Juventude rural cobra mais espaço e participação nos sindicatos da região
Carta elaborada pela Comissão Estadual de Jovens da FETAG-RS foi entregue às lideranças sindicais durante encontro realizado em Vera Cruz

A participação dos jovens nas decisões do movimento sindical e a criação de condições para a permanência das novas gerações no campo estiveram entre os temas debatidos durante a reunião mensal da Regional Sindical Vale do Rio Pardo e Baixo Jacuí. O encontro ocorreu na terça-feira, 4 de agosto, no Clube Vera Cruz.
Durante a programação, a coordenadora regional de Jovens entregou aos presidentes dos sindicatos uma carta elaborada pela Comissão Estadual de Jovens Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (FETAG-RS).
O documento busca fortalecer o diálogo entre a juventude rural e as diretorias sindicais, além de incentivar a abertura de espaços para que os jovens participem das decisões e das atividades realizadas pelas entidades. A iniciativa também chama atenção para a necessidade de renovação das lideranças e continuidade do trabalho desenvolvido pelo movimento sindical da agricultura familiar.
Permanência no campo
A pauta da juventude rural envolve desafios como acesso à terra, crédito, formação profissional, conectividade, renda, moradia e participação nas decisões das propriedades familiares. A ausência dessas condições pode dificultar a sucessão rural e levar parte dos jovens a buscar oportunidades nos centros urbanos.
Entre as políticas destinadas a esse público está o Pronaf Jovem, linha de crédito direcionada a agricultores familiares com idade entre 16 e 29 anos. Dados apresentados pela FETAG-RS, no entanto, indicam redução expressiva na utilização do programa: no Brasil, o número de operações passou de 510 na safra 2017/2018 para apenas 38 durante a safra 2024/2025. Para a entidade, os números demonstram a necessidade de reformulação e ampliação do acesso à linha de financiamento.
Além do crédito para implantação ou ampliação de atividades produtivas, o acesso à terra é apontado como uma das condições necessárias para garantir autonomia aos jovens. Programas de crédito fundiário também são considerados instrumentos importantes para estimular a sucessão familiar e assegurar a continuidade da produção de alimentos nas propriedades rurais.
Diagnóstico sobre a juventude rural
Em 2026, a FETAG-RS e o Instituto Federal Sul-rio-grandense iniciaram uma pesquisa para identificar os fatores que influenciam a permanência ou a saída dos jovens do campo. O estudo também pretende avaliar o acesso às políticas públicas e as formas de participação social e política da juventude rural.
Com investimento de R$ 200 mil do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o projeto abrangerá 34 municípios da região central do Estado. A previsão é mobilizar aproximadamente 30 sindicatos e aplicar questionários a mais de mil jovens durante dois anos de trabalho.
A pesquisa deverá auxiliar na identificação de dificuldades relacionadas ao trabalho, à renda e às oportunidades disponíveis nas comunidades rurais, contribuindo para a elaboração de políticas e ações mais adequadas à realidade das novas gerações.
Renovação do movimento sindical
A entrega da carta aos presidentes dos sindicatos do Vale do Rio Pardo e Baixo Jacuí representa uma tentativa de aproximar os jovens das estruturas sindicais. Entre os objetivos estão incentivar a formação de novas lideranças, ampliar a presença juvenil em reuniões e comissões e permitir que esse público participe da construção das pautas defendidas pelas entidades.
A Comissão Estadual de Jovens já vem promovendo encontros para planejar atividades, organizar eventos regionais, mapear dirigentes jovens e discutir políticas públicas voltadas ao meio rural.
Com a entrega do documento, caberá agora aos sindicatos avaliar as reivindicações e transformá-las em iniciativas locais. A expectativa é de que sejam criadas oportunidades de formação, representação e participação efetiva, fortalecendo a sucessão tanto nas propriedades familiares quanto nas próprias entidades sindicais.
Transparência editorial
Informações sobre a produção, autoria e atualização desta publicação.
- Autoria identificada
- Data de atualização visível
- Política editorial pública
- Canal de correção disponível
Entenda o caso
Transparência editorial
O Gazeta Popular mantém páginas públicas de referência editorial para facilitar a identificação da equipe, critérios de publicação e canais de contato.
