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sábado, 04 de julho de 2026   Vale do Rio Pardo Indicadores atualizados Edição Digital
Dom Itacir

Opinião “Moro onde não mora ninguém…”

Em 1975, Agepê lançou um álbum com este título. Na faixa em destaque, o compositor e intérprete canta, com lirismo e nostalgia, o lugar onde mora e se sente bem. O bem-estar que uma moradia simples e humilde proporciona também é cantado por Chico Buarque, num poema de Vinicius...

Assim canta Agepê: “Moro onde não mora ninguém, onde não passa ninguém, onde não vive ninguém. É lá onde moro que eu me sinto bem! Não tem bloco na rua, não tem carnaval, mas não saio de lá. Uma casinha branca no alto da serra; um coqueiro ao lado, um cachorro magro amarrado. É lá que eu vivo sem guerra, é lá que eu me sinto bem”.

Não é preciso transcrever outras canções como Tristeza do Jeca, Cidadão, Casinha Branca e Saudosa Maloca para demonstrar como a questão da moradia digna está vivamente presente no cancioneiro brasileiro, como drama ou como utopia. Por isso, não deve estranhar que a Igreja católica hoje traga a questão da moradia para dentro dos templos.

Não podemos fechar os olhos para a grave questão da moradia no Brasil: 26 milhões de famílias vivem em moradias inadequadas; 6 milhões de famílias necessitam de uma moradia hoje; 330 mil pessoas vivem em situação de rua; 9 milhões de pessoas moram em áreas de risco; 16 milhões de pessoas vivem em favelas (que são “não-cidades”). Eles sim são obrigados a morar onde ninguém deveria morar…

Voltando a atenção a Santa Cruz do Sul, segundo o último censo, apenas 61% das famílias vivem em moradias próprias e quitadas; recentemente, mais de 800 famílias disputaram 250 casas de um programa habitacional; mais de 30 mil pessoas têm uma renda de até meio salário mínimo. Com essa renda, como poderão adquirir uma casa ou pagar aluguel?

Estamos habituados a tratar a moradia como uma mercadoria entre outras. Quem pode, compra. Mas a Declaração Universal dos Direitos Humanos insere a moradia entre os direitos humanos (cf. art. 25). E a Constituição Federal a insere entre os direitos sociais dos cidadãos brasileiros (cf. art. 6º). E cabe ao Estado assegurar o acesso a esse direito!

Os discípulos e discípulas de Jesus não podemos passar ao largo do drama da moradia, que fere grande parte dos nossos irmãos e irmãs. Jesus nos adverte sobre isso numa parábola (cf. Lucas 10,25-37): o serviço ao culto, a busca do bem-estar individual e a obsessão pela segurança não são álibis para ignorar a dor que fere os irmãos e irmãs.

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Tipo de conteúdo Opinião
Fonte/Origem Colunista/Opinião
Autor Gazeta Popular
Atualização 26/06/2026 às 13:59
Categoria Dom Itacir
Leitura 3 min
Extensão 461 palavras
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Entenda o caso

O que aconteceu?Opinião “Moro onde não mora ninguém…”
Onde?Santa Cruz do Sul
Fonte da informaçãoRedação Gazeta Popular

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Tipo de conteúdoNotícia
Fonte/OrigemApuração/Redação
Última atualização26/06/2026 às 13:59

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