Ano eleitoral. A política partidária começa a pegar preço.
Para hoje, uma pequena avaliação sobre os reflexos do fenômeno da polarização da política brasileira que não só não arrefeceu como continua cada vez mais intenso. Daí que aqueles que não são alinhados acabam, querendo ou não, sendo identificados com um ou outro grupo, mesmo contra sua vontade. É uma situação que, até certo ponto, poderia ser cômica, se não fosse trágica… Ah, as observações a seguir se prestam principalmente para os cargos da majoritária, ok? Os da proporcional é assunto para outro momento…
* Em quem tu vota?
Essa já foi uma das perguntas mais recorrentes nesse momento de eleição. Bastava iniciar-se o segundo semestre do ano eleitoral para que começassem as especulações e as indagações, na mesma proporção que ocorrem as campanhas políticas. Mas isso era antes…
Hoje, ao invés de me perguntarem em quem eu vou votar, me perguntam: tu é Lula ou Bolsonaro? Simples assim, como se a opção por um outro candidato não fosse possível. E na cabeça de uns não é (possível)… Foi isso que me disse um conhecido, quando eu lhe respondi que talvez não vote nem num, nem noutro: _no primeiro turno tudo bem, mas e no segundo, tu é Lula ou Bolsonaro? kkk
* Então tu é Lula…
Com a dúvida sobre se “sou Lula ou Bolsonaro”, e no intuito até de “prospectar” algumas manifestações, eu disse que não era nenhum, mas que eu defendo a democracia e o Estado de Direito, que eu acredito na ciência e, portanto, nas vacinas, que eu sou a favor, neste momento, das políticas de quotas, que defendo os direitos das minorias, que respeito a liberdade de imprensa, etc.. Daí que na roda de amigos tive que ouvir: mas então tu é Lula… Veja bem: defender a democracia, a ciência, as políticas públicas e a liberdade de imprensa é sinônimo de ser Lula? Não sabem esses incautos que defender tais institutos é prática e política muito anteriores a Lula, PT, e outros tantos?
* Então tu é Bolsonaro….
Ainda na roda de conversas eu disse que na minha casa desde há muito eu tenho uma bandeira do Brasil sempre hasteada; além disso, manifestei que eu defendo o livre porte de armas pelo cidadão de bem e que acredito mesmo que os tribunais superiores têm que ser regulados por força de lei, se não podem se tornar supremocratas, etc.. Daí que um outro me disse: mas então tu é Bolsonaro!!! Desde quando ter uma bandeira do Brasil no pátio da casa, defender o porte de armas e ver como necessário a limitação legal dos tribunais superiores é sinônimo de ser Bolsonaro? Não sabem esses incautos que defender tais institutos é prática e política muito anteriores a Bolsonaro, extrema direita, conservadorismo, negacionismo e outros tantos?
* Mas então o que tu é?
Como assim cara pálida?
Eu sou um eleitor que tem uma observação relativamente aguçada e crítica de nossa política partidária a ponto de saber que em uma eleição o ideal nem sempre se confunde com o necessário…
O ideal seria eu ter que escolher, num conjunto de candidatos, aquele que se apresentasse como o melhor para a condução dos governos de nossos Poderes Executivos. Já pensou amigo eleitor, nós termos vários bons candidatos e termo que escolher o melhor entre os melhores? Seria ou não o ideal? Hein? Hã?
Porém, e sempre há poréns, há um bom tempo que estamos longe do ideal e muito próximos do necessário, aqui traduzido pela necessidade de escolher o “menos pior” dentre os piores… Já pensou amigo eleitor que temos candidatos que julgamos ruins e temos que escolher o menos ruim, ou aquele que pode fazer menos mal aos nossos governos? Infelizmente para mim tem sido assim nos últimos tempos e em várias camadas de poder, e o menos ruim tem levado meu voto (às vezes não leva, pois há um bom tempo que deixei de ver como razoável o chamado “voto útil” – mas isso é assunto para outro momento).
Então ficamos assim, ou seja, nem “a”, nem “b”, muito antes pelo contrário, ahahahahah; mas torcendo pela vitória do menos ruim…
Bom fim de semana e até à próxima, se Deus quiser.
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