O político, o atleta e a boazuda (não necessariamente nesta ordem…)
* Como dito semana passada, estamos na época em que parecer ser e poder mostrar é mais importante do que realmente ser…
E na necessidade quase que imediata de se mostrar (se exibir, ser visto) as pessoas apelam para muitas facilidades abreviadoras de resultados, visto que ele, o resultado, passou a ser muito mais importante do que o processo para obtê-lo. Assim, se idealiza uma situação que se quer mostrar e, num passe de mágica ou milagre, transforma-se a realidade nessa situação “idealizada”. E pronto, já pode mostrar nas redes sociais (se eu sou o que estou mostrando ou não, bem, isso agora não é o mais importante).
* O atleta
No mundo dos esportes os casos em que atletas buscam “facilidades” para melhorar sua forma física e seu desempenho são muito comuns. E isso tanto para amadores quanto para profissionais.
De todos os facilitadores, o mais comum é o doping, definido como “uso de substâncias ou métodos proibidos, ilícitos ou artificiais para melhorar o desempenho físico, mental ou técnico de um atleta de forma desonesta; é uma prática que viola a ética esportiva, busca vantagens indevidas e permite alcançar resultados esportivos com maior eficiência”.
Quando o atleta é profissional ele até é submetido a um certo controle, pois em muitas competições a fiscalização é intensa; porém, o amador, esse não se submete a regramentos de provas em competições, então ele vai atrás dessas facilidades simplesmente para mostrar um desempenho que, não fosse os subterfúgios usados, não conseguiria.
Mas doping não é o único tipo de “facilidade” que se pode buscar no mundo dos esportes, pois como a ideia é mostrar mais do que realmente se é, vale tudo, de alterar dados e planilhas de treino e avaliação de rendimento (que são publicadas com valores alterados), até usar equipamentos especiais, como o caso dos ciclistas que postam seus desempenhos em grupos sociais de ciclistas, mas esquecem de mostrar que estão usando bicicleta assistida – elétrica, enquanto os outros usam bicicletas “comuns”, movidas apenas a pernas…). O objetivo disso? Mostrar-se melhor, mais forte e mais rápido que os demais…
* A boazuda
Segundo o dicionário on line, “boazuda é uma gíria usada para descrever uma mulher atraente, sensual e que se destaca pela beleza física ou por ter um corpo muito bonito; é um aumentativo informal da palavra “boa”, referindo-se a alguém com atributos físicos notáveis”.
Muitas mulheres, e muitos homens também (seriam os boazudos? kkk), vivem na eterna busca do corpo perfeito, sendo esse um conceito muito relativo de padrão de beleza socialmente aceito e reconhecido como “ideal” (assim, entre aspas). Na busca desse corpo, lançam mão também de muitos subterfúgios: cirurgias plásticas, uso de próteses e aplicação de produtos químicos, são apenas alguns desses facilitadores. De uma hora para outra o homem fica fortão, musculoso, definido e reluzente, e a mulher, para resumir as mudanças que apresenta, fica boazudona. Por que dispender tanto esforço para maneirar na comida e na bebida, ter que praticar atividades físicas, manter uma vida saudável e aceitar-se como se é, se se pode apelar para o pozinho de pirlimpimpim? E aí vem o melhor: feito isso o mais importante é se expor, se exibir com o corpão sarado e enxuto…
* O político
Para evitar-se escrever sobre o óbvio, uma pergunta amigo leitor: é realmente necessário discorrer aqui sobre as facilidades que o político lançará mão para poder obter os resultados pretendidos, aqui entendidos como eleição, reeleição, ocupação de cargos públicos, influência política e social, etc.? Acho que não, certo? E o raciocínio é o mesmo: ostentar e mostrar essa realidade idealizada que, não fossem as facilidades, seria apenas obtida com muito esforço, dedicação, disciplina e conhecimento.
* Pois é…
Me parece que no caso dos atletas, o problema principal ao buscar resultados através dessas “facilidades” é uma questão de caráter mesmo: querer ser melhor que os outros, com menos esforço; se isso ocorre nas atividades de competição, é crime ou infração, e eu não aceito; se é feito por amadores, está tudo bem, pois devem dar satisfação apenas a si próprios e suas consciências.
No caso de homens e mulheres que buscam o corpo considerado ideal, eu acho que o problema está muito mais na cabeça do que no corpo da pessoa, pois é uma questão de não aceitação do que vê no espelho; e está tudo bem também, pois cada um com seus problemas.
No caso dos políticos, o uso de “facilidades” objetiva substituir outros princípios de valor mais importante como competência, preparo para o exercício do cargo e responsabilidade, e isso não dá para aceitar, a uma, pois é questão de honestidade, e a duas, por que é do meu bolso que saem seus salários (que não são salários, mas subsídios) que os mantém. Daí devem ser responsabilizados. E punidos, se necessário.
Concorda comigo amigo leitor? Ou não?
Essa reflexão é interessante e não se esgota. Voltaremos!
Bom fim de semana e até à próxima, se Deus quiser.
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