Durante a conversa, Juliana relatou como recebeu a notícia, os desafios emocionais enfrentados, a análise que faz sobre a condução da CPI e o impacto do processo sobre sua atuação política. A vereadora também destacou o apoio da família, do partido, de amigos e da comunidade, além de reafirmar suas prioridades legislativas e seu compromisso com a transparência.
A seguir, a entrevista completa, na íntegra.
ENTREVISTA COMPLETA COM A VEREADORA JULIANA
1. Sobre o processo e a defesa
Como a senhora recebeu oficialmente a notícia do arquivamento da CPI?
Recebi a notícia com serenidade e com a sensação de que a verdade, enfim, estava reconhecida. Desde o início eu afirmava que não havia qualquer irregularidade, e o arquivamento apenas confirmou isso. Foi um alívio para minha trajetória pública e, ao mesmo tempo, uma confirmação pessoal de que sempre exerci minhas funções com responsabilidade e dentro da legalidade.
Em que momento da investigação a senhora sentiu que sua defesa estava plenamente comprovada?
Percebi isso quando apresentei toda a documentação e tive acesso às oitivas, que mostraram de forma evidente que em nenhum momento deixei de cumprir minhas obrigações. Ficou claro para a comissão que o ato questionado ocorreu fora do meu horário de expediente, em um momento de lazer, e que isso não configurava qualquer irregularidade. A partir dali, estava evidente que os fatos caminhavam para confirmar exatamente aquilo que eu sempre havia dito.
A senhora afirmou que colaborou com todas as fases da CPI. Qual foi a parte mais difícil desse processo?
A parte mais difícil foi lidar com a exposição pública em um momento pessoalmente delicado. Quando recebi a denúncia, meu pai estava em tratamento após um AVC, o que naturalmente aumentou a carga emocional da situação. Além disso, eu mesma estava em acompanhamento médico, com um excelente cardiologista, o que certamente me ajudou a enfrentar tudo sem maiores prejuízos à minha saúde.
Também foi angustiante perceber que um ato simples — participar de um evento no meu tempo livre — pudesse ganhar tamanha proporção. Saber que algo tão cotidiano poderia ser interpretado de forma distorcida tornou o processo emocionalmente pesado. Ainda assim, mantive serenidade, cumpri com todas as etapas e confiei que a verdade prevaleceria.
Houve algum momento em que a senhora temeu que a investigação pudesse impactar sua imagem ou trajetória política?
Qualquer investigação pode gerar desgaste, especialmente quando questiona algo que não representa irregularidade. Confesso que houve momentos de preocupação, mas mantive a serenidade porque sabia que minhas ações sempre foram corretas, que tudo estava devidamente documentado e que jamais deixei de comunicar minhas chefias sobre minhas atividades formais. Confiava plenamente que a verdade acabaria se confirmando, como de fato ocorreu.
A senhora acredita que o relatório final representa fielmente os fatos e a documentação apresentada?
Entendo que o relatório final foi exatamente como deveria ser: condizente com a realidade e com os fatos apurados. Não existe qualquer irregularidade em eu, fora do meu horário de expediente, participar de um evento. É até angustiante ter passado por um processo apenas por ter dançado em um momento de lazer — algo que ocorreu fora do meu turno de trabalho, sem que em nenhum momento eu tenha deixado de cumprir minhas obrigações.
O relatório confirmou aquilo que sempre afirmei: não houve crime, não houve quebra de decoro e não houve descumprimento de dever funcional. Todo o meu trabalho foi realizado com responsabilidade, e o documento final da CPI reconhece exatamente isso.
2. Atuação da CPI e transparência
Qual é a avaliação que a senhora faz sobre a condução da Comissão Parlamentar de Inquérito?
A CPI atuou de forma técnica e justa. Todo o material foi analisado e todas as etapas foram seguidas, o que permitiu que a verdade viesse à tona.
Em sua opinião, o processo foi transparente e imparcial do início ao fim?
Sim. Mesmo sendo difícil, houve transparência e imparcialidade. A análise objetiva dos documentos demonstrou isso.
O relatório apontou que não houve quebra de decoro. Como a senhora interpreta esse reconhecimento oficial?
Vejo como a confirmação do óbvio: nenhuma conduta minha contrariou o cargo. Participar de um evento em horário de folga não fere a ética, não fere o decoro e não compromete o exercício da função.
O fato de a CPI ter analisado inclusive atestados médicos mostra que o processo foi profundo. Como a senhora avalia esse nível de rigor?
Acho natural. O rigor foi fundamental para demonstrar — com clareza — que eu sempre cumpri minhas obrigações. E, no fim, esse rigor reforçou a minha inocência.
3. Aspectos pessoais e emocionais
A senhora mencionou na tribuna que este capítulo foi emocionalmente desafiador. Como isso impactou sua vida pessoal?
Impactou profundamente. Foram dias de ansiedade, preocupação e esforço constante para manter meu equilíbrio emocional. Mesmo assim, pude contar com o apoio essencial da minha família, do meu advogado, de amigos, do partido, da bancada e de muitas pessoas que compreendiam que a situação não fazia sentido. Esse suporte foi fundamental para que eu pudesse atravessar esse período sem perder a serenidade e o foco no meu trabalho.
A senhora disse ter feito uma promessa à família ao entrar na política. De que forma essa promessa guiou sua postura durante a investigação?
Prometi que seria sempre eu mesma: correta, transparente e honesta, mantendo minha essência em todas as situações. Essa promessa foi meu guia durante todo o processo, permitindo que eu enfrentasse cada momento com firmeza, serenidade e respeito, sem jamais comprometer meus valores ou meu compromisso com o trabalho.
Como foi lidar com a opinião pública e com as expectativas da comunidade durante esses meses?
Foi desafiador, porque se tratava de uma situação que não se justificava e que provavelmente teve caráter de perseguição política. Mesmo assim, recebi muitas mensagens de apoio de pessoas que compreenderam que eu estava sendo questionada por algo ocorrido fora do meu horário de expediente. Esse apoio me deu força para seguir firme, mantendo meu compromisso com a verdade e com o trabalho pelo município.
4. Relação com o advogado e suporte recebido
Qual foi o papel do advogado Dr. Salo Preuss ao longo do processo?
Ele teve papel fundamental. Atuou com responsabilidade, serenidade e grande competência técnica, apresentando a verdade de forma clara e correta.
O suporte da família e dos amigos foi decisivo para que a senhora mantivesse serenidade nesse período?
Sem dúvida. Sem esse apoio, seria muito mais difícil enfrentar um processo tão desproporcional ao fato questionado.
A senhora recebeu mensagens de apoio da comunidade? Alguma delas marcou de forma especial?
Sim, muitas. Uma delas dizia:
“Assisti à Câmara ontem. Não sabia da CPI e fiquei apavorada. Quero te dizer que estás em minhas preces. Logo vai passar e tu continuas com tua postura, a qual admiro muito. É de se indignar por tamanha maldade. Mas vai ficar tudo esclarecido.”
Essas mensagens mostravam que as pessoas entendiam a realidade dos fatos.
5. Desdobramentos políticos e institucionais
Na sua visão, o encerramento da CPI fortalece sua atuação na Câmara?
Fortalece, porque confirma a verdade e mostra que sempre agi dentro da legalidade. Isso me dá ainda mais segurança para seguir trabalhando.
A senhora acredita que esse processo traz algum aprendizado para o Legislativo como instituição?
Sim. Ensina que investigações devem ser abertas com responsabilidade e base técnica, evitando desgastes desnecessários para todos.
Como a senhora avalia a importância de que investigações sejam conduzidas com responsabilidade e fundamento técnico?
É essencial. Quando um processo carece de fundamento, situações simples podem ganhar dimensões irreais — como foi o meu caso. Investigações técnicas protegem a verdade e fortalecem as instituições.
6. Compromissos e pautas futuras
Após o arquivamento, quais pautas imediatas a senhora pretende reforçar na Câmara?
Vou intensificar ações voltadas ao desenvolvimento do município, melhorias na saúde, educação, cultura e na fiscalização, que é uma das funções mais importantes do legislativo.
De que forma esse episódio reforça — ou transforma — seu compromisso com a transparência e com a população?
Reforça ainda mais. Passar por algo tão desproporcional me faz ter ainda mais compromisso com a verdade e com a clareza no exercício do mandato.
Que mensagem a senhora deixa para os munícipes após o encerramento desse processo?
Agradeço profundamente a todos que confiaram em mim e acompanharam o processo. Sigo trabalhando com seriedade e ainda mais motivada a honrar cada voto e cada gesto de apoio.
7. Fechamento
Se pudesse resumir este episódio em uma palavra ou frase, qual seria?
Foi angustiante ser investigada por algo que não constitui irregularidade, mas hoje vejo este momento como um recomeço com mais força, responsabilidade e transparência.
A senhora acredita que este capítulo marca um novo momento do seu mandato?
Sim. Fecha-se um ciclo injusto e desgastante, e inicia-se outro com ainda mais compromisso e dedicação ao trabalho e à comunidade.
Há algo que a senhora gostaria de acrescentar que não foi perguntado?
Gostaria de reforçar meu sincero agradecimento à população pelo apoio e confiança durante todo esse processo. Reafirmo meu compromisso com a verdade, a ética e o desenvolvimento do nosso município, sempre pautando meu trabalho na seriedade e na transparência. Este episódio também reforça a importância de fortalecer a participação das mulheres na política, garantindo que nossa voz seja ouvida e respeitada. Seguiremos lutando pelo nosso espaço e para que a presença feminina na política nunca seja silenciada.
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