Boa tarde amigos leitores
O mesmo do mesmo. Sempre!
* A vaia ao governador…
A vaia que o governador do Rio Grande do Sul recebeu semana passada ao participar de um evento em Rio Grande, no qual estava presente o presidente Molusco Ligeiro, virou manchete nacional.
É muito comum que as grandes lideranças políticas (e em especial nossos governantes), ao participarem de eventos públicos, os transformem em palanque político de campanha ao invés de eventos institucionais: obras a serem inauguradas não são deste ou daquele governante, ou desse ou daquele partido político ou grupo político, mas sim do povo que, com seus (pesados) impostos as tornaram possíveis. Da mesma forma, o presidente Lula representa o Brasil, e não apenas seu partido e aliados…
Nesse sentido, os organizadores de tais eventos tratam de formar uma plateia de colaboradores e seguidores da autoridade “principal”, pois que não deixarão de apoiar, em nenhum momento, seu grande líder presente. Isso não está incorreto, pelo contrário. O problema é, como já disse acima, quando essa plateia transforma o evento institucional em evento eleitoral, e daí confunde as coisas, até por que, é sabido que para saber diferenciar tais eventos, ou seja, um de campanha política de outro institucional, é preciso de um mínimo de inteligência, e isso às vezes é um bem caro demais para os seguidores políticos; ainda mais se eles dependerem de um emprego político…
* A reação do governador
Mostrando que não chegou ao cargo de governador por acaso, Eduardo Leite aproveitou a chance política que a choldra lhe proporcionou (de repente até esperava por ela, pois não é difícil imaginar uma plateia militante subserviente e pouco inteligente fazer o que fez, e se preparou a contendo) e transformou o limão em uma limonada, apropriando-se da falta de respeito, da ignorância e descortesia dos vaiantes e, usando uma expressão de campanha do próprio presidente Lula, saiu-se com: “então é esse o amor que venceu o medo?”. Que “tapa de luva”, que lição de moral e que exemplo de habilidade de como aproveitar o brilho político do adversário em proveito próprio.
Será que além dos créditos imediatos que o governador colheu de sua atuação e manifestação (que não foram poucos) haverá benefícios políticos mais amplos? Isso só tempo dirá.
* Não me surpreendeu
Isso mesmo, as vaias ao governador não me surpreenderam.
Primeiro, por que todo mundo sabe que Eduardo Leite almeja ser candidato à Presidência da República, apresentando-se, inclusive, como uma alternativa à polarização política de nosso país, sendo então adversário de Lula. Ele já tentou no pleito passado e teve o tapete puxado pelo governador de São Paulo (era bem possível que se tivesse conseguido se candidatar tivesse ganho…).
Segundo, eu vejo que a própria sobrevivência política do PT e do Lula dependem da continuidade dessa indecente polarização política que enfrentamos. É como eu disse outro dia: foram os petistas quem criaram o messias reacionário, e foram os bolsomignons que fizeram o Lula e o PT voltar ao poder. Para eles esse é o jogo a ser mantido, e nesse ponto os lados radicais são muito parecidos.
Qualquer um que represente uma alternativa a esse cenário político representa sobremaneira uma ameaça, e como tal, merece ser vaiado e ofendido, mesmo que seja um governador democraticamente eleito.
A ignorância e a bestialidade não têm limites.
Pensemos nisso, pois o assunto não se esgota.
Bom fim de semana e até à próxima, se Deus quiser.
PS: alguém aí aposta um cafezinho no Grenal de domingo?
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