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sexta-feira, 18 de setembro de 2026   Vale do Rio Pardo Indicadores atualizados Edição Digital
Opinião

Apenas um intervalo entre sucessivos conflitos?

Por Dom Itacir

No último domingo a Diocese celebrou a 25ª Romaria de da Santa Cruz. As reflexões e orações abordaram a Paz, dom de Jesus Cristo no abraço da cruz e tarefa que confia aos seus discípulos e discípulas. Dos lábios de Jesus ressoa uma declaração: “Bem-aventurados os que promovem a paz!” (Mt 5,9). E, na noite da Páscoa, um anúncio aos discípulos sitiados pelo medo e pela sensação de fracasso: “A paz esteja convosco!” (Jo 20,19).

Esta shalom, que Jesus oferece como dom e pede que cultivemos incansavelmente, corresponde ao que entendemos quando desejamos “tudo de bom” aos nossos amigos. Esta paz não se restringe a uma mera sensação psicológica de tranquilidade e segurança ou à ausência de guerra. Na Bíblia, a paz vem sempre abraçada às relações e situações de justiça e de bem-estar coletivo, e inclui saúde, segurança, alimentação e cidadania.

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São João XXIII ensina que a paz duradoura entre os povos requer instituições e relações inspiradas na dignidade de cada pessoa. Por isso, São Paulo VI criou, em 1967, o Pontifício Conselho Justiça e Paz para promover a cultura da paz, o desenvolvimento integral e a superação da pobreza e das desigualdades no interior dos países e em âmbito internacional. É nesta moldura que o compromisso cristão com a paz adquire sentido.

Desde então, a Igreja católica vem advertindo que a paz que não se reduz à ausência de guerras, e se concretiza no desenvolvimento humano integral, na passagem de condições de vida menos humanas para condições mais humanas. Nesta perspectiva, o desenvolvimento humano e social integral é o novo nome da paz, na medida em que elimina as raízes da injustiça e do conflito e abre espaços a uma vida digna para todos.

Não podemos conformar-nos em proclamar a paz de forma abstrata. O Papa Leão XIV sublinha que há uma clara interdependência entre a paz e o desenvolvimento, de modo que a prosperidade econômica só contribui para a paz só for generalizada, inclusiva e sustentável. Enquanto existirem pessoas, povos excluídos de uma vida digna, devemos aferir as estruturas econômicas e políticas a partir daqueles que são deixados à margem.

No contexto da cultura violenta e assentada no poder e no medo da qual bebemos, o outro e toda a criação não são vistos como irmãos e irmãs, mas como incômodos, concorrentes ou inimigos que devem ser desprezados, dominados e vencidos, enquanto que a paz é vista apenas como “um intervalo precário entre conflitos”. Como cristãos, não podemos compartilhar essa visão, e não podemos tratar a paz como um tema entre tantos outros.

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Tipo de conteúdo Opinião
Fonte/Origem Colunista/Opinião
Autor Dom Itacir Brassiani msf Bispo Diocesano de Santa Cruz do Sul
Atualização 18/09/2026 às 16:23
Categoria Opinião
Leitura 3 min
Extensão 479 palavras
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Entenda o caso

O que aconteceu?Apenas um intervalo entre sucessivos conflitos?
Onde?Local não informado
Fonte da informaçãoRedação Gazeta Popular

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Fonte/OrigemApuração/Redação
Última atualização18/09/2026 às 16:23

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