Vozes que ajudaram a construir Vale Verde começam a ganhar lugar na história
Por trás de cada lei aprovada, de cada pedido encaminhado e de cada decisão tomada na Câmara de Vereadores existem histórias que raramente aparecem nos documentos oficiais. São lembranças de campanhas feitas…

Essas memórias estão sendo reunidas pelo projeto “Heranças do Tempo — Memórias do Legislativo de Vale Verde”, desenvolvido pelo Jornal Gazeta Popular em parceria com a Câmara Municipal de Vereadores. A iniciativa busca registrar a trajetória das pessoas que exerceram mandato no Legislativo desde os primeiros anos do município.
Mais do que relacionar nomes, partidos, votações e períodos de mandato, o trabalho procura revelar quem eram esses representantes, de onde vieram, como ingressaram na vida pública e quais acontecimentos marcaram sua passagem pela Câmara.
A entrega do projeto está prevista para novembro de 2026.

Ricardo Froemming— Gazeta Popular
Uma história contada por quem a viveu
As entrevistas já realizadas começam a revelar um município construído em meio a desafios, expectativas e forte participação comunitária. Em muitos casos, os relatos mostram um tempo em que as reivindicações chegavam aos vereadores por meio de conversas nas estradas, visitas às residências, encontros em salões comunitários e reuniões nas localidades do interior.
São histórias que ajudam a compreender não apenas o funcionamento da Câmara, mas também as transformações vividas por Vale Verde ao longo das últimas décadas.
Um dos primeiros entrevistados foi Ricardo Froemming, que exerceu mandatos no Legislativo entre 2000 e 2012 e presidiu a Câmara em 2008. Sua trajetória atravessa diferentes momentos da organização política do município e, posteriormente, também chegou ao Poder Executivo.
Ao recordar sua experiência, Froemming destacou a importância do diálogo e da busca por soluções conjuntas para as comunidades.
“Busque sempre o melhor para a sua comunidade e mantenha um bom diálogo com a administração e com todos os órgãos públicos.”
A declaração resume uma característica que aparece em diferentes depoimentos: a proximidade entre o representante e a população, especialmente em um município pequeno, onde as demandas públicas frequentemente possuem nome, endereço e uma história conhecida por todos.

Jucimar Dutra — Gazeta Popular
Uma das mulheres na primeira Câmara de Vale Verde
Entre as trajetórias resgatadas pelo projeto está a de Jucimar de Fátima da Silva Dutra, conhecida como Jucimar Dutra. Sua história pessoal e política se confunde com os primeiros passos do município recém-emancipado.
Ligada à agricultura, ao comércio e às atividades comunitárias, Jucimar participou de entidades como o Clube de Mães Nossa Senhora do Rosário, a Igreja Católica e o CTG Estância do Monte Alegre. Também acompanhou a mobilização pela emancipação de Vale Verde antes de ingressar na política partidária.
Eleita em 1996, integrou a primeira legislatura da Câmara Municipal, entre 1997 e 2000, ao lado de Elisa Weber Severo, compondo a primeira representação feminina do Legislativo vale-verdense.
Naquele período, não existia uma estrutura legislativa consolidada. Os primeiros vereadores precisaram participar da organização das bases institucionais da Câmara, da elaboração das normas locais e do acompanhamento da implantação dos serviços de um município que começava a caminhar com autonomia.
Jucimar foi primeira-secretária da Mesa Diretora em 1998 e, anos depois, chegou à presidência da Câmara, em 2011. Também exerceu atividades no serviço público, incluindo funções na área da assistência social e da saúde.
Ao recordar sua passagem pelo Legislativo, ela destacou que um dos desafios foi compreender e administrar as diferenças existentes dentro da vida pública:
“A maior dificuldade foi saber lidar e entender as divergências da política.”
O relato abre uma janela para os bastidores da primeira Câmara de Vale Verde. Como eram tomadas as decisões quando praticamente tudo ainda precisava ser organizado? Quais conflitos surgiram durante a construção das primeiras normas? Como as mulheres conquistaram espaço em um ambiente político historicamente ocupado por homens?
Essas e outras respostas integram o material que está sendo preparado pelo projeto.
Fotografias e documentos que voltam a falar
Durante as entrevistas, os participantes são convidados a apresentar fotografias, diplomas, recortes de jornais, materiais de campanha, documentos e outros registros guardados pelas famílias.
Muitos desses materiais permaneceram durante anos em gavetas e álbuns particulares. Reunidos e identificados, passam a ajudar na reconstrução de acontecimentos que não ficaram registrados em atas ou nos arquivos digitais.
Uma fotografia pode revelar quem participou de uma solenidade. Um antigo santinho eleitoral pode mostrar como eram realizadas as campanhas. Um recorte de jornal pode recuperar uma obra, uma reivindicação ou um debate que marcou determinada legislatura.
É justamente nessa união entre memória oral e documentação que o projeto ganha profundidade. Os depoimentos apresentam a experiência pessoal de quem viveu os acontecimentos, enquanto documentos e fontes públicas auxiliam na conferência de datas, mandatos, eleições e fatos históricos.
Muito além das disputas políticas
O projeto adota uma abordagem histórica, jornalística e documental, sem finalidade de promoção pessoal ou partidária. A proposta é assegurar tratamento equilibrado aos biografados e preservar diferentes perspectivas sobre a construção do município.
As biografias abordam a origem familiar, a formação, a profissão, a participação comunitária, o ingresso na política, as eleições disputadas, os mandatos exercidos e as principais lembranças de cada entrevistado.
O conteúdo também permitirá observar como o papel do vereador mudou com o passar dos anos, quais reivindicações atravessaram diferentes legislaturas e quais preocupações permanecem presentes na vida da população.
Um patrimônio para as próximas gerações
O resultado deverá reunir biografias, linhas do tempo, fotografias, documentos, depoimentos e informações sobre as legislaturas de Vale Verde. A previsão inclui publicação digital, série jornalística e material institucional destinado à preservação do acervo histórico.
Entretanto, parte do que está sendo revelado permanecerá reservada até a apresentação final. Há lembranças de campanhas, dificuldades enfrentadas nos primeiros anos do município, decisões tomadas em momentos importantes e episódios pouco conhecidos pelo público.
Algumas histórias despertam orgulho. Outras provocam reflexão. Muitas mostram que decisões aparentemente simples ajudaram a transformar a vida das comunidades.
Até novembro, novas entrevistas, documentos e fotografias deverão ampliar esse mosaico. Quando todas essas peças forem reunidas, Vale Verde poderá conhecer não apenas quem ocupou as cadeiras do Legislativo, mas também as pessoas, os desafios e as histórias que existiram por trás de cada mandato.
Porque o tempo passa, os mandatos terminam e as gerações se renovam — mas a história de uma comunidade precisa permanecer.
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