No Brasil, essa transformação já pode ser observada no campo. A pesquisa nacional “O Status da Agricultura Regenerativa no Brasil”, realizada em 2026 pela Agrosmart com apoio da ABAG, 4Lab e CNH, aponta que 78,9% dos produtores consultados adotam o plantio direto, uma das principais práticas associadas à agricultura regenerativa. Entre aqueles que já implementaram práticas regenerativas, 70,8% relatam melhorias na fertilidade do solo, enquanto 69,2% acreditam que esse modelo de produção deve crescer nos próximos anos.
Dentro dessa agenda, a JTI desenvolve junto aos produtores integrados no Sul do Brasil iniciativas que atuam em diferentes dimensões do sistema produtivo, desde o diagnóstico e manejo do solo até a conservação da biodiversidade e o reaproveitamento de resíduos industriais como insumos agrícolas.
“Quando falamos em agricultura regenerativa, estamos olhando para a propriedade de forma integrada. Solo, água, biodiversidade, manejo e uso eficiente dos recursos estão conectados. Nosso objetivo é desenvolver soluções que façam sentido para a realidade dos produtores e contribuam para uma produção cada vez mais sustentável e resiliente”, afirma Diogo Anjelo, diretor de Agronomia.
Solo como ponto de partida
Criado em 2021, o Aprimora Solo promove melhorias contínuas nas condições do solo a partir de diagnóstico técnico, planejamento agronômico e acompanhamento das propriedades. Cada área é avaliada individualmente, permitindo recomendações adaptadas às condições encontradas no campo.
Entre as práticas estão: rotação de culturas, plantio direto, uso de plantas de cobertura, correção e descompactação do solo, aumento da matéria orgânica e conservação dos recursos hídricos.
Atualmente, o programa já alcança aproximadamente 30% da base de produtores integrados da JTI. Cerca de 3,7 mil produtores participaram das ações, com mais de 4,1 mil áreas avaliadas e 16,5 mil recomendações agronômicas realizadas. Destas, aproximadamente 13,6 mil já foram implementadas.
Além das intervenções nas propriedades, o programa contempla treinamentos, dias de campo e acompanhamento técnico, contribuindo para a adoção contínua de boas práticas de manejo e conservação dos recursos naturais.
Biodiversidade integrada à produção
Outro pilar dessa abordagem é o JTIBio, iniciativa que incorpora a conservação da biodiversidade ao sistema produtivo do tabaco, contribuindo para uma gestão mais sustentável das propriedades rurais. O programa atua de forma integrada em cinco pilares fundamentais: vegetação nativa, fauna silvestre, água, solo e clima, conectando produção agrícola e conservação ambiental.
Entre as ações desenvolvidas estão o levantamento e monitoramento de fauna e flora, a recuperação de áreas de preservação permanente, a proteção de nascentes, a substituição de espécies invasoras por vegetação nativa e a capacitação dos produtores em práticas de conservação.
A proposta é promover o equilíbrio entre atividade agrícola e preservação dos recursos naturais dentro das propriedades. Além dos benefícios ambientais, a conservação da biodiversidade também pode contribuir para aspectos produtivos, como a melhoria da fertilidade do solo, o estímulo à polinização natural, o aumento da resiliência climática e a redução da necessidade de controle químico de pragas.
Do resíduo industrial de volta ao campo
A economia circular completa essa abordagem por meio do FertiLeaf, fertilizante orgânico produzido a partir do reaproveitamento do pó de tabaco gerado no processo industrial.
Resultado de mais de 15 anos de pesquisas conduzidas pela FUPASC, o FertiLeaf é certificado pela ECOCERT e registrado no Ministério da Agricultura. O processo permite transformar um resíduo industrial em um novo insumo agrícola, reinserindo matéria orgânica no sistema produtivo.
O fertilizante retorna às lavouras como parte das soluções disponibilizadas pela área de Agronomia Técnica da JTI aos produtores integrados, conectando a gestão dos resíduos industriais às práticas desenvolvidas no campo.
“Esse é um exemplo prático de economia circular aplicada à nossa cadeia. Quando conseguimos reaproveitar um material da indústria e transformá-lo em um insumo que retorna ao campo, fechamos um ciclo e ampliamos a eficiência no uso dos recursos”, complementa Diogo.
Em conjunto, Aprimora Solo, JTIBio e FertiLeaf mostram como diferentes iniciativas podem atuar de maneira complementar dentro de uma mesma estratégia. Enquanto uma frente trabalha diretamente na saúde e conservação do solo, outra incorpora a biodiversidade à gestão das propriedades e uma terceira conecta indústria e agricultura por meio da economia circular.
No contexto do Dia Nacional do Campo Limpo, essas iniciativas ajudam a mostrar como a agricultura regenerativa pode avançar na prática, conectando conservação dos recursos naturais, conhecimento técnico, inovação e produtividade na construção de sistemas agrícolas mais eficientes e resilientes.
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