O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) instalou nesta semana, em Brasília, a Câmara Temática das Mulheres Rurais, um novo espaço de diálogo e formulação de políticas públicas voltadas à ampliação da participação feminina no agronegócio e na agricultura brasileira.
Vinculada ao Conselho Nacional de Política Agrícola (CNPA), a iniciativa foi criada por meio da Portaria nº 892, publicada em março deste ano, e tem como principal objetivo promover o desenvolvimento, a inclusão produtiva, a autonomia econômica e a valorização do trabalho das mulheres que atuam no campo, nas águas e nas florestas.
A nova Câmara reúne representantes de 23 instituições públicas e privadas, além de universidades, cooperativas, organismos internacionais e movimentos sociais. O grupo terá a missão de identificar desafios enfrentados pelas mulheres rurais, propor ações para ampliar oportunidades e acompanhar a implementação de políticas públicas voltadas ao segmento.
Durante a cerimônia de instalação, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, destacou o avanço da participação feminina em cargos de liderança no Brasil e ressaltou a crescente presença das mulheres em setores estratégicos para o desenvolvimento nacional.
O ministro também citou o reconhecimento internacional da pesquisadora da Embrapa, Mariangela Hungria, recentemente premiada por sua contribuição à ciência agrícola, destacando o papel das mulheres na pesquisa e inovação do agronegócio brasileiro.
A presidente da Câmara Temática e diretora de Promoção do Agronegócio da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Ângela Peres, afirmou que a criação do colegiado representa um importante reconhecimento da contribuição feminina para a agropecuária nacional.
Segundo ela, a Câmara nasce com a responsabilidade de assessorar o Ministério da Agricultura na construção de soluções que ampliem a inclusão produtiva, fortaleçam a autonomia econômica e criem novas oportunidades para as mulheres rurais em todo o país.
Participação feminina cresce no campo
Dados apresentados pelo governo federal mostram que o Brasil possui cerca de 5,07 milhões de estabelecimentos agropecuários. Destes, aproximadamente 947 mil são dirigidos por mulheres, representando 19% do total.
O número demonstra uma evolução significativa nas últimas décadas. Em comparação com o Censo Agropecuário de 2006, houve um crescimento de 44,2% no número de mulheres à frente de propriedades rurais. Naquele período, a participação feminina na direção dos estabelecimentos era de 13%.
A região Nordeste concentra a maior parte das propriedades comandadas por mulheres, com 57% dos estabelecimentos liderados por produtoras rurais. Em seguida aparecem as regiões Sudeste (14%), Norte (12%), Sul (11%) e Centro-Oeste (6%).
Para especialistas e representantes do setor, os números demonstram uma transformação gradual no perfil da agropecuária brasileira, com maior presença feminina na gestão de propriedades, cooperativas, associações e empreendimentos rurais.
Cooperativismo e empreendedorismo em pauta
Durante o evento, a presidente-executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, destacou que as mulheres já representam a maioria dos cooperados em diversas cooperativas brasileiras e que sua participação na produção agropecuária cresce de forma constante.
Segundo ela, o fortalecimento de políticas públicas voltadas ao público feminino é fundamental para acompanhar essa evolução e garantir mais oportunidades de desenvolvimento econômico e social no meio rural.
A consultora Vera Daller, responsável pelo primeiro programa de gênero do Ministério da Agricultura, também ressaltou a importância da retomada de iniciativas voltadas às mulheres dentro da Pasta, lembrando que o ministério foi pioneiro na implementação de programas específicos para o segmento.
Objetivos da Câmara
Entre as principais atribuições da Câmara Temática das Mulheres Rurais estão:
- Identificar obstáculos enfrentados pelas mulheres no meio rural;
- Propor ações para ampliar oportunidades econômicas e produtivas;
- Incentivar o empreendedorismo feminino;
- Ampliar o acesso a mercados nacionais e internacionais;
- Fortalecer a participação em cooperativas, associações e cadeias produtivas;
- Acompanhar políticas públicas voltadas ao setor.
As reuniões ordinárias ocorrerão pelo menos uma vez por ano, podendo haver encontros extraordinários sempre que necessário.
A expectativa do Ministério da Agricultura é que o novo colegiado contribua para fortalecer o protagonismo feminino no campo e ampliar a participação das mulheres em todos os segmentos da agropecuária brasileira.
Entenda o caso
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