brócolis e fava estão entre as espécies apresentadas. O objetivo é mostrar possibilidades de organizar diferentes culturas em uma mesma área, considerando suas necessidades e épocas de plantio.
Segundo o extensionista rural Marcelo Biassusi, a proposta também pode ser aplicada em espaços urbanos e contribuir para ampliar o acesso a alimentos.
“É um sistema para quem trabalha com hortaliça em casa ou em espaços urbanos, de forma a ter segurança alimentar dentro da comunidade, em hortas urbanas, associações e escolas”, afirma.
O planejamento permite distribuir os plantios ao longo das estações e avaliar recursos como a irrigação por gotejamento. A escolha das espécies e o escalonamento dos cultivos ajudam a organizar a continuidade da produção.
“A ideia é mostrar uma horta que passa o ano todo produtiva”, destaca Biassusi.
Como atividade complementar, o espaço apresenta o trabalho de certificação de erva-mate, com demonstração do processo de fabricação e exposição de produtos certificados.
As demonstrações oferecem aos visitantes referências para avaliar práticas que podem ser adaptadas às propriedades rurais e às hortas urbanas. Da combinação de espécies ao cuidado com a cobertura do solo, a proposta é mostrar como a diversificação pode integrar a produção de alimentos e a conservação ambiental.
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