O Dia dos Pais, celebrado em 9 de agosto de 2026, deve abrir uma importante oportunidade de vendas para o comércio do Rio Grande do Sul. Pesquisa da Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado (Fecomércio-RS) mostra que 60,3% dos consumidores gaúchos pretendem comprar presentes, com gasto pessoal médio estimado em R$ 231,60.
O levantamento, o primeiro realizado pela entidade especificamente sobre a data, ouviu 639 pessoas nas principais cidades das regiões intermediárias do Estado. Entre os participantes, 385 manifestaram intenção de presentear. Os números apontam um cenário favorável para o varejo, embora parte do crescimento esperado nos valores gastos esteja relacionada à inflação.
No Vale do Rio Pardo, o Sindicato do Comércio Varejista de Santa Cruz do Sul e Região (Sindilojas-VRP) avalia que a data poderá beneficiar diferentes segmentos. Além das lojas de roupas, calçados, perfumes e acessórios, a movimentação deve alcançar restaurantes, serviços, mercados e outros estabelecimentos ligados às comemorações familiares.
Para o presidente da entidade, Mauro Spode, o Dia dos Pais chega em um período estratégico, marcado pela proximidade da troca de estações e por uma redução natural no ritmo de alguns setores do varejo.
“O Dia dos Pais é uma ocasião importante para o comércio e chega em um momento no qual cada oportunidade de venda precisa ser bem aproveitada”, afirma. Conforme Spode, os estabelecimentos regionais estão preparados para oferecer variedade, condições de pagamento e atendimento próximo aos clientes.
Roupas lideram as escolhas
O vestuário aparece como a principal opção de presente, mencionado por 49,6% dos entrevistados que pretendem comprar. Em seguida estão os perfumes, com 17,7%, e os calçados, escolhidos por 12,5%.
Embora o gasto total médio por consumidor seja de R$ 231,60, o preço médio de cada presente deve ficar em R$ 194,53. A diferença ocorre porque parte dos entrevistados pretende adquirir mais de um item.
As mulheres projetam desembolso médio de R$ 239,11, enquanto entre os homens a previsão é de R$ 218,31. A maioria dos presentes será destinada aos próprios pais, citados por 67,3% dos consumidores. Os esposos aparecem na segunda posição, com 22,6%.
Quase nove em cada dez entrevistados, o equivalente a 89,4%, pretendem oferecer presentes individuais, em vez de dividir a compra com outros familiares.
Compras devem ficar para a última semana
A maior movimentação no comércio deverá ocorrer perto da data comemorativa. Segundo a pesquisa, 47% dos consumidores planejam comprar poucos dias antes do Dia dos Pais, enquanto 30,4% pretendem procurar o presente durante a semana anterior.
Somados, esses dois grupos representam 77,4% das intenções de compra. A concentração exige atenção dos comerciantes para evitar falta de mercadorias e dificuldades no atendimento justamente no período de maior procura.
A orientação é reforçar previamente os estoques dos produtos mais procurados, organizar escalas de trabalho, preparar vitrines e divulgar com clareza preços, promoções, horários e condições de pagamento. Canais digitais, como redes sociais e aplicativos de mensagens, também podem ser empregados para apresentar sugestões e facilitar o contato com os consumidores.
Pix será a principal forma de pagamento
O Pix deverá liderar os meios de pagamento, escolhido por 40,5% dos entrevistados. O cartão de crédito parcelado aparece em segundo lugar, com 21%, seguido pelo dinheiro, com 19%.
O resultado indica a importância de os estabelecimentos oferecerem diferentes possibilidades de pagamento. Ao mesmo tempo que uma parcela busca a rapidez das transferências instantâneas, outra depende do parcelamento para adequar o presente ao orçamento familiar.
Preço e ofertas serão os principais fatores considerados na definição do local da compra, citados por 43,1% dos consumidores. A qualidade dos produtos aparece logo depois, com 40%, enquanto o atendimento foi mencionado por 24,4%.
Para Spode, os dados mostram que a disputa pelo cliente não deve se limitar ao preço. Confiança no estabelecimento, facilidade de pagamento, qualidade, disponibilidade dos produtos e experiência de compra também podem influenciar a decisão.
Lojas dos centros mantêm preferência
Apesar do avanço das vendas pela internet, as lojas localizadas nos centros das cidades continuam sendo o principal destino dos consumidores. Elas foram apontadas por 59,2% dos entrevistados.
O comércio eletrônico concentra 21,3% das intenções, enquanto os shopping centers aparecem com 15,8%. A pesquisa revelou ainda que 40% dos compradores já sabem em qual estabelecimento pretendem adquirir o presente e 30,9% planejam retornar à mesma loja utilizada no ano passado.
Os resultados demonstram o peso da fidelização. Para o varejo regional, manter relacionamento com os clientes e divulgar antecipadamente as opções disponíveis pode ser decisivo para que a compra seja realizada no próprio município.
Maioria manterá os gastos de 2025
Na comparação com o último Dia dos Pais, 56,1% dos consumidores pretendem manter aproximadamente o mesmo nível de despesas. Outros 30,2% estimam gastar mais, enquanto 13,8% planejam reduzir o desembolso.
Entre aqueles que projetam aumento, 48,9% relacionam a mudança à inflação. Isso significa que uma eventual elevação nominal do faturamento não representa necessariamente crescimento na quantidade de produtos vendidos.
O presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEP, Luiz Carlos Bohn, avalia que existe disposição para presentear, mas alerta que o varejo enfrenta um cenário de acomodação das vendas. Para ele, campanhas específicas e uma comunicação clara são fundamentais para colocar os estabeleci
mentos no radar dos consumidores.
Celebrações devem ocorrer em casa
Além dos presentes, o Dia dos Pais deverá ser marcado pela convivência familiar. A pesquisa aponta que 65,2% dos entrevistados pretendem participar de alguma comemoração especial.
Entre esses consumidores, 81,7% planejam realizar almoço ou jantar em casa. Outros 16,7% pretendem comemorar em restaurantes, criando expectativa de movimento também nos setores de alimentação e serviços.
No Vale do Rio Pardo, o Sindilojas-VRP destaca que a preferência pelo comércio físico representa uma oportunidade para manter recursos circulando na região. As compras realizadas nas cidades beneficiam não apenas os estabelecimentos, mas também trabalhadores, fornecedores, prestadores de serviços e a arrecadação dos municípios.
A expectativa, portanto, é de movimento crescente até o fim de semana da comemoração, especialmente nas lojas de vestuário, perfumaria e calçados. O desempenho efetivo dependerá da capacidade dos estabelecimentos de combinar preço competitivo, estoque adequado, divulgação, formas variadas de pagamento e atendimento qualificado.
Com informações da Fecomércio-RS e do Sindilojas-VRP.
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