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sábado, 04 de julho de 2026   Vale do Rio Pardo Indicadores atualizados Edição Digital
Breno Pires

Nessa época de enorme circulação de informações, precisamos exercer um mínimo de reflexão ou raciocínio lógico sobre as “verdades” que nos chegam!


Boa tarde amigos leitores. * Educação e achismo Outro dia um conhecido me mandou um vídeo de um deputado federal (não lembro agora de que estado, mas não era gaúcho) que, usando a tribuna da Câmara Federal, discursava de forma muito veemente sobre questões da educação nacional...

 

* Educação e achismo

Outro dia um conhecido me mandou um vídeo de um deputado federal (não lembro agora de que estado, mas não era gaúcho) que, usando a tribuna da Câmara Federal, discursava de forma muito veemente sobre questões da educação nacional. Lá pelas tantas ele me sai com a seguinte pérola: “… e para piorar esse quadro, no Brasil as escolas são premiadas por terem educação de baixa qualidade, pois quanto pior é o índice de aproveitamento dos alunos nas avaliações institucionais e avaliações externas, maior a quantidade de dinheiro que a escola recebe…”. E o meu conhecido fazia voz à manifestação desse deputado concordando com ele…

Daí que ele perguntou o que eu achava. E minha resposta foi bastante óbvia e objetiva: que bobagem!!!

* Falando sem conhecimento de causa

É exatamente isso que me pareceu, que o nobre deputado estava se manifestando sobre um assunto que não dominava.

Será que ele sabe o que é o IDEB? Será que ele sabe quais são os princípios norteadores dos investimentos e da destinação de verbas para a educação pública brasileira? Será que ele sabe donde vem as verbas que são aplicadas e investidas na educação nacional? Acredito que não, se não, não teria dito tamanha asneira.

* Justificando o injustificável

A justificativa que o representante do povo apresentava para tal argumento era que as escolas com os piores resultados na aprendizagem recebiam as maiores quantidades de verbas, e as que obtinham melhores resultados, recebiam menos… E parece que é isso que o cidadão que pensa a partir de um senso comum entende também. E para piorar, faz questão de fazer tal verdade “circular”.

No entanto, não é assim que a coisa funciona.

Quanto maiores as dificuldades de uma escola em melhorar o aproveitamento e a aprendizagem de seus alunos, maiores serão os esforços para fazer com que ela supere essas dificuldades. E por esforços, entende-se qualificar os recursos humanos, melhorar a estrutura e infraestrutura dos prédios escolares e, por fim, aplicar a maior quantidade de verbas necessárias. Ora, isso está muuuuito longe de significar “premiar” a escola por sua baixa qualidade de educação, concorda comigo amigo leitor? Ou não?

 

* Tem mais…

A considerar como minimamente aceito o pensamento do ilustre deputado, o que só se admite aqui pelo prazer da dialética, pois que discordo veementemente, é de se pensar então que o governo federal premia os estados e municípios com as piores rodovias federais brasileiras, afinal, é nelas que se gasta (ou seria se investe?) mais dinheiro: quanto melhor a rodovia menos dinheiro se gastará com ela, certo?

Outro exemplo seria também de se dizer que quando pior é a estrutura de prestação de serviços na área de saúde pública, mais premiados os municípios e estados são, pois recebem mais verbas do que aqueles onde a prestação de tais serviços é mais satisfatória (ou menos insatisfatória, dependendo do ponto de vista). Na verdade, quanto pior o serviço prestado, maiores têm que ser os investimentos feitos neles, pois em uma lógica minimamente óbvia, são os que precisam de maiores investimentos…

Na lógica do nosso prestimoso (contém ironia) deputado, é isso o que ocorre: receber mais investimentos por necessidade é sinônimo de premiação.

E tem que acredite!!!

* Mas o que é o Senso Comum

Em um sentido bastante simplificado, é aquele forma de ver e aceitar as coisas, os fatos, os acontecimentos, as ideias, as opiniões, e tudo o mais, do jeito que nos são apresentadas, como se fossem verdades inquestionáveis ou sem lhe aplicar um mínimo de raciocínio ou reflexão crítica ou lógica. Aceita-se tudo como verdades absolutas, sem nenhuma base crítica, científica ou especializada. Pior, às vezes até se questiona a veracidade das bases críticas, científicas ou especializadas à luz de um conhecimento desenvolvido a partir do senso comum…

Assim, o meu conhecido acima citado ouviu o deputado, gostou do que ele disse, de repente até se identificou, e começou a passar à diante como se fosse uma grande verdade. Não à toa que o senso comum é conhecido também como conhecimento popular ou conhecimento vulgar.

Atenção: às vezes o senso comum é importante, pois que responsável por apresentar um conhecimento espontâneo e prático, que é transmitido culturalmente entre gerações, a partir de crenças e experiências aceitas por uma comunidade. Porém, e sempre há poréns, às vezes é perigoso, quando é preconceituoso, generalizador, discriminador, negacionista ou faz circular “verdades” que invadem áreas técnicas e científicas, geralmente opondo-se às informações de tais áreas. Certo? Ou não?

* Se eu te ouço, não significa que eu concorde contigo…

Eis então um dos grandes aprendizados desta semana.

Diante do aumento da radicalização, para outros polarização, da política brasileira, principalmente a partir dos reflexos dos atos do presidente dos Estados Unidos, e com a propagação de conhecimentos e verdades do senso comum sobre as implicações de tais atos, aprendi que para muitos que, me conhecendo, insistem em tentar me convencer de suas certezas, a melhor resposta que se pode dar é o silêncio.

Já está nas Sagradas Escrituras: não adianta semear em terras áridas ou terras que não dão frutos…

Então, diante da quantidade enorme de bobagens que tenho ouvido nos últimos tempos sobre o que tem acontecido na política externa (e interna, por consequência) de nosso país, e como já disse que não discuto com não iniciados, tenho me resignado a não participar de discussões, ou apenas a me fazer presente fisicamente e, quando necessário, apenas ouvir. Às vezes é até difícil não rir de alguns argumentos que tenho ouvido, kkkkk.

Então é sempre bom destacar: o fato de eu ouvir alguém não significa, necessariamente, que eu concorde com esse alguém; apenas me dou o direito de não gastar energia tendo que opor ideias a quem está apregoando verdades absolutas e incontestáveis…

Não raro a pessoa não quer conversar, ela quer apenas falar…

 

* E o Colorado, hein?

Alguém aí esperava um resultado diferente? Eu até torci, mas estava muito consciente de que o Colorado teria que apresentar um futebol que até agora, ao menos este ano, não tinha apresentado. É o famoso: jogamos como sempre, perdemos como sempre!

Um time que, precisando ganhar um jogo, tem apenas uma chance de golo em mais de cem minutos de disputa, não pode reclamar de sua desclassificação.

E adianta culpar o técnico ou exigir sua demissão? Adiantar não adianta, mas é mais fácil mandar um técnico embora do que demitir três ou quatro jogadores, afinal, esses são patrimônio do clube… Por mim, Roger não sai.

E a flauta pegou: o dono da padaria informa que o sonho acabou, ahahahahah; elenco Colorado vai gravar um filme que se chamará La Casa de Papel Picado, ahahahahah; qual a música mais tocada nos CTGs esta semana? “Para Pedro, Pedro, para”, ahahahahah.

Bom fim de semana e até à próxima, se Deus quiser.

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Tipo de conteúdo Notícia
Fonte/Origem Apuração/Redação
Autor Gazeta Popular
Atualização 22/08/2025 às 16:33
Categoria Breno Pires
Leitura 6 min
Extensão 1.239 palavras
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Entenda o caso

O que aconteceu?Nessa época de enorme circulação de informações, precisamos exercer um mínimo de reflexão ou raciocínio lógico sobre as “verdades” que nos chegam!

Onde?Local não informado
Fonte da informaçãoRedação Gazeta Popular

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Fonte/OrigemApuração/Redação
Última atualização22/08/2025 às 16:33

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