Coisas da “Terceira Idade” -Breno Pires
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Falando por experiência própria – Parte II
* Gostei…
Da repercussão da coluna de semana passada.
Alguns leitores, com idade bastante próxima à minha, comentaram que ainda não se enxergam como “idosos” ou “terceira idade” ou mesmo velhos, mas que a partir de algumas observações que fiz começaram a ver-se nessa condição, e estão se obrigando a repensar alguns conceitos.
Um dos elementos mais destacados foi o de que a prática de esportes não era algo que a maioria dos idosos fazia naturalmente até certo tempo atrás. Como me disse um leitor: “_tu tem razão, realmente o pessoal mais antigo não praticava esporte na velhice…”. Verdade!
Mas têm outros fatores que a terceira idade nos apresenta, na maioria das vezes como desafio…
* Ainda sobre atividades físicas
Se tem uma situação que me incomoda muito nesses tempos atuais no que diz respeito à pratica de atividades físicas é a constante luta que tenho que travar contra a vontade de não me exercitar. Por enquanto eu avalio que esse conflito está equilibrado, mais ou menos em 50% para cada lado contendor: ao mesmo tempo em que em certas oportunidades salto da cama às cinco da matina para correr, lépido e faceiro, independentemente de frio, cerração ou umidade, ou ainda que pego a bike para acompanhar a turma nas quartas-feiras à noite, ou então que chego em casa depois de um dia de trabalho e me troco para ir na academia, existe um outro lado de “desmobilização” que me segura, amarra, cria obstáculos e pulveriza a vontade de me exercitar… Neste último caso o frio parece terrível, o fogão à lenha se torna extremamente apelativo, um esporte na tv exige minha atenção, um café mais demorado me prende na cadeira e, não raro, sucumbo a tais apelos e a inércia me domina.
Sei desse conflito, sei que preciso ser mais forte que a vontade de não praticar esportes, e sei, sem a menor dúvida, que esse equilíbrio tende a pender, cada vez mais, para o lado da acomodação, a final, a zona de conforto é isso mesmo, de conforto, e não é fácil na idade mais avançada deixa-la e encontrar um outro ponto de conforto nas atividades físicas, certo amigo leitor?
* E a alimentação?
Eis aí outro grande problema a ser equacionado quando começamos a nos tornar velhos, se não pela qualidade, então pela quantidade.
A prática de atividades físicas exige que tenhamos uma alimentação mais equilibrada, pois são os alimentos que fornecem energia para o corpo. O corpo é uma máquina, e com pouco combustível ou combustível de má qualidade não tem como apresentar um bom rendimento.
Mas no dia a dia a alimentação equilibrada também é um desafio.
Quanta coisa que até um certo tempo comíamos “feito bicho”, kkk, em quantidade, e agora já nos faz mal ou “não senta bem”?
Eu sempre tive uma alimentação “relativamente” equilibrada, e sempre fui conhecido por “mastigar muito e muito devagar” todos os alimentos que consumo. Sempre exigi um pouco de paciência àqueles que sentavam comigo à mesa (e não raro a paciência deles era digerida junto com seus alimentos, ahahahahah). Ainda assim muitas coisas que eu comia eu tento ou evitar ou diminuir as quantidades. Ah, descobri há pouco uma importante resistência à proteína do leite (não à lactose, que é coisa diferente…) que me obrigou a mudar completamente minha rotina alimentar, afinal, eu era um grande consumidor desse alimento. Pensa numa batalha que foi (outra hora conto os detalhes), mas que hoje, superada a “crise de ansiedade” e a “síndrome de abstinência láctea” (essa foi boa, ahahahah) já me apresentou uma nova realidade… Evito muito dos lácteos que eram meu deleite (desculpando o trocadilho, claro, ahahahahah).
Notei também que tenho comido menos, o que não significa que não tenha fome, claro.
* E a bebida?
Vale a mesma regra citada acima no que se refere à alimentação: mais comedimento, menos quantidades e a opção por bebidas de melhor qualidade. Sou adepto do princípio universal do “beba menos, beba melhor”.
Se tem uma coisa que me causa muito, mas muito medo, é a perspectiva de poder ter uma ressaca por excesso de bebida ou bebida ruim. Óbvio que ao beber menos, beber melhor ou evitar “misturanças”, o risco de uma ressaca diminui exponencialmente, mas às vezes a gente se empolga e esquece de hidratar o corpo veio enquanto se come e se bebe, daí, quando se começa a tomar água é por que o estrago já está feito, concorda comigo amigo leitor?
Também descobri que algumas bebidas, por melhores que sejam, se eu as consumir um pouquinho a mais da conta elas servem de gatilho para minha enxaqueca, então procuro sempre estar alerta. Mas é como eu disse acima: às vezes a gente se empolga, e depois se atrapalha… Certas empolgações da velhice são um risco, ahahahahahah…
* Uma questão social
Não é apenas no corpo e na mente que sofremos mudanças com a velhice. Nossas relações sociais também se modificam.
Uma das mudanças mais significativas que eu tenho notado, ao menos até agora, enquanto estou na faixa dos sessenta e poucos, é o sentimento de perda e saudades pela morte de entes queridos que fizeram parte de minha vida, de parentes com os quais convivi em tempos idos, e amigos que tive, muitos dos quais com a minha idade ou menos. O amigo leitor também nota objetivamente isso? Às vezes até a morte de um conhecido que nem era de nossas relações próximas, ou a de um ídolo ou “famoso”, nos causa também essa estranha sensação de “perda”.
Começamos a olhar para o lado, ou para trás, e ver que muitos que até há pouco nos acompanhavam nesse mundo já não estão mais ali. Isso às vezes me conforta, por ainda estar por aqui, mas às vezes me assusta… Também aqui a balança começa a perder seu equilíbrio…
* Pois é…
Essas reflexões que divido com o amigo leitor têm feito parte de minha vida, com cada vez mais frequência. O processo de envelhecimento é inexorável, então temos que nos preparar sim. O bom é que só envelhece quem está vivo.
E aprendi, pois que convivi muito com idosos (mais idosos do que eu, kkkk) nos últimos tempos: por mais que estejamos preparados para a velhice, nunca estaremos minimamente preparados.
Então vamos assim, vivendo (e envelhecendo) um dia depois do outro, como Deus quer, mas fazendo a nossa parte como Ele manda.
* Reitero o conselho de semana passada!
Incorporar a atividade física no dia a dia é um investimento valioso na sua saúde a longo prazo. Não se trata apenas de viver mais, mas de viver com mais qualidade, energia e disposição para aproveitar cada momento. Pequenas mudanças que podem fazer uma grande diferença, pois nós que estamos envelhecendo (me parece que a cada dia mais rápido) temos que nos preparar para o porvir. Os exemplos estão aí, para o bem e para o mal, e não se desenvolve um hábito de uma dia para outro.
Bom fim de semana e até à próxima, se Deus quiser.
PS: Parabéns colonos e motoristas, força no músculo que a pegada é forte. E domingo é o Dia do Motociclista: parabéns para nós também!!!
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