Um Elo entre o Passado e o Presente
A história da festa se confunde com a própria emancipação do município. O que começou em 1876, com pequenos grupos de colonos imigrantes que buscavam no mártir romano a proteção contra as intempéries e as doenças, transformou-se na terceira maior celebração religiosa do Rio Grande do Sul. Chegar à 150ª edição não é apenas uma contagem numérica; é o testemunho da resiliência de uma cultura que manteve o “Bastião” como centro de sua vida social e espiritual.
A recepção da imagem nas comunidades periféricas e do interior reforça o caráter missionário deste ano. O tema “150 anos de fé, esperança e missão” reflete o desejo da paróquia de não apenas celebrar dentro das paredes da Igreja Matriz — uma das maiores estruturas góticas da região — mas de caminhar onde o povo está.
A Cidade que se Veste de Vermelho
A programação social deste jubileu foi pensada para abraçar todas as gerações, mantendo a tradição da entrada gratuita nos pavilhões, um diferencial que garante a democratização da festa.
A trilha sonora da celebração é um mosaico da cultura regional. O início dos festejos na sexta-feira, 16 de janeiro, traz o peso das bandas de baile, com o Super Banda Choppão e a Banda Champion abrindo os caminhos com o suporte da Rádio Arauto. O sábado é dedicado à memória e à experiência, com o Musical Monte Azul animando o encontro da Terceira Idade, seguido pelo balanço do Grupo Presença e Rodado 15.
O ápice musical ocorre no domingo e na segunda-feira, preparando o espírito para o dia do padroeiro. Nomes como San Marino e Sétimo Sentido prometem lotar os pavilhões, transformando a fé em uma confraternização coletiva que une famílias inteiras em torno do tradicional churrasco e das copas repletas de galinhada, prato típico da festividade.
O Ápice: 20 de Janeiro
Tudo converge para a próxima terça-feira. O dia 20 de janeiro é, por lei e por coração, feriado municipal. É o momento em que a promessa se paga e a petição é feita. A partir das 14h, com Wilceu Pause e Mary Pause, a alegria toma conta, mas é no fim da tarde que o silêncio respeitoso domina o centro da cidade.
A procissão dos 150 anos deverá ser a maior já registrada. Milhares de fiéis, muitos caminhando descalços ou carregando velas vermelhas, seguirão a estátua de madeira do soldado romano que preferiu o martírio à renúncia de suas crenças. É um espetáculo de fé que encerra com a benção da saúde, pedida fervorosamente em tempos onde a esperança é o bem mais precioso.
Os números da Fé (Breve Panorama)
Para se ter uma ideia da magnitude, a organização espera que passem pelos pavilhões mais de 50 mil pessoas ao longo dos cinco dias. O voluntariado é o motor da festa: centenas de paroquianos se revezam na cozinha, na limpeza e no acolhimento, provando que o legado de São Sebastião em Venâncio Aires é, acima de tudo, o serviço ao próximo.
Entenda o caso
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