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domingo, 09 de agosto de 2026   Vale do Rio Pardo Indicadores atualizados Edição Digital
Opinião

“E o mundo viverá como um só…”

Em 1971, quando a guerra promovida pelos EUA contra o Vietnã fervia e matava, John Lennon compôs e gravou uma canção que se tornaria um provocativo libelo pela paz: “Imagine que não exista paraíso, nenhum inferno sob nós, e, acima de nós, apenas o céu. Imagine que não há países...

Em 1971, quando a guerra promovida pelos EUA contra o Vietnã fervia e matava, John Lennon compôs e gravou uma canção que se tornaria um provocativo libelo pela paz: “Imagine que não exista paraíso, nenhum inferno sob nós, e, acima de nós, apenas o céu. Imagine que não há países, nenhum motivo para matar ou morrer”. 

E prosseguia, instigando nossa imaginação: “Imagine todas as pessoas vivendo a vida em paz. Imagine que não existam posses, ganância ou fome. Imagine todas as pessoas compartilhando o mundo. Você pode dizer que sou um sonhador, mas eu não sou o único. Eu espero que algum dia você se junte a nós, e o mundo viverá como um só”.

Não precisamos compartilhar a escala de valores do ex-Beatle para justificar o engajamento pela paz e pela igualdade. Zacarias, o pai de João Batista, saudou Jesus de Nazaré como o “Sol que nasce do alto para guiar nossos passos no caminho da paz” (Lucas 1,79). E, no seu nascimento, os coros celestes cantaram: “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos que ele ama” (Lucas 2,14).

Em 1963, antes de John Lennon e no calor da ‘guerra fria’, o Papa João XXIII escreveu Pacem in terris, onde afirma que a paz entre os povos se baseia na verdade, na justiça e na liberdade, e que as tensões entre países não são superadas com a força das armas ou com a mentira. E cita S. Agostinho: “Sem a justiça, os reinos não passam de latrocínio”.

Nesta encíclica dirigida a todas as pessoas de boa vontade, João XXIII diz também que as relações internacionais devem se desenvolver “em uma solidariedade dinâmica”, através de colaboração econômica, social, política e cultural, etc.” Na busca dos próprios interesses, uma nação não pode prejudicar as outras, mas somar e conjugar esforços.

Mais recentemente, Francisco, o ‘papa argentino’, escreveu que o que leva à guerra é a “falta de horizontes capazes de nos fazer convergir para a unidade”, e isso destrói o projeto de fraternidade próprio da humanidade. Mas não haverá paz social sem igualdade concreta e sem desenvolvimento humano integral (cf. Fratelli tutti, §§ 26; 235).

Vivemos tempos em que multiplicam elogios à guerra e às diversas formas de violência, não apenas praticadas, mas também divulgadas com grande velocidade e intensidade. Governantes com graves sinais de perturbação psíquica têm nas mãos meios que colocam toda a humanidade em risco.  E um bando de ensandecidos os apoiam, qualificando como animais e monstros aqueles que não compartilham suas cartilhas. 

Não quero ser um sonhador solitário! Que o Senhor nos guie num caminho de paz!

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Tipo de conteúdo Opinião
Fonte/Origem Colunista/Opinião
Autor Gazeta Popular
Atualização 16/04/2026 às 22:02
Categoria Opinião
Leitura 3 min
Extensão 479 palavras
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O que aconteceu?“E o mundo viverá como um só…”
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Fonte da informaçãoRedação Gazeta Popular

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Última atualização16/04/2026 às 22:02

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