Pular para o conteúdo principal
sexta-feira, 07 de agosto de 2026   Vale do Rio Pardo Indicadores atualizados Edição Digital
Agricultura

Florescimento do trigo começa no RS, mas excesso de umidade exige atenção

Primeiras lavouras ingressam na fase reprodutiva; Estado projeta redução superior a 30% na produção do cereal em 2026

As primeiras lavouras de trigo da safra 2026 começaram a florescer no Rio Grande do Sul. Embora o desenvolvimento da cultura seja considerado satisfatório, o excesso de chuva, a elevada umidade do solo e a menor incidência de luz solar vêm dificultando o manejo das áreas e aumentando a preocupação com doenças.

Conforme o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira, 6 de agosto, aproximadamente 3% das lavouras gaúchas já ingressaram nas fases reprodutivas iniciais. Os outros 97% permanecem em desenvolvimento vegetativo e perfilhamento.

Na região de Santa Rosa, onde a semeadura ocorreu mais cedo, a floração alcança 6% das áreas. Em Santo Antônio das Missões, o granizo provocou o acamamento de plantas — quando o trigo se dobra ou tomba —, mas a avaliação inicial indica possibilidade de recuperação de grande parte do potencial produtivo.

O retorno do sol no final do período analisado favoreceu a retomada do crescimento das plantas. Mesmo assim, a sequência de dias chuvosos manteve os solos saturados e dificultou o tráfego de máquinas, a aplicação de fertilizantes nitrogenados em cobertura e os tratamentos fitossanitários.

Até o momento, porém, esses problemas são localizados e não provocaram atrasos expressivos no calendário estadual.

Umidade aumenta risco de doenças

A chegada da floração representa uma etapa decisiva para a produtividade e a qualidade do trigo. A partir desse momento, condições de alta umidade e temperaturas favoráveis podem facilitar o surgimento de doenças nas folhas e nas espigas.

A situação exige acompanhamento frequente das lavouras, especialmente onde não foi possível realizar as aplicações preventivas devido à falta de condições para a entrada de máquinas.

O risco climático ganha importância porque parte do ciclo reprodutivo e da colheita ocorrerá durante a primavera. Em anos mais chuvosos, o excesso de precipitação pode elevar os custos de controle de doenças e prejudicar o peso, a germinação e a qualidade industrial dos grãos.

Safra será menor no Estado

Apesar da evolução satisfatória das plantas, a safra gaúcha de trigo deverá ser significativamente menor em 2026. A estimativa inicial da Emater/RS-Ascar aponta o cultivo de aproximadamente 814,2 mil hectares, redução de 30,2% diante dos 1,16 milhão de hectares registrados no ciclo anterior.

A produtividade média está projetada em 2.701 quilos por hectare, o equivalente a cerca de 45 sacas. Se a previsão for confirmada, a produção deverá ficar próxima de 2,2 milhões de toneladas, recuo de aproximadamente 36% em comparação com as 3,46 milhões de toneladas obtidas em 2025.

A retração é atribuída à combinação de preços pouco atrativos, custos elevados, dificuldades de acesso ao crédito e receio de perdas climáticas. A redução do investimento em insumos também pode limitar o rendimento médio das lavouras. Emater/RS-Ascar e dados da projeção estadual.

Canola amplia espaço nas lavouras

Enquanto o trigo perde área, a canola aparece como o principal destaque positivo entre as culturas de inverno. O Rio Grande do Sul deverá cultivar 353,4 mil hectares, mais que o dobro da área da safra anterior.

A produtividade média esperada é de 1.619 quilos por hectare, com produção projetada em aproximadamente 572 mil toneladas. O crescimento está relacionado às condições de comercialização, à contratação antecipada por indústrias e ao uso da oleaginosa na fabricação de óleo e biocombustíveis.

Nas lavouras já implantadas, a cultura apresenta desenvolvimento satisfatório e está distribuída entre as fases vegetativa, floração, formação de síliquas, enchimento dos grãos e início da maturação.

Em Tupanciretã, cerca de 70% das áreas estão em floração. Ventos intensos causaram acamamento em alguns pontos. Em Capão do Cipó, mais de mil hectares foram atingidos por granizo, com perdas estimadas abaixo de 10%. Em Quevedos, aproximadamente 300 hectares sofreram danos intensos, com perda total nas áreas diretamente atingidas.

Na região de Soledade, metade das lavouras permanece em desenvolvimento vegetativo e a outra metade está em floração ou formação de síliquas. O excesso de umidade pode reduzir a fecundação de parte das flores, mas os efeitos estaduais ainda são considerados pontuais.

Outras culturas de inverno

A carinata também apresenta evolução satisfatória e começa a despertar maior interesse como alternativa para rotação de culturas e diversificação das propriedades. As lavouras mais adiantadas estão florescendo, enquanto as áreas recentes permanecem em desenvolvimento vegetativo.

A aveia-branca se encontra entre perfilhamento, elongação dos colmos, floração e enchimento dos grãos. Chuvas fortes causaram acamamento e danos localizados, mas o potencial produtivo foi preservado na maior parte das regiões.

Na cevada, o desenvolvimento vegetativo é considerado adequado. A umidade mantém o setor em alerta para doenças foliares, embora ainda não existam registros de prejuízos relevantes sobre a produtividade.

Pastagens enfrentam excesso de água

O período chuvoso também trouxe dificuldades à pecuária. O campo nativo continua com baixa produção de massa verde, situação característica do inverno, enquanto o encharcamento formou barro e dificultou o acesso dos animais às áreas de pastejo.

Em partes do Estado, produtores reduziram temporariamente o pastejo para evitar compactação do solo, danos às plantas e perda de produtividade. Nas áreas cultivadas com aveia e azevém, o desenvolvimento permanece satisfatório, mas foi necessário ajustar a quantidade de animais.

Na região de Passo Fundo, as chuvas dificultaram as adubações de cobertura. Em Lagoa dos Três Cantos, Não-Me-Toque e Ernestina, lavouras e pastagens sofreram danos localizados devido ao granizo.

Frio e umidade exigem cuidados com ovinos

Na ovinocultura, continuam as parições e os cuidados com matrizes e cordeiros. A combinação de chuva, umidade e barro amplia a necessidade de abrigo, alimentação complementar e acompanhamento sanitário.

Entre os principais problemas estão as doenças nos cascos, infecções parasitárias e complicações respiratórias. Em parte dos rebanhos, especialmente entre matrizes em gestação ou lactação, a suplementação é necessária para preservar a condição corporal dos animais.

O cenário geral das culturas de inverno permanece satisfatório, mas as próximas semanas serão determinantes. Para o trigo, a continuidade da floração sob condições de alta umidade deverá concentrar as atenções de produtores e técnicos, pois a sanidade das plantas nessa etapa terá influência direta sobre o rendimento e a qualidade da safra.

Transparência editorial

Informações sobre a produção, autoria e atualização desta publicação.

Tipo de conteúdo Notícia
Fonte/Origem Apuração/Redação
Autor Gazeta Popular
Atualização 07/08/2026 às 15:28
Categoria Agricultura
Leitura 5 min
Extensão 1.095 palavras
A Gazeta Popular mantém páginas públicas de referência editorial para facilitar a identificação da equipe, dos critérios de publicação, das políticas de correção e dos canais de contato.
  • Autoria identificada
  • Data de atualização visível
  • Política editorial pública
  • Canal de correção disponível

Entenda o caso

O que aconteceu?Florescimento do trigo começa no RS, mas excesso de umidade exige atenção
Onde?Local não informado
Fonte da informaçãoRedação Gazeta Popular

Transparência editorial

Tipo de conteúdoNotícia
Fonte/OrigemApuração/Redação
Última atualização07/08/2026 às 15:28

O Gazeta Popular mantém páginas públicas de referência editorial para facilitar a identificação da equipe, critérios de publicação e canais de contato.