O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirma que o país já deveria ter iniciado um ciclo de redução dos juros, sob risco de agravamento da perda de dinamismo da economia e do mercado de trabalho. Segundo ele, a permanência da Selic em 15% configura uma “medida excessiva e prejudicial”, especialmente porque o próprio Copom reconhece que os efeitos restritivos da política monetária atual ainda não se manifestaram integralmente.
“Há espaço para uma mudança gradual na política monetária sem comprometer a convergência da inflação para a meta”, defende Alban.
Juros reais entre os mais altos do mundo
A CNI destaca que a taxa de juros real no Brasil – calculada com base nas expectativas de inflação – deve encerrar 2025 em cerca de 10,5% ao ano, número que supera em aproximadamente 5,5 pontos percentuais a taxa neutra estimada pelo Banco Central. Com isso, o país segue entre as nações com juros reais mais elevados do mundo, atrás apenas da Turquia.
Alta dos juros freia crédito, investimento e consumo
Para o diretor de Economia da CNI, Mario Sérgio Telles, a desaceleração da economia brasileira está diretamente ligada ao ciclo de juros altos. Ele aponta que o crédito, principal motor do consumo e do investimento, mostra retração expressiva:
Crescimento das concessões de crédito: caiu de mais de 10% em 2024 para cerca de 3,6% em 2025, com projeção de apenas 3% em 2026.
Projeção de crescimento do consumo em 2026: apenas 1,8%, resultado que Telles classifica como “queda muito grande provocada pelos juros”.
A entidade também estima que a taxa de juros de equilíbrio – compatível com o controle da inflação e o pleno emprego – deveria estar perto de 10,5% ao ano, o que indica que a Selic atual opera 4,5 pontos acima do necessário, refletindo, segundo a CNI, uma postura “demasiadamente conservadora” do Banco Central.
Economia perde força ao longo de 2025
Os dados recentes confirmam o cenário de desaceleração:
PIB do 3º trimestre de 2025 cresceu apenas 0,1%, ritmo menor do que o registrado no 2º trimestre (0,3%) e muito aquém da expansão do 1º trimestre (1,5%).
Produção industrial acumula alta de apenas 0,8% entre janeiro e outubro, segundo o IBGE.
Mercado de trabalho e setor financeiro também sentem impacto
O enfraquecimento da atividade econômica já aparece no emprego. No trimestre encerrado em outubro, o crescimento do número de ocupados foi de apenas 0,1%.
No sistema financeiro, a combinação de juros elevados e inadimplência crescente reduziu o ritmo das concessões de crédito. Em 12 meses, o volume caiu de 10,7% (dez/2024) para 4,5% (out/2025).
A CNI ressalta ainda que os juros altos pressionam as contas públicas. De acordo com cálculos do Banco Central, cada 1 ponto percentual de aumento na Selic eleva a dívida bruta do governo geral em R$ 55,6 bilhões ao longo de 12 meses.
Inflação volta para o intervalo de tolerância
Apesar do freio monetário, a inflação dá sinais de acomodação. O IPCA de novembro subiu 0,18%, levando a inflação acumulada em 12 meses a 4,46%, dentro do intervalo de tolerância da meta.
As expectativas de inflação divulgadas no Boletim Focus também continuam em queda:
IPCA 2025: 4,4%
2026: 4,16%
2027: 3,8%
2028: 3,5%
Para a CNI, tais indicadores reforçam que há margem para flexibilização da política monetária sem risco relevante para a estabilidade de preços.
Fonte: Brasil 61
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