Chegamos à época do ano mais aguardada por gaúchos e gaúchas de todas as querências.
Por Breno Pires

Buenas amigos leitores
Chegamos à época do ano mais aguardada por gaúchos e gaúchas de todas as querências.
Uma breve reflexão sobre um dos períodos mais interessantes do calendário de eventos do Rio Grande do Sul. E, como sempre, não se pode fugir de um pouco de polêmica, como manda o figurino, kkk. Ah, essa coluna pode conter conteúdo sintético.
* Guerra dos Farrapos
Como já escrevi em outras oportunidades, esta é a data magna do calendário gaúcho.
Seria a nossa “data nacional”. E foi como nos escreveu a ilustre professora Sandra Jatahy Pesavento: “no Rio Grande do Sul eclodiu a Revolução Farroupilha, que durante dez anos enfrentou o governo central… o líder Bento Gonçalves justificou a posição (de fazer a revolução) assumida, enfatizando que a Proclamação da República (rio-grandense) fora o último recurso tentado ante o esgotamento das possibilidades de entendimento com o Império”. (História do Rio Grande do Sul, 7ª ed., página 37/38).
E os gaúchos foram às armas, com a ressalva de que “a rebelião era sustentada pelos estancieiros gaúchos que mobilizaram a sua peonada…” (p.39).
Dez anos depois, ou seja, materializado nosso “decênio heroico”, a rebelião chegou a seu fim. “Em nome do Império, Caxias (Duque, chefe das forças militares imperiais que combatiam os farrapos) ofereceu aos farrapos uma anistia geral e ‘paz honrosa’, resultando na assinatura … da ‘Paz do Ponche Verde’”. (p. 39)
E conclui a professora Sandra: “iniciou-se, após a revolução, um período de apogeu da dominação regional dos pecuaristas sulinos embora se confirmasse, a nível nacional, a submissão da província (RS) aos interesses do centro do país”. (p. 40).
* Semana Farroupilha
É o período em que se comemora a Revolução Farroupilha aqui no Rio Grande do Sul. Isso todo munda sabe, certo?
As comemorações são consideradas um dos mais consistentes fenômenos socioculturais do Brasil, funcionam como um poderoso ritual de construção e reconstrução, manutenção e projeção da identidade gaúcha, em especial daquela identidade ligada ao homem do campo, aquele indivíduo cujas raízes estavam ligadas às atividades campesinas, em especial a pecuária (é a peonada a serviço dos estancieiros que formavam a grande maioria das tropas farrapas, como disse a professora Santa Pesavento).
Não à toa então que as comemorações farroupilhas reproduzem exatamente isso: um histórico ligado ao campo, ao gado, à estância, à terra… Aqui já cabe uma questão: e o gaúcho urbano?
* Tradição e modernidade
Obviamente que hoje, destacar àquela tradição campesina restringe-se quase que unicamente ao culto ou ao cultivo dessa tradição, principalmente se levarmos em conta o cenário político, social, econômico, geográfico e cultural atual. O Rio Grande se urbanizou, a sociedade tornou-se mais complexa, a economia industrial, comercial e financeira superou em importância a pecuária.
* Entendo, mas não aceito
Ocorre que, no contexto de evolução que marca esse processo de comemoração, as pessoas esquecem que tudo se restringe a comemoração mesmo. A esmagadora maioria daqueles que participam ativamente dos festejos farroupilhas hoje em dia não trabalha mais no campo, não vive da lida campeira, quiçá mora longe das cidades…
Porém, e sempre há poréns, não é raro encontrar gente que se ache “mais gaúcho ou gaúcha” do que os outros, pelo simples fato de que frequenta CTG, tem o hábito de andar de bombachas, sabe usar um laço, gosta de andar a cavalo, etc.. Isso é uma grande bobagem.
E nesse contexto de apropriação do ser gaúcho no âmbito das comemorações que expressões como “gaúcho de apartamento” denotam duas condições diferentes, porém interdependentes: primeiro, um preconceito muito grande contra os gaúchos que, nesta época de festas e comemorações, gostam de “se vestir à caráter”, e por as pilchas, como manda a tradição, não sendo morador ou trabalhador do campo…; depois, que isso é uma contundente prova de ignorância, pois não sabe o vivente que em matéria de tradição e culto envolto em festa, o importante, para quem quer e/ou gosta, é fazer parte da festa?
Outro dia, um conhecido que me viu de bombachas (mal sabe ele que as uso com muita frequência), me disse: daí gauchinho de cidade… Mas veja bem o preconceito e a ignorância: o próprio indivíduo mora na cidade e estava ali, com uma bombachinha tão justa que até acho que lhe poderia trazer problemas (e leva-lo ao urologista, ahahahahahah). E está tudo bem ele morar na cidade, dançar rebolativamente um arroxa e usar bombacha atoladinha, etc, pois ninguém tem nada a ver com isso; só não venha apontar o dedo e se achar mais gaúcho do que eu, pois que não é. Não é mesmo!
O preconceito e a ignorância costumam andar de mãos dadas…
Pensemos nisso, e bons festejos farroupilhas a todos nós.
Bom fim de semana e até à próxima, se Deus quiser.
Transparência editorial
Informações sobre a produção, autoria e atualização desta publicação.
- Autoria identificada
- Data de atualização visível
- Política editorial pública
- Canal de correção disponível
Entenda o caso
Transparência editorial
O Gazeta Popular mantém páginas públicas de referência editorial para facilitar a identificação da equipe, critérios de publicação e canais de contato.

