O parecer e a superexposição…
* Antes uma ressalva: estamos na época em que não basta ver para crer…
Isso mesmo amigo leitor.
Contrariando todos os indicativos e princípios em que Tomé pôs à prova a sua fé, dizendo que “é preciso ver para crer”, no caso, ver nosso amigo JC e tocar em seus ferimentos pós crucificação (está em João 20:25) para acreditar na ressurreição, nosso mundo passa por um momento de questionamento de realidade em que a máxima, ver para crer, já não se basta ou não se sustenta.
Se até algum tempo era necessário ver para crer, hoje em dia isso já não é regra! Tem-se que ver, pesquisar e informar-se se o que se viu é real, e daí, somente materializada nossa convicção pós relativa e criteriosa investigação, crer. Quem apenas crer no que viu é um sério candidato a comprar gato por lebre. Concorda comigo?
Mas não é só!
* Não basta mais ser, nem mais parecer. Tem que mostrar…
Da mesma forma, atualmente já não nos basta ser e, quiçá parecer, como noutrora bastava. Hoje em dia além de ser e ter, tem-se que mostrar. E as redes sociais estão aí para comprovar minha tese.
Certa época era importante ter. Quem tinha (desculpando a cacofonia) se bastava, pois tinha e isso era o suficiente; com o passar do tempo tornou-se importante ter e parecer que tem, pois só o ter não era significativo; recentemente, invertendo-se aquela lógica inicial, o importante passou a ser parecer que tem, e daí que a inversão dos valores dá conta de que o parecer ter é mais importante do que realmente ter; e agora, mais imprescindível do que tudo é mostrar que se parece ter (mesmo que não se tenha, ou nem mesmo se pareça ter, pois, como dito, o fundamental é mostrar…). Mostrar é uma forma de confirmar o parecer ter (isso, mesmo que não se parece ter e, muito menos, que se tenha…). Mostro, logo, tenho… Apareço, logo, existo…
As pessoas querem estar na vitrine, se mostrando, aparentando, se exibindo… O importante é que os outros nos vejam… E de preferência nos admirem e nos invejem…
Interessante é que muitos (incautos) acreditam nessas “aparências” apresentadas como “verdadeiras” e frequentemente mostradas, e nem se quer dão-se ao trabalho de considerar a hipótese de que o que se está vendo seja apenas fachada, vitrine, um mundo idealizado que, não raro, está distante da realidade (assunto para outro momento).
Vende-se uma aparência, apela-se para que todos acreditem e fica-se bravo quando as desconfianças apontam para a hipótese, mesmo que mínima, de a fachada ser apenas isso, fachada…
Outro efeito: a privacidade está se tornando pública, e as implicações desse fenômeno são incomensuráveis… (também é assunto para outro momento).
* Eu também me exponho
Por que estou escrevendo sobre isso se eu também me exponho?
Pois é… Como dito, também costumo me expor, basta ver minhas redes sociais; exponho em especial meus momentos individuais de esportes, laser, trabalho… E daí que veio a constatação: bastou eu ficar trinta dias sem postar nas redes sociais, ou registrar minha rotina de treinos e corridas, para que abundassem as perguntas e preocupações: tu não está treinando? Tu está machucado? Abandonou as atividades físicas? Nunca mais te vimos? O que aconteceu? Dá sinal de vidaaaaa…..kkk
Não é por que não estou me expondo, ou publicando, que eu não estou fazendo, certo? A vida continua apesar da não-exposição. OU não?
Essa reflexão é interessante, não concorda amigo leitor? Hein? Hã? Voltaremos.
Bom fim de semana e até à próxima, se Deus quiser.
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