O Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) e a Associação Brasileira da Indústria do Fumo (Abifumo) encaminharam, nesta sexta-feira (24), uma carta ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), solicitando que o governo brasileiro atue para incluir o tabaco na lista de exceções à tarifa adicional imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O documento foi enviado após audiência realizada no dia 22 de julho, na qual o setor apresentou os impactos da medida e propostas para sua mitigação.
Na carta, as entidades destacam a relevância econômica e social da cadeia produtiva do tabaco, presente em mais de 525 municípios brasileiros e responsável pela geração de renda para mais de 600 mil pessoas no meio rural. As entidades ressaltam que os Estados Unidos eram, historicamente, o terceiro maior destino das exportações brasileiras de tabaco, respondendo por cerca de 9% dos embarques do setor. No entanto, essa participação caiu para 6% em 2025.
Segundo dados do MDIC/Secex apresentados no documento, as exportações para o mercado norte-americano totalizaram US$ 195,3 milhões em 2025, uma redução de 23,4% em relação ao ano anterior. No primeiro semestre de 2026, os embarques somaram US$ 88,8 milhões, queda de 31% na comparação com o mesmo período de 2025.
A carta também chama atenção para o fato de que outros produtos do agronegócio brasileiro, como carne bovina, café, laranja, mel orgânico, castanhas e celulose, foram contemplados na lista de exceções à tarifa adicional divulgada pelos Estados Unidos, enquanto o tabaco permaneceu sujeito à sobretaxa. Para o setor, essa diferenciação coloca o produto brasileiro em desvantagem competitiva frente a outros exportadores.
Segundo o documento, caso as tarifas sejam mantidas, compradores norte-americanos deverão buscar fornecedores de outras origens, principalmente de países africanos, como Zimbábue e Malaui, que vêm ampliando significativamente sua produção. Segundo estimativa do setor, o Brasil poderá perder aproximadamente US$ 100 milhões em exportações. A grande preocupação é que a menor demanda provoque redução da produção nacional, especialmente do tabaco Burley, variedade que possui mercado internacional mais concentrado nos Estados Unidos e poucas alternativas de comercialização. Esse cenário deve impactar fortemente centenas de pequenos produtores rurais que têm na produção desse tipo de tabaco sua principal fonte de renda.
Além dos impactos sobre emprego e produção, a redução da atividade econômica afetaria a arrecadação dos municípios produtores, tanto pela redução da atividade econômica local quanto pela diminuição da arrecadação de tributos, comprometendo investimentos públicos em regiões cuja economia depende fortemente da cadeia produtiva do tabaco.
No ofício, o SindiTabaco e a Abifumo solicitam formalmente a inclusão de todo o Capítulo 24 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), que engloba o tabaco e seus produtos, na lista de exceções à tarifa adicional dos Estados Unidos. As entidades reforçam que permanecem à disposição do governo federal para contribuir tecnicamente na busca por uma solução que preserve a competitividade das exportações brasileiras e minimize os impactos econômicos e sociais da medida.
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