A entrega da pavimentação da Estrada Willy Moraes, na localidade de Capela dos Cunha, interior de Santa Cruz do Sul, foi marcada por um discurso firme e direto do prefeito Sérgio Ivan Moraes. Durante o ato, ele destacou os desafios financeiros enfrentados pelas prefeituras e defendeu a necessidade de responsabilidade compartilhada para a continuidade da obra em direção ao município de Passo do Sobrado.
Diante da comunidade, lideranças e imprensa, o prefeito não poupou palavras ao abordar o alto custo da pavimentação e as limitações orçamentárias dos municípios.
“Todos nós queremos levar asfalto para todos os lugares. Mas isso custa muito dinheiro. Não é pouco dinheiro”, afirmou, ao revelar que o investimento no trecho entregue ultrapassa os R$ 8,5 milhões.
Em tom didático, Moraes comparou a gestão pública com a realidade das famílias. “Tem gente que acha que dá para resolver com pouco, mas não resolve. Uma obra dessas não começa nem com rifa. É um valor muito alto”, enfatizou.
“Não dá para fazer tudo em um só lugar”
O prefeito também reforçou que a administração precisa distribuir os investimentos entre diferentes comunidades, evitando concentrar recursos em apenas uma região.
“Como na casa de vocês, são muitos filhos. Lá no Paredão estão esperando obra, no Cerro Alegre Alto também, na Reserva dos Kroth também. A gente vai levando um pouco para cada comunidade”, declarou.
A fala evidencia a pressão constante enfrentada pelos gestores públicos diante de demandas simultâneas em diversas localidades do interior.
Continuidade depende de parceria
Um dos pontos mais enfáticos do pronunciamento foi em relação à possível ampliação da pavimentação, solicitada pelos moradores da região. O prefeito deixou claro que o avanço da obra depende diretamente da participação financeira do município vizinho.
“Eu não tenho como fazer obra dentro de Passo do Sobrado com dinheiro de Santa Cruz. A lei não permite”, afirmou.
Na sequência, reforçou o condicionamento:
“Se o prefeito de Passo do Sobrado fizer a parte dele, dividir o custo, o nosso lado não tem problema nenhum. Nós arrumamos o dinheiro”, disse, deixando explícito que a parceria entre os municípios é essencial para o andamento do projeto.
Ele ainda revelou que, para viabilizar o trecho já concluído, foi necessário enfrentar um processo burocrático complexo, com autorizações de órgãos de controle, incluindo o Tribunal de Contas.
Ligação Asfáltica
Moradores presentes no ato manifestaram interesse na continuidade da pavimentação, especialmente em trechos que podem beneficiar mais propriedades rurais, com ligação pelas regiões da Malhada e Passo da Mangueira.
O prefeito reconheceu a demanda, mas voltou a destacar que qualquer avanço dependerá de recursos e articulação entre os entes públicos.
“Se eu não conseguir o dinheiro este ano, vou buscar no ano que vem. Mas isso depende de articulação e apoio”, afirmou.
Durante o discurso, Moraes também mencionou a busca por recursos estaduais e federais para viabilizar novas etapas da obra e a ligação entre comunidades da região.
Ao mesmo tempo, fez uma crítica indireta ao cenário político:
“Tem gente dizendo que isso é conversa, que não vai sair. Esses mesmos deveriam se preocupar em resolver o lado deles”, declarou.
Com experiência em cargos legislativos, o prefeito também destacou a importância da representatividade regional na captação de investimentos.
“Votem em quem quiserem. Mas na hora de fazer a obra, são os daqui que têm que resolver. Partido não é mais importante que a necessidade da população”, afirmou.
Alerta e encerramento
Em tom mais descontraído ao final, Moraes fez um alerta aos motoristas que utilizarão a nova via. “Esse asfalto convida a andar mais rápido. Então cuidem-se”, comentou.
A pavimentação da Estrada Willy Moraes representa um avanço importante para a mobilidade rural e o desenvolvimento econômico da região. No entanto, conforme ressaltado pelo prefeito, a continuidade da obra dependerá diretamente de articulação política, disponibilidade de recursos e cooperação entre os municípios envolvidos.
Entenda o caso
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