Traição é quebra de uma relação de confiança, lealdade ou acordo prévio de fidelidade. É uma violação de expectativas mútuas e gerar sentimentos profundos de frustração, raiva e revolta. Na história da humanidade, é tão antiga quanto as alianças. O mundo da política que o diga. A relação conjugal é apenas um dos campos onde ela acontece.
A bíblia registra traições memoráveis e destruidoras: Caim traiu a confiança de Abel e o matou (cf. Gn 4,8); Jacó e sua mãe Rebeca enganaram Isaac, traíram e roubaram os direitos de Esaú (cf. Gn 27,1-40); Dalila traiu Sansão e revelou aos inimigos filisteus o segredo da sua Sansão (cf. Jz 16,4-31); Ananias e Safira traíram a comunidade, mentindo e escondendo parte dos bens a ela destinados (cf. At 5,1-11).
Mas o patrono de todos os traidores é Judas Iscariotes, o apóstolo que traiu Jesus, seu mestre, e o entregou em troca de dinheiro (cf. Lc 22,1-6). É a ele e sua triste e devastadora decisão que Jesus se refere quando diz: “Melhor seria que tal homem nunca tivesse nascido” (Mt 26,24). É uma das sentenças mais duras que Jesus pronunciou.
É certo que as traições que ocorrem nas relações conjugais e amizades são doloridas e podem arruinar muitas vidas. Mas as traições políticas, as infidelidades ao voto do povo são simplesmente avassaladoras. Seus efeitos nocivos ferem a vida de milhares de cidadãos e podem comprometer o desenvolvimento de uma nação por várias décadas.
Chega a ser aviltante a desfaçatez com que candidatos de um amplo espectro de partidos assediam os cidadãos, apresentando-se como servidores voluntários do povo e turbinando suas invisíveis virtudes civis. E se evitassem o caminho da traição futura, e simplesmente falassem a verdade: que estão à caça de carreira e de bons dividendos?
Como estão longe da Política com “P” maiúsculo, da dedicação ao bem de todos! Como é revoltante ver a “Casa do Povo” sendo transformada num birô no qual o bem-estar do povo é negociado a preço vil! Como é aviltante ver o poder que “emana do povo” ser usado como poder decidir contra o povo! Como é deprimente conviver com a empáfia de traidores da nação que prestam fidelidade a bandeiras e potências alienígenas!
Infelizmente, o culto a Judas tem uma longa história e muitos adeptos e no Brasil. Vai de Martim Tibiriçá, passa por Calabar e Silvério dos Reis, e chega aos seus acólitos atuais. Seria melhor que não tivessem nascido? Cecília Meireles sentencia: “Vossa glória, nesta vida, é morrerdes escondidos, podres de pavor e remorsos”.
Entenda o caso
Transparência editorial
O Gazeta Popular mantém páginas públicas de referência editorial para facilitar a identificação da equipe, critérios de publicação e canais de contato.


