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quarta-feira, 22 de julho de 2026   Vale do Rio Pardo Indicadores atualizados Edição Digital
Coronavírus

Enfermeiros e técnicos pedem para que fiquem em casa

O que dizem os profissionais O Covid-19 está assustando os moradores de Passo do Sobrado a um ano, desde o fechamento inicial de todas as lojas, e empresas, e a suspensão das aulas. Atualmente, todo o Estado do Rio Grande do Sul, está em Bandeira Preta, seguindo os protocolos...

O Covid-19 está assustando os moradores de Passo do Sobrado a um ano, desde o fechamento inicial de todas as lojas, e empresas, e a suspensão das aulas. Atualmente, todo o Estado do Rio Grande do Sul, está em Bandeira Preta, seguindo os protocolos impostos pela Secretaria de Saúde do Estado.

Com o fim momentâneo da cogestão, os município não tem autonomia para editar novos protocolos para serem seguidos pela população, e o comércio não essencial está fechado.

Por outro lado, está havendo muitos comentários de pessoas andando nas ruas sem necessidades, e até mesmo, comentários de pessoas positivadas passeando pela cidade, como se não tivesse nada, e como se não prejudicaria ninguém.

A Covid-19 vem fazendo muitas vítimas no município de Passo do Sobrado, e com o intuito de orientar as pessoas sobre o isolamento, e os cuidados necessários, pedimos para que alguns, profissional de saúde, principalmente os que estão na linha de frente do enfrentamento, dar a sua opinião, e dizer o que estão sentindo neste momento.

 

Valmir Ellert.

“Tenho 44 anos de idade. Sou Técnico de Enfermagem trabalho à 21 anos na Saúde, trabalho no turno da noite no Hospital São Sebastião Mártir e no turno do dia pela Prefeitura de Passo do Sobrado. Em relação a Pandemia do Covid-19,  estou vendo que é uma situação delicada, e não vai ser resolvido em poucos dias, meses ou ano. Neste tempo sobre a Covid,  posso dizer pelo tempo de trabalho e experiência, que a situação é difícil,  muito triste e até assustador. Vejo pessoas  sofrendo e morrendo em minhas mãos, não obtendo o sucesso em salvar todos. Gostaria muito de dizer as pessoas para levarem mais a sério a Pandemia, evitar aglomeração, ficar em casa, só sair em caso de extrema necessidade, de como ir ao mercado e farmácia, fazer uso de Álcool Gel e também o uso de Máscara trocando seguidamente. Fica aqui um olá e um abençoado abração a todos! e fico sempre a disposição para quem precisar de minha ajuda”.

 

 

Pedro Luis dos Santos

“Sou Técnico de Enfermagem, tenho 50 anos. Sobre a Pandemia é muito triste, muito sofrimento. Mas muitas pessoas vem contribuindo. Não usando máscara, e não respeitando os protocolos. É extremamente necessário obedecer os protocolos de distanciamento e o uso de máscara. São 19 anos na área da enfermagem nunca esperava ver isso. É muito triste ver pessoas morrendo, como um conjunto de dominó caindo. Perdendo amigos e colegas. Estamos cansados e exaustos. Mas não vamos parar, vamos estar na linha de frente, pois muitas pessoas dependem de nós nessa guerra invisível. Tenho certeza vai ser um ensinamento para que os gestores invistam na área da saúde, que valorizem e paguem melhor os profissionais de saúde, pois pergunto onde estão jogadores de futebol, senadores e deputados nessa hora? Para que vai servir os estádios de futebol construídos no Brasil? Para enterrar nossos mortos?! Temos muito que aprender e crescer como ser humano! Temos que reivindicar, para que nossos governantes invistam em pesquisas e estruturas hospitalares”, finalizou Pedro.

 

Luana Knobloch

“ Tenho 37 anos, trabalho há 17 anos na área da saúde. Acredito que estamos enfrentando o período mais crítico da pandemia, durante  toda minha trajetória na área da saúde nunca havia presenciado um momento tão triste é difícil. No início achávamos que não ia chegar até nós, mas hoje nos deparamos com uma realidade completamente diferente. Agora mais do que nunca cada um deve fazer sua parte nos ajudando a fazer com que esse vírus não se propague ainda mais, quem está em isolamento mantenha-se em casa, quem não está trabalhando em áreas essenciais fique em casa, quem está trabalhando se cuidem se protejam, o vírus está ai se espalhando muito fácil. O momento é crítico e exige o cuidado de toda comunidade!”, disse Luana.

 

Juliara Baierle

“Tenho 28 anos, trabalho na área da saúde a 10 anos. No momento atual da pandemia estou vendo como um cenário de guerra, o aumento de casos confirmado tem crescido incontrolavelmente. Em 10 anos de profissão nunca tinha me deparado com uma situação como estamos vivendo nos dias atuais. Estamos sofrendo psicologicamente, estamos com nosso emocional abalado, estamos vendo pacientes, amigos e conhecidos que estão contaminados ficando debilitados e alguns vindo a óbito, ver o sofrimento do paciente e dos familiares não tem sido fácil. Antes víamos somente na mídia mas agora está fazendo parte do nosso dia a dia. Devido ao aumento de casos confirmados peço encarecidamente para que os pacientes que estão em isolamento de contato não fiquem circulando fazendo que o vírus se propague, aos que podem fique em casa, juntos contra o CORONAVÍRUS”, disse Juliara.

Maria Nilzete da Fontoura Vianna

“Tenho 48 anos, trabalho a 21 anos com oito meses.  A pandemia é  algo assustador, momentos de muita angústia, insegurança, pois não  sabemos o que vai acontecer, a prevenção é necessário. Muita tristeza, ansiedade,   muitos projetos, sonhos que ficaram sem conclusão, mas o pior, muitas vidas perdidas, sofrimento das familias, saúde  física  e mental completamente  abalada na contemporaneidade. Gostaria de dizer para as pessoas, que por favor, fiquem  em suas residências,  acreditem  que a situação  é  séria. Fique em casa, assim estão  se protegendo e protegendo outras pessoas. Vamos nos unir, para vencer esse momento difícil, pensamento  positivo, nossos anseio  agora é  passar logo tudo isso. E usem máscara”, disse Maria.

Lilian Queiroz

É inevitável não se ter dimensão da realidade que nossos serviços de saúde vêm enfrentando no último ano e, em especial, nos últimos meses. Nos jornais, na televisão, no rádio, e até nas conversas a proporção dos atendimentos e óbitos é nítida e assustadora. É difícil imaginar para quem não vivencia o cotidiano de uma unidade de saúde como está a luta contra o COVID-19, para isto, trouxemos uma entrevista com Lilian Queiroz, 40 anos, Enfermeira, atua há 21 anos diretamente na assistência humanizada a pacientes, e hoje na equipe do plantão de Passo do Sobrado.

Lilian destaca que nunca vivenciou, dentro de sua experiencia profissional, algo semelhante ao que enfrenta hoje: um colapso do sistema de saúde. Ela descreve a atual situação como preocupante, desgastante, desoladora e, muitas vezes catastrófica. Lilian ressalta que ao ler notícias sobre cidades como Porto Alegre, a qual teve que instalar um container refrigerado no Hospital Moinhos de Vento para abrigar os mortos, devido à grande demanda de funerárias, bem como a cidade de Boqueirão do Leão, a qual está com um grande deficit de profissionais da área da saúde, devido ao grande volume de médicos afastados pela contaminação pelo vírus, sente-se desesperada, preocupada, muitas vezes ansiosa e sem dormir, com medo de ver o mesmo se repetindo no município.

A enfermeira Lilian relatou  que junto a sua equipe sentem-se muitas vezes impotente sobre toda a situação, visto que muitos pacientes já encontram-se sem leitos, informação a qual deve ser repassada às vezes, o que muitas vezes não é uma tarefa fácil, já que grande parte dos profissionais ali presentes tiveram uma formação “humanizada”, ou seja, aprenderam a ter empatia pelo paciente, entendendo a dor do mesmo e se colocando no lugar dele e de seus familiares, porém, na atual situação, mesmo com toda a humanização da assistência, ainda a falta de profissionais, de leitos e de equipamentos torna tudo mais difícil. A luta diária não é só contra o vírus, é também contra o cansaço físico e mental, contra o medo diário de levar o vírus pra casa, receio de ver um paciente sofrendo, contra a tristeza de não poder deixar um familiar acompanhar o paciente, contra a exaustão de longas horas, muitas vezes sem se alimentar corretamente para cobrir colegas e garantir a assistência adequada aquele paciente.

Lilian fez um apelo: fiquem em casa, respeitem o lockdown, usem máscara e sigam as normas de distânciamento social caso tenham a necessidade de sair.  Lilian ressalta: “Gostaria de dizer para a população que evitem os contatos desnecessários, muitas vezes estamos contaminados e se quer soubemos, podemos em uma simples conversa estar contaminando outras pessoas que serão mais sensíveis aos efeitos do vírus. Portanto, fiquem atentos, usem máscara, usem e abusem do álcool gel e de lavar as mãos. Se for possível, fiquem em casa. Não é um simples resfriado de rápida cura, a atualização diária dos dados nos apresenta a realidade relacionada ao COVID-19”, disse Lilian.

Lilian informa que, cada vez mais, os dados apontam que pessoas jovens e sem comorbidades tem buscado serviços de saúde com quadros graves, muitas vindo a óbito, o que indica que o vírus tem ganhado força também com esta população, deixando-a mais suscetível. Ela alerta: “Vejo a questão da pandemia com muita preocupação. Nosso município está em meio uma região das mais atingidas nesse momento. Medidas preventivas precisam ser mais eficazes, e a única maneira disso ocorrer é com a conscientização. E não há forma de conscientizar que fuja a educação continuada das pessoas. Negar o perigo ou achar que não devo provocar pânico, não nos ajudará nesse momento tão difícil. Não temos leitos, e quem está internado piora rapidamente, os anestésicos estão acabando e o medo da falta de oxigênio é real, e não é por falta de recursos financeiros, os fornecedores estão racionando a venda para garantir que todas as unidades recebam pelo menos uma pequena quantidade de medicações, mas não é o suficiente, precisamos de oxigênio e sedativos para a intubação, sem isto, perderemos um dos principais recursos para salvar a vida dos pacientes, é desesperador, me sinto impotente e triste”.

Finaliza Lilian acrescentando: “eu olho para um paciente e penso: é a mãe de alguém, é filho de alguém, deve ter esposa, filhos pequenos, e nenhum deles pode estar aqui, neste momento eu sou a família dele, é meu dever cuidar deste paciente, eu tenho que estar bem por eles. Estou aqui no plantão pela sua família, fique em casa pela minha”.

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Tipo de conteúdo Notícia
Fonte/Origem Apuração/Redação
Autor Gazeta Popular
Atualização 22/03/2021 às 14:53
Categoria Coronavírus
Leitura 9 min
Extensão 1.807 palavras
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Entenda o caso

O que aconteceu?Enfermeiros e técnicos pedem para que fiquem em casa
Onde?Passo do Sobrado
Fonte da informaçãoRedação Gazeta Popular

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Fonte/OrigemApuração/Redação
Última atualização22/03/2021 às 14:53

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