Pular para o conteúdo principal
sexta-feira, 04 de setembro de 2026   Vale do Rio Pardo Indicadores atualizados Edição Digital
Opinião

Negar os interesses mesquinhos ou o Evangelho?

O Papa Leão XIV iniciou sua primeira encíclica com uma afirmação programática, fruto de uma lúcida visão da história: “Cada geração recebe em herança a tarefa de fazer da história um lugar…

 

 

 

 

O Papa Leão XIV iniciou sua primeira encíclica com uma afirmação programática, fruto de uma lúcida visão da história: “Cada geração recebe em herança a tarefa de fazer da história um lugar onde a dignidade de cada pessoa seja salvaguardada, a justiça promovida e a fraternidade possibilitada.  Sobre cada época paira também o risco de construir um mundo desumano e mais injusto” (Magnifica Humanitas, § 1).

Isso significa que, tanto como cristãos como enquanto cidadãos, precisamos evitar duas posturas igualmente inconsequentes: viver recordando as conquistas do passado e venerando heróis nem sempre veneráveis; dispensar-nos da responsabilidade de projetar e construir um país e um mundo humano e justo, como se isso fosse algo impossível ou uma tarefa que pode ser delegada a alguns poucos cidadãos.

A celebração da Semana da Pátria é um programa legítimo e pedagogicamente oportuno, na medida em que ajuda a cimentar a unidade do povo brasileiro a partir de um dos seus eventos fundacionais. Mas torna-se perigosamente vazia e até nociva se nos induz a pensar a independência e a soberania do país como se fosse um fato já consolidado, e a isolar Dom Pedro, o filho do rei colonizador, da plêiade de interesses aos quais servia.

O que ressoou no longínquo 7 de setembro de 1822, já sabemos, não foi apenas o “heroico brado de um povo retumbante”, e o “sol da liberdade” e da soberania está hoje encoberto por nuvens tenebrosas que vêm do Norte e contam com a colaboração escancarada e inconfidente de outros Calabar e outros Silvério dos Reis. A independência, a democracia e a soberania nacional são conquistas sempre precárias e inacabadas.

Por isso, mesmo que não seja possível ver claramente o que está acontecendo no Planalto Central e nas instituições lá domiciliadas, é mais do que necessário juntar ao grito do Ipiranga a voz de um povo lucidamente indignado que proclama, como Sepé, um dos heróis da pátria: “Alto lá! Esta terra tem dono!” Se outrora sacudimos o domínio de Portugal e, depois, da Inglaterra, não podemos voltar a ser quintal de ninguém.

Longe de nós a cômoda e criminosa passividade diante da sanha dos prepotentes, sejam eles ianques ou tupiniquins. É verdade que as fronteiras nacionais não são alfândega para o Povo que nasce do lado esquerdo de Jesus Cristo. Mas, como cristãos, não podemos desviar, como fizeram o sacerdote e o levita da parábola (Lucas 10,25-37), diante de um povo que pode sofrer a rapina de poderes que se julgam divinos.

Transparência editorial

Informações sobre a produção, autoria e atualização desta publicação.

Tipo de conteúdo Opinião
Fonte/Origem Colunista/Opinião
Autor Dom Itacir Brassiani msf Bispo Diocesano de Santa Cruz do Sul
Atualização 04/09/2026 às 18:08
Categoria Opinião
Leitura 3 min
Extensão 456 palavras
Este conteúdo representa a análise ou opinião do autor identificado. A Gazeta Popular mantém páginas públicas de referência editorial, canais de contato e política de correções.
  • Autoria identificada
  • Data de atualização visível
  • Política editorial pública
  • Canal de correção disponível

Entenda o caso

O que aconteceu?Negar os interesses mesquinhos ou o Evangelho?
Onde?Local não informado
Fonte da informaçãoRedação Gazeta Popular

Transparência editorial

Tipo de conteúdoNotícia
Fonte/OrigemApuração/Redação
Última atualização04/09/2026 às 18:08

O Gazeta Popular mantém páginas públicas de referência editorial para facilitar a identificação da equipe, critérios de publicação e canais de contato.