* Viva o Sete de Setembro
Pois é amigo leitor, em Sete de Setembro comemoramos a Independência do Brasil, pois foi o dia em que oficialmente Dom Pedro (que ainda não era Primeiro), governante da colônia portuguesa Brasil, rompeu os laços de dependência e vinculação político-administrativa com Portugal, nossa metrópole.
Em nossa memória o Sete de Setembro ficou gravado a partir do quadro do pintor Pedro Américo chamado o Grito do Ipiranga (mas o nome original era Independência ou Morte), pois segundo se conta foi nas proximidades do Riacho Ipiranga em São Paulo que D. Pedro, sabendo das intenções intervencionistas da metrópole, proferiu o célebre grito de… “Independência ou Morte”.
Obviamente que a data do Sete de Setembro é muito mais simbólica do que de fato determinante para nossa independência, afinal, D. Pedro estava longe da sede do governo, que era o Rio de Janeiro e, até que retornasse e iniciasse as ações para promover e garantir o início do processo de ruptura definitiva com Portugal se passariam muitos dias e até meses. Mas ficou a data e à ela que temos, entre 01 e 07 de setembro, a Semana da Pátria.
* Comemorações
A impressão que tenho é que antigamente, “no meu tempo antigo”, kkk, as comemorações pela Semana da Pátria eram mais intensas, mais pomposas e mais festivas.
Na época da escola, época do Ensino Primário e Secundário, a gente tinha banda marcial, mandava-se fazer uniformes especiais, ensaiava-se marchas e se desfilava no dia sete. Passava-se mais de um mês envolvidos em ensaios e treinamentos. Na Semana da Pátria fazia-se a guarda do Fogo Simbólico, aquela chama que representava a liberdade e a luta do povo pela Independência. Nas escolas tínhamos horas cívicas com apresentações, jograis, teatros, e invariavelmente cantava-se o Hino Nacional todos os dias da Semana. Roupas e adereços em verde-amarelo eram o destaque da semana.
Ah, cantava-se até o Hino da Independência, lembra amigo leitor?
Para quem não lembra, o Hino da Independência é aquele que tem o estribilho assim:
Brava Gente Brasileira
Longe vá, temor servil;
Ou ficar a Pátria livre,
Ou morrer pelo Brasil.
Ou ficar a Pátria livre,
Ou morrer pelo Brasil.
Hoje, como eu disse, tais festejos arrefeceram, sendo que ainda existem, mas não com tanta pompa como “antigamente”. E aqui no Rio Grande os festejos farroupilhas acabaram por suplantar em tamanho e qualidade as comemorações relativas à Independência.
Participar das comemorações era motivo de orgulho. Ser patriota era ter orgulho de nosso país e da nossa história. Porém, e sempre há poréns, assim como os festejos diminuíram, alguns conceitos ligados à data também sofreram mutações. Para pior…
* O patriotismo hoje
Infelizmente a ideia de patriotismo e a de patriota está muito alterada nos dias de hoje.
Quando o presidente Messias Reacionário ganhou a eleição, houve uma apropriação das ideias de patriotismo e patriota por ele e pelo grupo político-social-econômico que assumiram o comando da nação com ele.
Passou a ser patriota ou patriótico somente aqueles que o apoiavam e defendiam seu incompetente, reacionário e negacionista governo. Todos que não concordavam com ele ou que faziam oposição passaram a ser vistos como inimigos da pátria, adversários que deveriam ser agredidos, ofendidos, subjugados, eliminados. Usar o verde-amarelo passou a ser proibido a todos os que, assim como eu, não concordavam com os rumos que o (des)governo de nosso país estava tomando.
E mesmo já tendo mudado o governo a apropriação das ideias de patriotismo continua, pois todo aquele que se identifica como “patriota”, assim, entre aspas, é um ferrenho defensor do agora réu Bolsonaro, e não só concorda com todos os absurdos que ele cometeu como ainda o apoia.
A tal ponto a ideia de patriotismo teve seu conceito ressignificado, numa verdadeira alteração semântica, que, num risível absurdo, passou a ser patriota aquele que defendia o golpe de Estado e a abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Ser patriota passou a identificar pessoas que intentavam contra as estruturas democráticas da pátria. Que horror!
* Temos que comemorar?
Nesta Semana da Pátria começou o julgamento do núcleo golpista do governo passado que tentou ou planejou dar um golpe de Estado no Brasil após as últimas eleições.
Capitaneados pelo ex-presidente Bolsonaro a alta cúpula daquele governo está no banco dos réus.
Se a Democracia, assim, com letra maiúscula, tem suas mazelas, e tem que ter, pois é instituição que está sempre em transformação e desenvolvimento, ela tem sobremaneira muitas vantagens, e uma delas é justamente esta: poder levar à responsabilização aqueles que atentam contra ela e contra tudo e todos que ela representa.
Extremamente significativo é que são réus acusados de crimes terríveis sendo julgados pelo órgão máximo da Justiça brasileira, o mesmo órgão contra o qual intentaram, espalharam notícias e fatos falsos, e até planejaram ações para eliminar fisicamente através do assassinato seus membros. Só por isso, por esse julgamento, já temos o que comemorar, pois é algo inédito na história brasileira, e é a legitimidade da Democracia se impondo sobre os golpistas.
Nossa democracia, nossa redemocratização foi um processo muito lento e doloroso em nossa história. Qualquer tentativa de retrocesso que busque atingi-la tem que ser severa e exemplarmente responsabilizada e punida. É o que eu espero.
Mas forças reacionárias já estão se mobilizando para tentar aprovar uma lei de anistia geral, ampla, absoluta e irrestrita, o que é outra vergonha e outro verdadeiro absurdo. Mas isso é assunto para outro momento.
Vamos ver. Muitos desdobramentos desta questão ainda estão por vir.
Salve nosso Brasil, salve nossa Democracia e força pera o Judiciário levar à Justiça quem merece.
Bom fim de semana e até à próxima, se Deus quiser.
PS: enquanto escrevia a coluna assisti ao desfile das candidatas a rainha de Vale Verde pelas ruas da cidade. Contenda renhida este ano; uma certeza: independentemente das três que ganharem, o Vale estará bem representado. Parabéns e boa sorte gurias!!!
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