A entidade amplia as atividades de Assistência Técnica e Extensão Rural e Social (Aters) voltadas às mulheres, contemplando agricultoras familiares, pecuaristas, pescadoras artesanais, indígenas e quilombolas. O objetivo é reduzir desigualdades históricas relacionadas ao acesso a recursos, tomada de decisões e geração de renda nas propriedades rurais.
As ações contam com apoio da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que destaca o papel das mulheres na segurança alimentar e no desenvolvimento sustentável das comunidades rurais.
Mais renda e participação feminina
Os resultados já aparecem nos números. Em 2025, a Emater/RS-Ascar apoiou mais de 118 mil mulheres em diferentes atividades e 48.954 em ações específicas voltadas ao público feminino. Entre as iniciativas estão capacitações em agroindústria, políticas públicas, gestão financeira e empreendedorismo.
Segundo a instituição, essas ações contribuíram para um aumento médio de 25% na renda familiar, além da formalização de 120 associações femininas e do crescimento da participação das mulheres em espaços de decisão comunitária.
Um dos destaques é o Curso de (Des)Envolvimento para Mulheres Rurais, realizado nos centros de treinamento da Emater/RS-Ascar em Montenegro, Bom Progresso, Canguçu e Erechim. O programa busca fortalecer a autonomia física, mental e social das agricultoras, além de estimular a elaboração de projetos de geração de renda e ampliar o acesso às políticas públicas.
Para muitas participantes, a experiência representa uma mudança de vida. A agricultora Andréia Duarte, do município de Nova Hartz, relata que a capacitação trouxe novas perspectivas pessoais e profissionais.
“Sempre quis fazer faculdade, mas nunca tinha conseguido. Hoje estou no segundo semestre de Serviço Social. Aos 53 anos estou realizando meu sonho. Aprendi a negociar, a organizar meu tempo e a entender que não preciso abraçar o mundo. Nunca é tarde para conquistar um sonho”, afirma.
Protagonismo feminino no campo
De acordo com a extensionista Clarice Bock, coordenadora estadual de Aters para Mulheres Rurais da Emater/RS-Ascar, celebrar o Dia Internacional da Mulher também significa reconhecer a importância estratégica das agricultoras para o futuro da produção de alimentos.
“Celebrar esta data é reafirmar o compromisso com políticas públicas que promovam igualdade, capacitação e protagonismo. As mulheres estão ajudando a construir uma nova história no campo, marcada por liderança, inovação e desenvolvimento sustentável”, destaca.
Papel decisivo na produção de alimentos
A FAO aponta que as mulheres representam uma força fundamental na produção de alimentos, especialmente na agricultura familiar. Apesar disso, ainda enfrentam barreiras para acesso à terra, crédito e tecnologias.
No Rio Grande do Sul, dados do Censo Agropecuário de 2017 já indicavam 947 mil mulheres atuando na gestão de propriedades rurais. Estudos mais recentes, com base em levantamentos da Embrapa e do IBGE, apontam que esse número já ultrapassa 1 milhão de mulheres envolvidas diretamente na gestão e produção agrícola no Estado.
Além do aumento da presença feminina nas propriedades, cresce também a participação em cooperativas, projetos de agroecologia, produção orgânica e agroindústrias artesanais, ampliando as oportunidades de renda e fortalecendo as economias locais.
Ao marcar o Dia Internacional da Mulher, a Emater/RS-Ascar reafirma que investir nas mulheres rurais significa fortalecer a segurança alimentar, reduzir desigualdades e promover o desenvolvimento sustentável no campo.
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