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sexta-feira, 18 de setembro de 2026   Vale do Rio Pardo Indicadores atualizados Edição Digital
Opinião

Quis custodiet ipsos custodes?

Por Breno Pires

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Quis custodiet ipsos custodes?

 

Na situação no STF – Supremo Tribunal Federal, quando a gente acha que já viu de tudo, se dá conta de que não viu foi é nada! Pode conter conteúdo sintético.

* Circo dos horrores

A sessão do STF esta semana, que objetivava definir se seria aberto expediente para autorizar a investigação do ministro (assim, com letra minúscula) Alexandre de Morais, foi verdadeiramente isso: um circo dos horrores. E essa denominação é bastante interessante.

Historicamente, a expressão circo dos horrores referia-se a espetáculos públicos  populares dos séculos XIX e XX que exibiam pessoas com anomalias físicas, mutações genéticas ou condições médicas raras.

Pois bem, assistindo-se às manifestações da referia sessão, era essa a impressão que se tinha: os membros a maior instância do Poder Judiciário brasileiro apresentando-se como pessoas que possuíam anomalias (de caráter, de ética e de moral), mutações (de personalidade) e condições médicas raras (cara-de-pausismo e sem-vergonhice congênita). Uma vergonheira!

* Teatro do absurdo

Além de poder ter sido classificada como circo dos horrores, tal sessão poderia ter sido identificada, também, e apenas para manter-se no mundo das artes, como o teatro do absurdo, uma designação criada em 1961 para agrupar obras teatrais que retratavam a falta de sentido da existência humana no pós-guerra (Segunda Guerra Mundial).

Segundo uma sumária pesquisa no Dr. Google, aquele que tudo sabe, as principais características dessas peças teatrais do teatro do absurdo são Incomunicabilidade, pois que os personagens falam muito, mas os diálogos são fragmentados, repetitivos e vazios; falta de lógica, visto que as tramas não seguem uma estrutura linear clássica de começo, meio e fim, muitas vezes terminando como começaram (trama circular); e tragicomédia, uma vez que mistura humor desconfortável com angústia e desespero diante da condição humana. E daí, é ou não é o que se viu na terça-feira “histórica”?

* E como não existe mal que não possa piorar…

Uma coisa é o Alexandre de Morais, acuado e sem ter como explicar de forma minimamente razoável sua relação com o mafioso, adotar o princípio do jus sperniandi, ou direito de espernear, e querer cair atirando, levando mais gente para a vala do barro orgânico onde se encontra; outra coisa são seus apoiadores, esquecendo-se que antes de tudo representam o órgão máximo de um dos poderes do Estado Democrático de Direito, esquecerem que antes de um posicionamento classista, eles devem se ater aos princípios fundamentais de seu mister. E a vergonheira só aumentando. Mas nada supera a da manifestação do decano do STF.

* É tão absurdo que ninguém se deu conta que é indecoroso?

A manifestação do ministro (também com letra minúscula) Gilmar Mendes, mostra bem o que são as pessoas que ocupam hoje cargo no STF e o tipo de constituição ética e moral que as caracterizam.

Segundo esse ministro, “não se deve expor colegas, mesmo que estejam envolvidos” (em tramoias) … Como assim? Então se algum ministro do SFT estiver envolvido em alguma prática “não-republicana” (para não dizer criminosa) ele não deve “ser exposto”? A apuração de responsabilidades e julgamentos de seus pares devem ser secretos só por que é ministro do STF?

Sei que vão dizer que este argumento, como o apresentei, está descontextualizado, mas a mim soou como (mais uma) desavergonhada alegação de que “o que vale para o cidadão comum, não vale para nós”, ou de que “devemos nos proteger, custe o que custar” … E o pior é que ele ainda completou: “até a máfia tem ética” … Gente, onde estão nossos políticos para demostrar contundente irresignação contra essa argumentação imoral e cobrar urgentemente explicações? Ahahahahah, esses não vão aparecer, pois que é como diz o ditado: quem tem medo, aperta, ahahahahahhahaha.

Com a argumentação proferida, o ministro Gilmar Mendes esqueceu-se do elementar princípio do servidor público: à mulher de Cezar, não basta ser honesta, tem que parecer honesta…

Então eu reitero a pergunta inicial: quis custodiet ipsos custodes? Mas sobre essa questão só digo uma coisa: voltaremos!

Bom fim de semana e parabéns a nós, gaúchos e gaúchas de todas as querências. Até à próxima, se Deus quiser.

Salve o 20 de Setembro!

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Tipo de conteúdo Opinião
Fonte/Origem Colunista/Opinião
Autor Breno Pires
Atualização 18/09/2026 às 11:23
Categoria Opinião
Leitura 4 min
Extensão 767 palavras
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Entenda o caso

O que aconteceu?Quis custodiet ipsos custodes?
Onde?Local não informado
Fonte da informaçãoRedação Gazeta Popular

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Última atualização18/09/2026 às 11:23

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