Pular para o conteúdo principal
sexta-feira, 28 de agosto de 2026   Vale do Rio Pardo Indicadores atualizados Edição Digital
Notícias

Mais de quatro décadas dedicadas à missão de catequizar

No Dia Nacional do Catequista, Lisanete Mello relembra 45 anos de serviço voluntário, enquanto padre Hilário Gonçalves destaca o trabalho de cerca de 28 catequistas na Paróquia Nossa Senhora do Rosário

No último domingo de agosto, a Igreja Católica celebra o Dia Nacional do Catequista, data dedicada ao reconhecimento dos homens e mulheres que oferecem voluntariamente seu tempo, conhecimento e testemunho de vida à formação cristã de crianças, adolescentes, jovens e adultos. Em 2026, a homenagem será realizada no dia 30 de agosto.

Na Paróquia Nossa Senhora do Rosário, de Passo do Sobrado, cerca de 28 catequistas participam atualmente desse trabalho. Além de prepararem os catequizandos para os sacramentos, elas ajudam a transmitir os ensinamentos bíblicos, as orações, os mandamentos e os valores cristãos.

O pároco, padre Hilário Gonçalves, explica que o Dia do Catequista é normalmente lembrado no quarto domingo de agosto. Quando o mês possui cinco domingos, como ocorre em 2026, a homenagem fica reservada ao quinto e último domingo.

“A equipe de liturgia se prepara para celebrar o Domingo do Catequista. Quando agosto tem cinco domingos, a celebração acontece no quinto, mas isso não altera em nada a importância da data”, explica.

Uma missão que ultrapassa os encontros

O trabalho do catequista não se restringe aos encontros semanais ou à preparação para a Primeira Eucaristia e a Crisma. A atividade envolve planejamento, leitura da Bíblia, preparação de materiais, participação em reuniões e celebrações, diálogo com as famílias e acompanhamento da caminhada de fé de cada catequizando.

Para padre Hilário, a principal missão é evangelizar as crianças, os adolescentes e os jovens, apresentando-lhes a vida da comunidade e da Igreja.

“É falar da Bíblia, que talvez seja o primeiro contato deles com o Livro Sagrado. Comigo foi assim. Também é ensinar a rezar, apresentar os sacramentos, os Mandamentos da Lei de Deus e as orações comuns”, afirma.

Esse trabalho ganha ainda mais importância diante das mudanças na organização e na rotina das famílias. Conforme o pároco, em muitos lares já não existe o costume de pais e filhos rezarem juntos.

“As nossas famílias, muitas vezes, não têm mais o costume de rezar com os filhos. O mundo está agitado demais. Por isso, o catequista ajuda a transmitir os valores cristãos e precisa também dar o testemunho de uma vida correta”, observa.

Além da formação religiosa, a catequese trabalha valores como respeito, solidariedade, dignidade humana e cuidado com o próximo. Segundo padre Hilário, uma das tarefas é ensinar os catequizandos a reconhecerem e valorizarem cada pessoa como filha de Deus.

Outro objetivo é despertar o interesse pela participação na comunidade e nas celebrações. “É criar o gosto pela comunidade e pela celebração, compreendendo isso como um compromisso com Deus diante das bênçãos recebidas durante a vida”, acrescenta.

Uma vida dedicada à catequese

A trajetória de Lisanete Mello representa a dedicação de milhares de catequistas que mantêm viva essa missão nas comunidades. Aos 67 anos, ela soma mais de 45 anos de serviço voluntário à catequese.

Para Lisanete, ser catequista é responder a um chamado para ser luz no mundo. Ela define a atividade como uma vocação e um ministério exercido a serviço da Igreja, das famílias e das novas gerações.

“Ser catequista é um chamado a ser luz no mundo. É uma vocação e um ministério a serviço da Igreja, dedicado a transmitir a fé cristã e a conduzir famílias, crianças e adolescentes ao encontro pessoal com Jesus Cristo”, relata.

Depois de mais de quatro décadas, Lisanete continua exercendo a missão com alegria e em comunhão com os demais catequistas. Segundo ela, ensinar a fé exige muito mais do que palavras.

“Ensinar não é somente falar, mas principalmente dar exemplo de vida e praticar gestos concretos de amor ao próximo, em uma verdadeira doação de vida”, destaca.

Seu trabalho compreende a preparação para os sacramentos, o ensino da Bíblia e a transmissão dos valores presentes no Evangelho. Ela afirma sentir-se inspirada pelo Espírito Santo para continuar servindo à comunidade.

“Sou agradecida a Deus pelo chamado e pela força para seguir durante mais de 45 anos no serviço à comunidade. Aos 67 anos, continuo servindo com alegria e em comunhão com os demais catequistas”, afirma.

Dos filhos aos netos

A longa caminhada de Lisanete permite acompanhar diferentes gerações de uma mesma família. Atualmente, ela encontra na catequese filhos de pessoas que, anos atrás, também foram seus catequizandos.

“Para mim, é uma alegria estar catequizando os filhos daqueles pais que eu já catequizei. São como ‘netos’ na catequese”, conta.

Essa continuidade demonstra a presença dos catequistas na história das famílias e das comunidades. Ao longo dos anos, eles acompanham crianças e adolescentes, participam da preparação para os sacramentos e ajudam a construir vínculos que permanecem na vida adulta.

Lisanete também manifesta gratidão a todos que apoiam o trabalho e deixa um convite para que outras pessoas conheçam e assumam essa vocação.

“Minha gratidão às famílias, à comunidade, à paróquia e à diocese. Deixo um convite, com carinho especial, para que mais pessoas venham para esta vocação tão importante. Venham!”, conclama.

Como inspiração para a missão, ela recorda a passagem do Evangelho de Marcos: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa-Nova a toda criatura” (Mc 16,15).

Mais de quatro décadas dedicadas à missão de catequizar
Legenda — Divulgação

 

Trabalho voluntário sustentado pela vocação

Na maioria das comunidades, a catequese é conduzida voluntariamente. Os catequistas conciliam os encontros e as formações com o trabalho, os cuidados familiares e outros compromissos. Apesar de não receberem remuneração, assumem uma responsabilidade que exige preparação, disponibilidade, paciência e perseverança.

Para a Igreja, porém, a missão não deve ser compreendida somente como trabalho voluntário. Trata-se de uma vocação recebida e colocada a serviço da comunidade.

“É uma vocação que cada catequista recebeu no Batismo. É um dom”, resume padre Hilário.

O pároco agradece às catequistas pela dedicação e também reconhece a participação dos familiares, que ajudam a tornar possível a continuidade do serviço.

“Eu agradeço às nossas catequistas pelo trabalho, pela dedicação e pela disponibilidade para servir nesta missão. Agradeço também aos familiares que apoiam essa tarefa”, declara.

Formação exige conhecimento e testemunho

Conforme as orientações da Igreja Católica, a preparação do catequista deve contemplar três dimensões: o ser, relacionado à maturidade humana e espiritual; o saber, que abrange o conhecimento bíblico, doutrinário e pastoral; e o saber fazer, ligado à capacidade de acolher, comunicar e conduzir o processo de formação.

O catequista não atua apenas como alguém que transmite informações. Sua missão é acompanhar cada pessoa na descoberta da fé, incentivar a participação comunitária e demonstrar, por meio de atitudes, aquilo que ensina.

Em 2021, o papa Francisco instituiu oficialmente o ministério de catequista por meio da carta apostólica Antiquum Ministerium. O documento reconheceu formalmente um serviço presente desde os primeiros tempos do cristianismo e reforçou o papel dos leigos e leigas na evangelização.

Celebração encerra o Mês Vocacional

O Dia Nacional do Catequista integra o Mês Vocacional, celebrado durante todo o mês de agosto pela Igreja no Brasil. Em 2026, a programação é inspirada no lema “Perseverantes e bem unidos, partiam o pão pelas casas”, baseado no Livro dos Atos dos Apóstolos.

O primeiro domingo de agosto foi dedicado ao ministério ordenado — diáconos, padres e bispos. O segundo destacou a vocação para o matrimônio e a família; o terceiro recordou a vida religiosa e consagrada; e o quarto foi voltado aos ministérios exercidos pelos cristãos leigos e leigas. No quinto e último domingo, a Igreja presta uma homenagem especial aos catequistas.

A data será marcada nacionalmente pela II Romaria Nacional de Catequistas, realizada de 28 a 30 de agosto no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em São Paulo. O encontro reúne participantes de várias regiões do país para momentos de formação, espiritualidade, celebração e partilha de experiências.

Nas grandes paróquias ou nas pequenas comunidades do interior, o Dia Nacional do Catequista torna-se uma oportunidade para reconhecer um serviço muitas vezes realizado de maneira silenciosa, mas fundamental para a continuidade da vida cristã. Em Passo do Sobrado, a dedicação de aproximadamente 28 catequistas e trajetórias como a de Lisanete Mello demonstram que a transmissão da fé é construída ao longo das gerações, por meio da disponibilidade, do exemplo e do trabalho voluntário.

Transparência editorial

Informações sobre a produção, autoria e atualização desta publicação.

Tipo de conteúdo Notícia
Fonte/Origem Apuração/Redação
Autor Gazeta Popular
Atualização 28/08/2026 às 18:34
Categoria Notícias
Leitura 7 min
Extensão 1.459 palavras
A Gazeta Popular mantém páginas públicas de referência editorial para facilitar a identificação da equipe, dos critérios de publicação, das políticas de correção e dos canais de contato.
  • Autoria identificada
  • Data de atualização visível
  • Política editorial pública
  • Canal de correção disponível

Entenda o caso

O que aconteceu?Mais de quatro décadas dedicadas à missão de catequizar
Onde?Passo do Sobrado
Fonte da informaçãoRedação Gazeta Popular

Transparência editorial

Tipo de conteúdoNotícia
Fonte/OrigemApuração/Redação
Última atualização28/08/2026 às 18:34

O Gazeta Popular mantém páginas públicas de referência editorial para facilitar a identificação da equipe, critérios de publicação e canais de contato.