Em uma semana extremamente rica de assuntos polêmicos e significativos a serem tratados, como as guerras no Oriente Médio, os escândalos envolvendo o banco Master e o INSS, as nebulosas que envolvem nossos três poderes e muito mais, escolhi aquele que, neste momento é o tema mais necessário, se não o mais importante de todos, para nossa realidade imediata.
Dia Internacional das Mulheres – 08 de Março
* As estatísticas.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública – FBSP, uma organização não-governamental (ONG), sem fins lucrativos e apartidária, referência na produção de dados e análises sobre violência e criminalidade no Brasil, que reúne especialistas, policiais, membros do Poder Judiciário e do Ministério Público e gestores para promover transparência, formulação de políticas baseadas em evidências e defesa dos direitos humanos, a violência contra a mulher no Brasil atingiu níveis recordes em 2025, com aumento nos feminicídios e crimes sexuais (dados publicados agora em 2026). E 2026 está se encaminhando para bater o nefasto recorde.
Duas estatísticas (sempre elas) para exemplificar e justificara nossas preocupações: em 2025 foram registradas 1568 vítimas de feminicídio no Brasil (isso equivale a uma média aproximada de 4 mulheres mortas por dia); em 2024, dados computados em 2025, o Brasil registrou 87.545 casos de estupro e estupro de vulnerável... Se considerarmos as estatísticas de violência psicológica, perseguição, importunação sexual, divulgação de cenas e imagens de caráter sexual sem autorização, a coisa assume um ar de absurdez.
Um dado que deve causar espanto também é que muitos dos feminicídios são sofridos por mulheres que estavam “protegidas” assim, entre aspas, por medidas protetivas, ou seja, os criminosos já estavam sob investigação policial e judicial, com restrições de direitos (que se mostraram insuficientes para garantir a segurança das mulheres).
* A data
Nesta data, 8 de Março, que deveria ser destinada a comemorações, a festas, a homenagens e celebrações, o foco e o ângulo de abordagem do assunto, pois que urgente, passa a ser de indignação, de vergonha, e também de discussão e de pedido de mobilização da sociedade em prol de alternativas que objetivem, o mais rápido possível, reverter tais números, pois, como dito, absurdos, indecentes e desumanos.
O 8 de Março pode sim ser uma data de comemorações, mas tem que ser mais, muito mais, tem que ser também uma data de luta, de esclarecimentos e de reivindicações. Está mais do que na hora de deixar de tratar os casos de violência contra as mulheres apenas como mais estatísticas da violência como um todo.
* Mas só indignação, esclarecimentos e mobilização não bastam
Exatamente! É preciso mais, muito mais.
O combate à violência contra a mulher exige uma abordagem multidisciplinar, tanto para medidas de curto prazo, quanto para de médio e longo prazos.
A título de exemplo apenas, dentre tantas necessidades, a curto prazo a denúncia rápida (ligue 180 ou 190) e a aplicação rigorosa da Lei Maria da Penha devem ser as prioridades. A médio prazo, deve-se fortalecer as redes de proteção à mulher, como as delegacias especializadas e as casas-abrigo e de acolhimento, oferecer apoio psicológico/econômico às vítimas e suas famílias, etc.. E a longo prazo, o principal elemento é a educação, (sempre ela, a base de tudo), educação sobre igualdade de gênero, sobre questões humanitárias, sobre ética, moral, bom senso, o respeito às diferenças… Tem que ser Educação, assim, com letra maiúscula, de uma forma geral, nas famílias, nas escolas, nas instituições sociais, pois que os resultados se farão sentir e poderemos vislumbrar a reversão de dados tão perversos. Concorda comigo, amigo leitor?
Essa reflexão é importante e necessária. E não se esgota. Voltaremos!
Bom fim de semana e até à próxima, se Deus quiser.
PS: diante do tema de hoje, até o GRENAL de domingo ficou desimportante; mas vai lá: o amigo leitor acredita em virada? Aposta um cafezinho?
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