As pastagens cultivadas de inverno no Rio Grande do Sul apresentam melhora gradual, favorecendo a recuperação da pecuária em diversas regiões do Estado. No entanto, o excesso de chuvas, a baixa luminosidade e as geadas registradas nas últimas semanas continuam impondo desafios para produtores rurais, especialmente nas áreas de campo nativo e em lavouras de inverno. O cenário é apontado no Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar.
Nos campos nativos, a combinação entre chuvas frequentes, geadas e reduzida incidência de sol provocou queda na disponibilidade e na qualidade das forrageiras, diminuindo a capacidade de suporte das áreas de pastejo. Já nas pastagens cultivadas de inverno, embora o desenvolvimento esteja avançando, o crescimento permanece desigual entre as regiões em razão do atraso no plantio e do encharcamento dos solos causado pelas precipitações recentes.
Na bovinocultura de corte, os resultados variam conforme a disponibilidade de alimento. Rebanhos mantidos em pastagens cultivadas apresentaram melhora no ganho de peso e na condição corporal, enquanto animais criados em campo nativo seguem enfrentando restrições nutricionais, exigindo suplementação alimentar. O período também coincide com as parições e com a preparação das matrizes para a próxima estação reprodutiva.
Na produção leiteira, o abastecimento permanece estável na maior parte do Estado graças ao uso de silagem, feno e concentrados, aliado à recuperação gradual das pastagens cultivadas. Apesar disso, o excesso de umidade continua favorecendo problemas sanitários, como mastite e doenças de casco, além de dificultar o manejo e a ordenha em diversas propriedades.
Safra de inverno segue em bom ritmo
Entre as principais culturas de inverno, a canola apresenta desenvolvimento considerado satisfatório, embora os produtores acompanhem com preocupação a previsão de novos volumes elevados de chuva, que podem comprometer parte das lavouras. A maior parte das áreas encontra-se em desenvolvimento vegetativo, enquanto outra parcela já entrou na fase de floração.
O trigo também mantém evolução positiva. O plantio alcançou 97% da área prevista para esta safra, estimada em 814.220 hectares. A maior incidência de radiação solar favoreceu a semeadura, a adubação de cobertura e os tratamentos fitossanitários. Porém, as chuvas e os ventos registrados no final do período voltaram a gerar apreensão quanto aos possíveis prejuízos às lavouras.
A carinata segue dentro das expectativas nas principais regiões produtoras, enquanto a aveia-branca já teve o plantio concluído e apresenta bom estabelecimento das lavouras, apesar de danos pontuais causados por chuvas intensas e processos erosivos em áreas de maior declividade. A cevada também teve a semeadura finalizada e apresenta bom estande de plantas, com monitoramento intensificado para prevenir doenças fúngicas favorecidas pela umidade.
Hortaliças e frutas também sofrem influência do clima
Nas culturas hortícolas, as chuvas dificultaram o preparo do solo e o transplante de mudas em algumas regiões, embora o desenvolvimento das plantas tenha sido considerado satisfatório. Em outras localidades, o aumento das temperaturas favoreceu a produção de folhosas e o desenvolvimento de raízes como cenoura e beterraba.
Na fruticultura, a colheita de citros avança em diversas regiões, mas as geadas provocaram perdas em algumas variedades de bergamota, principalmente na região de Ijuí. Já os pomares de pêssego e videira passam pelos manejos típicos da estação, como poda, adubação e controle de plantas de cobertura.
O levantamento da Emater/RS-Ascar demonstra que, apesar da recuperação gradual observada em diversas atividades agropecuárias, as condições climáticas seguem sendo o principal fator de preocupação para os produtores gaúchos, que acompanham com atenção a previsão de novas chuvas e seus possíveis impactos sobre as pastagens, os rebanhos e as lavouras de inverno.
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