Por incrível que pareça ainda é muito comum que as pessoas “torçam o nariz” (figura de linguagem – expressão idiomática, kkk) para o destaque de datas como essa Semana de Consciência Negra e o próprio Dia da Consciência Negra.
O pior é que essa contrariedade que as pessoas, não todas, mas muitas, demonstram, algumas nem fazendo questão de escondê-las ou disfarça-las, vêm carregada das velhas, reprováveis e descabidas observações como “por quê consciência negra, se não existe uma consciência branca?”, ou “os negros são os próprios racistas”, ou ainda, entre muitas outras, “destacar a consciência negra é mostrar a inferioridade dos negros, pois se não fossem inferiores não precisariam desse destaque…”. Como eu disse, são afirmações absurdas e repugnantes que não cabem mais ser feitas (se é que algum dia couberam…).
* Discussão superada
Eu entendo como superados avaliar o mérito, a importância, a legitimidade e a necessidade de destaques como a Semana da Consciência Negra e o Dia da Consciência Negra. Essa discussão histórica, social e culturalmente desenvolvida já deixou de ser necessária há um bom tempo.
Outro dia fui interpelado por um conhecido: “Breno, tu que é professor me explica, por que isso de Consciência Negra, quando vejo que o simples fato de ter que dar destaque para isso já é uma forma de racismo e preconceito…”?
Minha resposta não poderia ser outra: olha meu jovem (que não é jovem, visto que é pouco menos velho que eu, kkk), essa discussão até seria possível há uns quinze ou vinte anos atrás… Hoje em dia ela não tem mais espaço; se até agora tu não entendeu, se com tudo que é dito, discutido, comentado e analisado, tu não compreende, se com toda informação que temos à disposição hoje em dia, tu não formou elementos de conhecimento e convencimento, não sou eu agora que vou te esclarecer… E completei: se tu não está convencido da legitimidade desses destaques, vai pesquisar, vai estudar ou, como muito tenho dito, simplesmente aceita… E eu gostaria de ter complementado: simplesmente aceita, mantém a boca fechada e deixa de passar vergonha e ser ridículo… Mas não o fiz, claro.
* Conhecimento é a palavra chave
Sim, amigo leitor, conhecimento é a palavra chave para tentarmos compreender a enormidade da legitimidade dos destaques à Consciência Negra.
O Brasil foi, na maior parte de sua história, ao menos até o momento, um país escravocrata. Não apenas os negros foram escravizados, mas principalmente os negros.
Como ao escravo é negada a faculdade de ser pessoa, visto que um escravo é um bem, e como tal, uma “coisa”, aos negros, em consequência de quase quatrocentos anos de escravidão, os princípios elementares da personalidade jurídica do indivíduo como pessoa humana também foram negados por herança.
Assim, a duras penas, a um custo humano, social, econômico, cultural e histórico muito caro, os negros têm conseguido ocupar seu espaço na estrutura social brasileira.
Só existe uma forma para que os não-negros entendam esse processo: conhecimento. E conhecimento se obtém através do estudo, da leitura, da análise crítica de dados e informações.
* O processo
Destacar a Consciência Negra é parte desse processo de resgate histórico de tudo que, por mais de quinhentos anos, foi negado aos negros, seja no campo social, cultural, econômico e outros…
Se num primeiro momento a luta dos negros foi em resistência à escravidão, pois que 20 de Novembro é o aniversário da morte de Zumbi dos Palmares, um líder quilombola que lutou contra a escravidão e a opressão no Brasil colonial, agora, a luta é por igualdade, justiça e direitos humanos. A luta também é pelo reconhecimento histórico e pelo direito ao empoderamento: celebra-se a diversidade, a importância e a riqueza da cultura negra.
Por fim, na base de toda luta negra está a disposição de combater e superar o racismo e o preconceito, elementos que, mesmo já passados séculos do fim da escravidão, estão muito vivos, ainda enraizados, em nossa sociedade. A maior prova disso é que ainda são muito comuns as indagações e a contrariedade sobre a importância e a legitimidade de se destacar uma Semana da Consciência Negra e o de ser feriado nacional em um Dia da Consciência Negra.
* Fenômeno interessante
Fenômeno que tenho notado é que muitos dos que são “contra” os destaques da Consciência Negra, são contra as políticas de minorias e contra a políticas de quotas nos serviços públicos, nas universidades federais e nos programas sociais de governo.
Com certeza não é por acaso que isso acontece… Mas isto é assunto para outro momento. Voltaremos!!!
* Talvez um dia…
Talvez um dia tenhamos uma sociedade em que não seja mais necessário ter que investir tempo e energia para tratar de tais questões. Por enquanto ainda precisamos sim ser contundentes e objetivos, pois combater o racismo e o preconceito são prioridades neste momento.
* 19 de Novembro
Salve lindo pendão da esperança!
Salve símbolo augusto da paz!
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza da Pátria nos traz.
Recebe o afeto que se encerra
em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!
(letra de Olavo Bilac).
Quem lembra? Quem já cantou? Quem saberia Cantar?
Pois é… No Dia 19 de Novembro comemorou-se o Dia da Bandeira Nacional, e acima uma pequena parte do hino que a celebra. Me surpreendi sabendo que ainda sei cantá-lo na íntegra. A professora Jane Poeta fez história em General Câmara: ai de quem não soubesse cantar integralmente o Hino Nacional, o Hino à Bandeira, o Hino Rio-grandense, o Hino da Independência… Cantar e escrevê-los… Bons tempos!
Bom fim de semana e até à próxima, se Deus quiser.
PS: e o Colorado hein? Até nem sei o que dizer. Sei sim: te escapa medinho, que o medão te pega… ahahahahahahahah
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