A Diocese de Santa Cruz do Sul apresentou as novas Diretrizes Diocesanas da Ação Evangelizadora, que orientarão o trabalho das paróquias, comunidades, pastorais e movimentos entre 2026 e 2030. Mais do que estabelecer ações, o documento procura traduzir um amplo processo de escuta, oração e discernimento realizado junto ao Povo de Deus.
A construção das diretrizes começou em junho de 2025 e mobilizou mais de 5 mil pessoas em encontros promovidos nas comunidades e paróquias. A caminhada seguiu a metodologia “ver, iluminar e agir”, dentro do espírito sinodal proposto pela Igreja Católica, valorizando a participação, o diálogo e a escuta mútua.
O processo teve seu momento conclusivo nos dias 3 e 4 de março de 2026, durante a 14ª Assembleia Diocesana da Ação Evangelizadora, realizada no auditório central da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc). Cerca de 240 delegados participaram do encontro, representando as 51 paróquias, além de pastorais, movimentos e organismos ligados à Diocese.
Entre os participantes estavam padres, diáconos, religiosos, seminaristas e lideranças leigas. Organizados em grupos, os delegados analisaram a realidade das comunidades e ajudaram a definir as prioridades pastorais para os próximos anos. Segundo a CNBB Sul 3, o trabalho resultou na aprovação de um objetivo geral e de nove projetos pastorais.
Escutar antes de anunciar
A inspiração bíblica da assembleia foi o encontro de Jesus com a mulher samaritana, narrado no capítulo 4 do Evangelho de João. A passagem mostra que, antes de anunciar e ensinar, Jesus se aproxima, acolhe, escuta e estabelece um diálogo.
Essa mesma postura orientou o processo diocesano: conhecer primeiro as alegrias, esperanças, preocupações e dificuldades vivenciadas pelas pessoas para, depois, discernir os caminhos da evangelização à luz do Evangelho e da ação do Espírito Santo.
Durante a live de apresentação das Diretrizes Diocesanas 2026–2030, realizada em 14 de julho, o coordenador diocesano da Ação Evangelizadora, padre Giovane Gonçalves, retomou a inspiração bíblica e os principais elementos identificados durante a caminhada de escuta.
O sacerdote recordou que, ao lado dos desafios, também foram encontrados sinais de esperança que animam a missão da Igreja. Esses sinais estão presentes no envolvimento das lideranças, na vida das comunidades, na disposição para o serviço e na vontade de encontrar novas formas de anunciar o Evangelho.
Nove projetos pastorais
As diretrizes serão desenvolvidas por meio de nove projetos ligados a áreas consideradas importantes para a renovação da vida eclesial. As iniciativas contemplam espiritualidade, formação cristã, vocações, missão, juventude, famílias, administração e comunicação.
O objetivo é transformar o discernimento realizado durante a assembleia em ações concretas, respeitando as características e necessidades de cada paróquia. O documento deve servir como referência para o planejamento pastoral, sem deixar de valorizar a criatividade e a realidade de cada comunidade.
As novas diretrizes também reforçam a corresponsabilidade entre ministros ordenados, religiosos e leigos. A proposta é que todos participem ativamente da missão evangelizadora, superando uma visão na qual apenas algumas pessoas seriam responsáveis pela vida da Igreja.
Documento deverá ganhar vida nas comunidades
Ao encerrar a assembleia, o bispo diocesano, dom Itacir Brassiani, destacou que a experiência de caminhar juntos é tão importante quanto o próprio documento aprovado. Para ele, o processo permitiu que diferentes pessoas falassem, fossem escutadas e colaborassem na construção das prioridades pastorais.
A partir de agora, o desafio será fazer com que as diretrizes sejam conhecidas, acolhidas e colocadas em prática. Mais do que um texto destinado às lideranças, elas representam um convite para que toda a Igreja diocesana caminhe unida, mantenha-se próxima das pessoas e responda aos desafios atuais com a força transformadora do Evangelho.
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