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sábado, 01 de agosto de 2026   Vale do Rio Pardo Indicadores atualizados Edição Digital
Tabaco

Amprotabaco cobra reação do governo ao tarifaço sobre o tabaco

Entidade estima perdas de até US$ 100 milhões nas exportações e pede que o governo federal negocie a inclusão do produto brasileiro na lista de exceções dos Estados Unidos

A Associação dos Municípios Produtores de Tabaco (Amprotabaco) cobrou uma reação imediata do governo federal diante da tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros. Em vigor desde 22 de julho, a medida alcança cerca de 3 mil itens, entre eles o tabaco, e eleva a preocupação de produtores, indústrias e municípios ligados à cadeia produtiva.

A entidade manifestou apoio ao ofício encaminhado pelo Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) e pela Associação Brasileira da Indústria do Fumo (Abifumo) ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). As organizações solicitam que o governo brasileiro intensifique as negociações para incluir o tabaco entre as exceções à sobretaxa norte-americana.

Segundo estimativas apresentadas pelo setor, a manutenção da tarifa poderá provocar uma perda de aproximadamente US$ 100 milhões nas exportações brasileiras. O impacto não ficaria restrito à balança comercial: também poderia atingir a renda dos agricultores, os empregos nas indústrias, o comércio, os prestadores de serviços e a arrecadação dos municípios produtores.

Exportações já registram retração

Os números apresentados pelas entidades indicam que as vendas de tabaco brasileiro aos Estados Unidos já vinham diminuindo antes mesmo da entrada em vigor da nova tarifa. Em 2025, os embarques para o mercado norte-americano somaram US$ 195,3 milhões, recuo de 23,4% em relação ao ano anterior.

No primeiro semestre de 2026, as exportações totalizaram US$ 88,8 milhões, queda de 31% na comparação com o mesmo período de 2025. Considerando todos os destinos, o setor encerrou os primeiros seis meses do ano com redução de 15% no volume embarcado e de 21% no valor exportado. Em 2025, o Brasil havia alcançado o recorde de aproximadamente US$ 3,4 bilhões nas vendas externas de tabaco, segundo informações apresentadas na Câmara Setorial da cadeia produtiva.

A retração é atribuída, entre outros fatores, ao aumento da oferta mundial e à queda dos preços internacionais. A entrada da nova sobretaxa adiciona pressão a um mercado que já vinha enfrentando perda de valor e redução nos embarques.

Reflexos sobre os municípios

Presidente da Amprotabaco e prefeito de Vera Cruz, Gilson Becker afirma que uma eventual diminuição das exportações terá reflexos diretos nos municípios cuja economia depende da produção, do beneficiamento e da comercialização do tabaco.

“Não estamos tratando apenas de números da balança comercial. Estamos falando da renda de milhares de famílias, da manutenção de empregos, do movimento das empresas e do comércio e da capacidade financeira dos municípios para investir em saúde, educação, infraestrutura e atendimento à população. Quando o tabaco perde espaço no mercado internacional, toda a economia regional sente os efeitos”, declara.

A cadeia produtiva tem forte presença em pequenas propriedades rurais, especialmente nos três estados do Sul. Por isso, conforme a associação, uma redução na demanda internacional pode atingir desde os agricultores e trabalhadores das indústrias até transportadores, fornecedores e estabelecimentos comerciais.

Concorrentes podem ocupar espaço

Outro ponto levantado pela Amprotabaco é o risco de importadores norte-americanos substituírem o produto brasileiro pelo tabaco cultivado em países concorrentes, como Zimbábue e Malaui. A preocupação envolve principalmente o Burley, variedade que possui participação importante nas vendas ao mercado dos Estados Unidos.

A eventual transferência de contratos para outros fornecedores poderá gerar efeitos mais duradouros. Mesmo que a tarifa seja revista posteriormente, o setor teme que seja difícil recuperar clientes e espaços comerciais ocupados pelos concorrentes.

A associação também questiona o fato de o tabaco ter permanecido sujeito à cobrança, enquanto outros produtos brasileiros foram incluídos nas exceções anunciadas pelo governo norte-americano.

Entidade pede atuação do Mdic

Diante desse cenário, a Amprotabaco solicita que o Mdic, em conjunto com o Ministério das Relações Exteriores, intensifique as negociações comerciais e diplomáticas com os Estados Unidos. O objetivo é retirar o tabaco brasileiro da relação de mercadorias alcançadas pela tarifa adicional.

“É necessária uma atuação firme, coordenada e urgente. A Amprotabaco estará junto nesta caminhada, ampliando o diálogo institucional e defendendo que os municípios produtores sejam considerados em todas as decisões que possam afetar a sustentabilidade econômica e social de nossas comunidades”, acrescenta Becker.

A tarifa adicional norte-americana começou a ser cobrada em 22 de julho e atinge, além do tabaco, segmentos como açúcar, etanol, madeira e calçados. O governo brasileiro contesta a medida e busca ampliar o número de produtos excluídos da cobrança.

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Tipo de conteúdo Notícia
Fonte/Origem Apuração/Redação
Autor Gazeta Popular
Atualização 31/07/2026 às 18:07
Categoria Tabaco
Leitura 4 min
Extensão 782 palavras
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Entenda o caso

O que aconteceu?Amprotabaco cobra reação do governo ao tarifaço sobre o tabaco
Onde?Vera Cruz
Fonte da informaçãoRedação Gazeta Popular

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Fonte/OrigemApuração/Redação
Última atualização31/07/2026 às 18:07

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