Por mais que os jornais nos mostrem fotografias e reportagens sobre uma tragédia, por mais que a televisão nos mostre imagens, muitas vezes impactantes, sobre um desastre, uma guerra ou um fenômeno natural, nada, mas nada mesmo é tão impactante, tão significante, tão enorme quanto “ver-se com os próprios olhos”; imagine então para quem vivenciou a experiência…
Mesmo que a cobertura jornalística tenha nos submetido à uma verdadeira experiência de imersão cotidiana nos efeitos das trágicas inundações ocorridas em nossa região no mês passado, quando nos deparamos presencialmente com a situação em que se encontram as regiões atingidas, mesmo tendo passados mais de trinta dias dos fatos, podemos ter realmente uma (vaga) noção da enormidade do que ocorreu.
Esta semana indo a um evento de motocicleta e motociclistas nos campos de cima da serra tive a oportunidade de passar pelo vale do rio Taquari, nas regiões que foram atingidas pelas inundações, e confesso ao amigo leitor: foi tão impactante, tão impressionante e até opressivo o que eu vi que cheguei a engasgar, obrigando-me a levantar a viseira do capacete para que o ar pudesse me atingir a ponto de afastar o susto inicial; terrível é o mínimo para resumir as cenas.
Dá para imaginar um mato de eucalipto completamente pelado de folhas e totalmente inclinado, quase paralelo ao chão, como uma cabeleira de gigante que recebendo enormes quantidades de gumex foi penteada para trás por um pente de proporções colossais? Estava lá, e essa foi a imagem que me veio à mente.
Noutro lugar, onde antes eu creio ter havido um pomar, havia apenas o caule das árvores, como uma gigantesca escova de chão deitada com a cerdas para cima.
Em uma vila, que ficava entre o rio e a rodovia, um conjunto de uma dúzia de casas com construções apenas até o primeiro metro das paredes… O restante como portas, janelas, telhados, nada existia. Dá para imaginar o que sentiram as pessoas que ali residiam?
Outra cena que me chamou atenção foi a de pilhas e pilhas de entulhos; sobre uma delas uma retroescavadeira trabalhava a muitos metros do chão…
Quando começamos a subir a encosta do planalto (nome correto àquilo que comumente chamamos de encosta da serra) podemos ter maior noção da enormidade do volume de água que desceu o rio. Muitas áreas, muito acima do leito do rio, estavam arrasadas, marcadas pelo marrom clássico do barro em contraste com o verde da vegetação ciliar, áreas às vezes muitos metros acima; nas curvas do rio, outras cenas de destruição…
O amigo leitor notou que repeti bastante as palavras muito, enormidade, tragédia? São expressões que conseguem resumir um pouco o que eu vi: tudo muito, tudo enorme e tudo trágico.
Tento imaginar um pouco (apenas um pouco) o que sentiram as primeiras pessoas que chegaram ao local para prestar socorro às vítimas ou as que cedo da manhã, ao chegarem lá, se depararam com tamanho quadro de destruição. Nem tento imaginar o que vivenciaram as pessoas que estavam no centro dos eventos, pois nos escapa a noção de um sentimento impossível de ser sentido (desculpando a redundância).
Quem não esteve lá, não faz ideia do que realmente aconteceu.
* O esgoto está aberto (ou seria a cloaca)?
Numa época de tragédias, ou ainda das tragédias, visto que o Oriente Médio encontra-se em uma terrível guerra que tem em sua origem um ódio historicamente construído e recíproco entre os contendores, como pode haver pessoas que dedicam seu tempo a fazer circular pelas redes sociais cenas de gente morta, matando e sendo morta, gente despedaçada, desmembradas, esmagadas? Que gosto mórbido e indecente tem esses indivíduos por quererem compartilhar tais barbaridades! É o paradoxo da Internet: quem é do bem, a usa para o bem; e quem não presta…
Um repórter usou essa expressão: abrir o esgoto, ou gente que gosta de mexer no esgoto, para definir as pessoas que se dão ao trabalho de publicar tais imagens ou cenas. É bem isso mesmo. Realmente, a bestialidade humana não tem limites.
* Dia do Professor
Semana passada escrevi que sou um pessimista quanto à melhora da qualidade da educação pública no Brasil, mas que vislumbro sim, uma luz no fim do túnel “quando vejo professores se impondo como profissionais, organizados e comprometidos, discutindo a educação, resistindo à facilidade de deixar tais discussões para profissionais alienígenas (ou seriam aligenígenas? ahahahahah) ao processo educacional e escolar, e também quando vejo professores habilitados e qualificados lutando por assumir as rédeas de sua atividade cotidiana, não deixando que os maus profissionais (que não são poucos) se imponham sobre si e conduzam os processos pedagógicos…”.
Pois bem, essa semana ocorreu aqui no Vale uma audiência pública promovida pelo Ministério Público Federal – MPF para discutir não só o desempenho das escolas municipais nas avaliações institucionais, mas a educação de uma forma geral.
Evento necessário, oportuno e muito legítimo. Tratarei dele noutro momento, pois que ainda estou colhendo as avaliações.
Ao menos de saída, parabéns aos Professores, pois que assumindo as rédeas de sua profissão. Voltaremos!!!
* E o Colorado, hein?
Nem vou falar nada, para não estragar o fim de semana. Haja coração!!!! Te escapa medinho, que o medão te pega, ahahahahah. Não ri, tricolor, pois a coisa não está muito melhor, ahahahahah.
Bom fim de semana, e até a próxima se Deus quiser.
PS: semana que vem tem encontro de motociclistas aqui no Vale, organização do Moto Grupo Filhos da Lenda. Mais informações na próxima edição da Gazeta Popular.
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