O tabaco brasileiro não foi incluído na lista de produtos que ficarão livres da nova tarifa imposta pelos Estados Unidos. A sobretaxa adicional de 25% sobre as importações brasileiras começa a valer a partir das 0h01 do dia 22 de julho, conforme determinação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
A medida alcança milhares de produtos brasileiros. Entre as exceções estão carnes bovinas, café, laranja e suco de laranja, alguns produtos de energia, além de aeronaves e componentes aeronáuticos. O tabaco, no entanto, não aparece no Anexo II da norma norte-americana, que reúne os itens excluídos da cobrança.
O impacto preocupa especialmente o Rio Grande do Sul e o Vale do Rio Pardo, onde a fumicultura tem forte participação econômica. Os Estados Unidos respondem por aproximadamente 9% das exportações brasileiras de tabaco. Em 2025, os embarques para o mercado norte-americano somaram US$ 195,3 milhões, queda de 23,4% em relação ao ano anterior. No primeiro semestre de 2026, foram exportados US$ 88,8 milhões, redução de 31% na comparação com o mesmo período de 2025.
A nova tarifa pode reduzir a competitividade do produto brasileiro, dificultar a assinatura de contratos e pressionar a renda dos produtores. O Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) avalia que medidas dessa natureza afetam o planejamento das empresas e dos agricultores.
A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) defende a continuidade das negociações diplomáticas para tentar retirar o tabaco da lista de produtos taxados. A entidade também avalia que, caso a cobrança seja mantida, poderão ser necessárias medidas de apoio, como linhas especiais de crédito e políticas de compensação para os setores exportadores.
A Associação Comercial e Industrial de Santa Cruz do Sul também acompanha o cenário com preocupação. Para a entidade, os efeitos podem alcançar toda a economia regional, afetando investimentos, planejamento empresarial e a confiança nas relações comerciais entre os dois países. A diversificação dos mercados compradores é apontada como uma das alternativas para reduzir a dependência das exportações aos Estados Unidos.
O governo norte-americano afirma que a tarifa foi aplicada após investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Segundo o USTR, foram analisadas questões relacionadas ao comércio digital, ao Pix, às tarifas preferenciais, à proteção da propriedade intelectual, ao acesso do etanol e ao desmatamento ilegal.
O governo brasileiro contesta as justificativas e afirma que permaneceu aberto ao diálogo durante as negociações. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que o Brasil iniciará os procedimentos previstos na Lei da Reciprocidade e levará o caso ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio.
Para a cadeia do tabaco, o principal desafio será preservar os contratos e a participação brasileira no mercado norte-americano sem transferir integralmente o custo da nova tarifa para as empresas e os produtores.
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