Aos 26 anos, Leonardo já acumula sete anos de experiência nas estradas
O Dia Nacional do Caminhoneiro, celebrado em 16 de setembro, presta homenagem aos profissionais que percorrem as estradas transportando alimentos, combustíveis, medicamentos, matérias-primas e outros produtos essenciais ao abastecimento do país. A data foi instituída pela Lei...

A data foi instituída pela Lei Federal nº 11.927, de 17 de abril de 2009, sancionada pelo então vice-presidente José Alencar Gomes da Silva, que exercia a Presidência da República. Embora 16 de setembro seja a data oficial em âmbito nacional, os caminhoneiros também são tradicionalmente homenageados em 25 de julho, Dia de São Cristóvão, considerado o padroeiro dos motoristas e viajantes.
Para mostrar um pouco da realidade de quem vive nas estradas, a Gazeta Popular conversou com Leonardo Lopes de Melo, de 26 anos. Morador de Capela dos Cunha, em Santa Cruz do Sul, ele trabalha como caminhoneiro há sete anos e transporta principalmente cargas paletizadas e grãos.
Suas viagens passam por diferentes regiões do país, incluindo os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais, Goiás e Tocantins, além do Distrito Federal.
Paixão começou com o exemplo do pai
Leonardo conta que, durante a infância, não imaginava que seguiria a profissão. A aproximação com os caminhões começou aos 12 anos, quando seu pai adquiriu o primeiro veículo de carga.
Com o passar do tempo, vieram o segundo e o terceiro caminhões. Leonardo acompanhou esse crescimento, passou a conhecer melhor o trabalho e começou a aprender sobre a rotina das estradas.
— Durante a infância, nunca imaginei que tomaria gosto pela profissão. Aos 12 anos, meu pai comprou o primeiro caminhão. Depois vieram o segundo e o terceiro. Durante todos esses anos, acompanhei tudo, comecei a entender o trabalho e a aprender sobre a estrada. Aos 19 anos, tirei minha primeira habilitação para veículos pesados. Dali para a frente, tudo mudou. É uma paixão que não tem explicação — relata.
Viagens podem durar mais de 15 dias
A rotina exige disposição para enfrentar longas distâncias e permanecer afastado de casa. Segundo Leonardo, as viagens mais extensas podem durar 15 dias ou mais, especialmente quando realiza diferentes carregamentos antes de retornar.
— A rotina acaba sendo cansativa, principalmente pelas condições de muitas rodovias. Também faltam estruturas dignas para as paradas de descanso e locais seguros para pernoitar. Nas viagens mais longas, costumo permanecer 15 dias ou mais longe de casa, pois geralmente transporto outras cargas antes de retornar — explica.
Entre as experiências vividas, a primeira viagem longa conduzindo uma carreta permanece como uma das lembranças mais marcantes. O trajeto foi realizado entre Rosário do Sul, no Rio Grande do Sul, e São José do Rio Pardo, em São Paulo.
— Foi a viagem que mais me marcou porque eu estava conhecendo tudo pela primeira vez. Era uma experiência completamente nova — recorda.
Estradas ruins aumentam custos e riscos
As condições das rodovias estão entre as principais preocupações do caminhoneiro. Buracos, pavimento irregular e falta de conservação podem provocar atrasos, aumentar o consumo de combustível e antecipar o desgaste de pneus, suspensão e outros componentes.
— As condições ruins aumentam os riscos de acidentes e atrasam bastante as viagens. Também geram mais manutenção no caminhão devido ao desgaste prematuro causado pela má qualidade das estradas, além de aumentarem o consumo de combustível — afirma.
A Pesquisa CNT de Rodovias 2025 avaliou 114.197 quilômetros de estradas pavimentadas no país. Desse total, 62,1% foram classificados como regulares, ruins ou péssimos em relação ao estado geral. O cenário afeta diretamente a segurança dos motoristas e os custos do transporte.
Custos pesam sobre os autônomos
Para Leonardo, a situação é ainda mais difícil para os caminhoneiros autônomos. Além do valor do combustível, eles precisam arcar com manutenção, impostos e diferentes exigências necessárias para exercer a atividade regularmente.
— Para os autônomos, um dos maiores desafios é o custo para estar de acordo com a legislação e com as obrigações tributárias. O diesel representa uma das maiores despesas de cada viagem, e a manutenção de veículos pesados nunca foi barata — observa.
Ele avalia que a remuneração oferecida atualmente está distante do necessário para cobrir adequadamente os custos e valorizar o trabalho. Leonardo também relata que as regras relacionadas ao piso mínimo do frete nem sempre produzem os resultados esperados na prática.
— A intenção do piso mínimo era melhorar a remuneração, mas os resultados são mistos. Em determinadas situações, houve redução na oferta de viagens e muitos autônomos continuam sendo pressionados a aceitar valores irregulares — declara.
Distância da família é uma das dificuldades
Além das despesas e das condições das rodovias, a ausência nos momentos familiares representa um dos aspectos mais difíceis da profissão.
— Muitas vezes perdemos momentos nos quais gostaríamos de estar em casa. Em algumas situações, conseguimos nos programar e torcer para que tudo dê certo, tentando chegar a tempo das ocasiões especiais. Quando retorno de viagem, procuro tirar alguns dias de folga — conta.
Os cuidados com a saúde também precisam fazer parte da rotina. Entretanto, manter uma alimentação equilibrada e horários regulares de descanso nem sempre é fácil para quem passa vários dias viajando.
— É difícil manter uma alimentação saudável porque a rotina é cansativa e precisamos de energia durante a jornada. Procuro estar bem e descansado para manter a atenção diante das adversidades do trânsito, que está cada vez mais perigoso — ressalta.
Desvalorização preocupa
Desde que começou a trabalhar como caminhoneiro, Leonardo percebeu mudanças importantes no setor. Entre elas, destaca a crescente dificuldade enfrentada pelos profissionais autônomos para competir com as grandes transportadoras.
— O que mais chama a atenção atualmente é a desvalorização da categoria e a dificuldade dos autônomos para disputar espaço com as grandes empresas — afirma.
Apesar dos desafios, o jovem mantém o orgulho da profissão e reconhece a importância do trabalho desenvolvido pelos colegas em todas as regiões brasileiras.
“Cada quilômetro rodado é uma vitória”
Ao deixar sua mensagem pelo Dia Nacional do Caminhoneiro, Leonardo destacou a força dos profissionais, a fé durante as viagens e o desejo de que todos retornem em segurança para suas famílias.
— A carga é pesada, mas a força do caminhoneiro é muito maior. Cada quilômetro rodado representa uma vitória e a certeza de que ajudamos a movimentar o país com suor e coragem. Que Deus siga à frente, guiando o volante; que a estrada seja nossa aliada; e que o destino final sempre traga o abraço de quem nos espera em casa — deseja.
Para Leonardo, ser caminhoneiro vai muito além de conduzir um veículo pesado:
— O verdadeiro caminhoneiro não é aquele que apenas dirige um caminhão, mas aquele que transporta sonhos e esperanças e mantém o país em movimento. Que Deus proteja cada profissional e o conduza de volta à sua família depois de cada viagem.
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