Setembro é o mês dedicado à conscientização e prevenção ao suicídio, tema que ganha cada vez mais atenção, especialmente entre crianças e adolescentes. A Organização das Nações Unidas (ONU) considera o suicídio um problema de saúde pública, que pode estar relacionado a múltiplos fatores: genéticos, condições físicas ou mentais, conflitos familiares, exposição à violência, uso de álcool e drogas ou fragilidades emocionais. Em muitos casos, o sofrimento se torna tão intenso que a vida parece insuportável.
O Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, lembrado em 10 de setembro, reforça a necessidade de que familiares, responsáveis, amigos e a sociedade como um todo estejam atentos aos sinais que podem indicar risco.
A psiquiatra Dra. Cláudia Barragan, que atua em Santa Cruz do Sul, alerta que mitos e estigmas ainda são barreiras importantes na prevenção. “Muitas vezes, frases comuns e crenças equivocadas dificultam que alguém receba o apoio necessário. Quem já tentou suicídio uma vez, por exemplo, pode tentar novamente, e esse risco precisa ser acompanhado de perto. Além disso, nem sempre quem sorri está bem; o sofrimento pode ser silencioso”, explica.
Segundo a médica, falar sobre suicídio não significa “chamar atenção”, mas pode ser um pedido real de ajuda. Ela ressalta que mudanças bruscas de humor, isolamento social, alterações no sono ou apetite, falas sobre desesperança, culpa ou inutilidade devem ser vistos como sinais de alerta. “É preciso reconhecer essas manifestações, escutar sem julgamentos, oferecer apoio e incentivar a busca por ajuda profissional”, acrescenta.
Para a psiquiatra, o Setembro Amarelo é um convite à reflexão: ninguém precisa enfrentar a dor sozinho. “Cuidar da mente é tão importante quanto cuidar do corpo. Falar sobre saúde mental é um ato de coragem, e buscar ajuda é um gesto de amor-próprio. Se você está passando por um momento difícil, saiba que há acolhimento, cuidado e esperança. Reconhecer sua dor é o primeiro passo”, afirma.
A Dra. Cláudia Barragan atende presencialmente em consultório em Santa Cruz do Sul e também em formato online. Sua atuação abrange casos de depressão, psicoses, burnout, transtornos de pânico, ansiedade, do sono, bipolaridade e alimentares.
Campanha Setembro Amarelo é oficializada em lei
A campanha Setembro Amarelo tornou-se oficial com a sanção da Lei 15.199, de 2025 pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e sua publicação no Diário Oficial da União (DOU), desta terça-feira (9). A norma também estabelece 17 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação e, 10 de setembro, como o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio.
A campanha Setembro Amarelo deverá ser realizada anualmente no mês de setembro, em todo o território nacional, com ações que englobem a prevenção à automutilação e ao suicídio. Também serão destinadas atividades para a conscientização sobre a saúde mental.
No Senado, o PL 5.015/2023, da deputada Priscila Costa (PL-CE), foi aprovado em decisão final na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), em agosto deste ano, tendo relatório favorável da senadora Damares Alves (Republicanos-DF).
Ações
Pela norma, caberá ao poder público, em conjunto com instituições, organizações não governamentais e sociedade civil, a promoção de atividades, eventos e campanhas de conscientização que versem sobre os riscos da automutilação e do suicídio, assim como os recursos disponíveis para apoio e tratamento.
A ideia também é reduzir o estigma e os preconceitos associados a questões de saúde mental; promover a empatia, a compreensão e o apoio às pessoas que enfrentam desafios relacionados à automutilação e ao suicídio; e estimular a busca por ajuda profissional.
O poder público poderá fazer atividades educativas nas escolas e comunidades, como iluminação de prédios públicos com a cor amarela, além de palestras, eventos e campanhas informativas.
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