Entre os 138 mil produtores do Sul do Brasil está o jovem casal Anderson e Ingrid Ukacheski Rebinski, do município de Ivaí, no Paraná. A atuação deles na agricultura familiar é compartilhada nas redes sociais, nas páginas “Casal Colono” e “Fumicultores do Brasil”.
Na propriedade da família, onde também vivem os irmãos de Anderson – Pedro e Sérgio Rebinski -, o tabaco é a principal fonte de renda, com 175 mil pés plantados. Além dele, cultivam milho e hortaliças e mantêm criação de gado, aves e suínos. Com duas residências, o trabalho da família é realizado em conjunto, inclusive as refeições e os momentos de lazer.
“Hoje, quando perguntam por que plantamos tabaco, eu simplesmente respondo que, se hoje temos uma qualidade de vida boa, é tudo graças ao fumo”, diz Anderson. “Tanto eu quanto a Ingrid aprendemos a valorizar a cultura desde pequenos, afinal, minha família planta tabaco desde que eu tinha 10 anos, e a família da Ingrid, muito antes de ela nascer”, completa Rebinski. “Eu me lembro muito bem das dificuldades que tínhamos antes do tabaco, as contas nunca fechavam e meu pai vivia sempre preocupado com isso”, recorda.
Atualmente, com uma propriedade bem equipada, maquinários modernos, automóveis e casas confortáveis, o casal lembra que tudo foi obtido graças ao tabaco. “Não existe outra cultura que te dê a rentabilidade que o tabaco dá na pequena propriedade, principalmente em uma terra como a nossa, onde o chão é muito ‘dobrado’”, explica.
As novas tecnologias aplicadas também contribuíram com o sucesso da família Rebinski. “No início, quando a minha família começou o plantio de tabaco, demorávamos três dias para fazer uma estufada. Hoje temos três estufas de folha solta, que conseguimos encher em um dia”, explica, lembrando que o trabalho braçal e o uso de animais de tração foram substituídos por máquinas e equipamentos.
“O melhoramento genético é outro ponto de evolução, pois meu pai usava variedades que produziam de 120 a 130 gramas por pé, e hoje existem as que dão mais de 250 gramas”, diz. “Isso sem contar todas as outras inovações que estão chegando para ajudar o produtor, trazendo não só mais facilidade, mas também qualidade de vida”, completa Ingrid.
Ganhos do produtor
Os dados da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) revelam que a receita total dos produtores da safra 2024/2025 foi de R$ 24,3 bilhões, com aumento de R$ 2,3 bilhões (16,15%) em relação ao ciclo anterior. Desse montante, R$ 14,17 bilhões vieram exclusivamente da produção de tabaco, o que representa 58,3% da renda total das propriedades. Na safra anterior, a cultura já respondia por 56,3% da renda, com receita de R$ 11,78 bilhões.
As pesquisas realizadas em 2016 e 2023 pelo Centro de Estudos e Pesquisas em Administração da UFRGS atestaram a superioridade econômica dos produtores de tabaco, pois quem produz as folhas tem renda bem superior à média do trabalhador brasileiro. Cerca de 80% dos produtores de tabaco no Sul do Brasil se enquadram nas classes socioeconômicas A e B, enquanto a média geral brasileira nesses estratos não chega a 25%. O melhor padrão social dos produtores de tabaco é percebido também na base da pirâmide: apenas 19,6% estão nos estratos C e D, realidade de quase 76% da população brasileira.
Em relação à renda por hectare, a produção de tabaco chega a ser 700% maior do que a de outras culturas. Um levantamento da Afubra, com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mostra que o rendimento obtido pelo produtor por hectare de tabaco é de R$ 47.018,94. Na comparação com outras culturas, fica evidente a superioridade da renda: a soja rende R$ 5.986,11 por hectare e o milho, R$ 7.059,53. Para conseguir renda semelhante à obtida em um hectare de tabaco, o produtor precisaria de 7,85 hectares de soja ou 6,66 hectares de milho.
Dia do Produtor de Tabaco
O Dia do Produtor de Tabaco, celebrado em 28 de outubro, foi instituído em 2012, durante uma assembleia da Associação Internacional dos Produtores de Tabaco. O objetivo é homenagear o trabalho dos produtores e destacar a importância do tabaco para a economia, especialmente na região Sul do Brasil.
AS LEIS – No Rio Grande do Sul, o Dia Estadual do Produtor de Tabaco foi instituído pela lei estadual Lei nº 14.208, de 6 de março de 2013. Em Santa Catarina a celebração foi oficializada pela Lei nº 16.114, de 11 de setembro de 2013. E no Paraná, a data foi instituída pela Lei Estadual nº 17.729, de 2013.
Transparência editorial
Informações sobre a produção, autoria e atualização desta publicação.
- Autoria identificada
- Data de atualização visível
- Política editorial pública
- Canal de correção disponível
Entenda o caso
Transparência editorial
O Gazeta Popular mantém páginas públicas de referência editorial para facilitar a identificação da equipe, critérios de publicação e canais de contato.

