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Por: Olga Arnt – MTE 14323 * | Agência de Notícias Foto: Joel Vargas | |
| Profundamente impactada pela pandemia, que fechou escolas e impôs uma rotina de aprendizagem em casa, a educação não será mais a mesma no Brasil e no mundo. Para traçar novas rotas e aproveitar as oportunidades abertas pela crise, a Assembleia Legislativa reuniu, na segunda edição do seminário O RS Pós-pandemia, realizado na noite desta quinta-feira (13), um time de especialistas, que avaliou os efeitos da interrupção das aulas, propôs caminhos para recuperar as perdas e apontou os princípios que devem reger a escola do futuro. Coordenada pelo presidente do Parlamento gaúcho, Gabriel Souza (MDB), a discussão ocorreu de forma híbrida, com participação presencial de debatedores no palco do teatro Dante Barone e a manifestação de painelistas por videoconferência. A diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da Fundação Getúlio Vargas, Cláudia Costin, acredita que o País precisa impulsionar um processo de melhoria contínua de aprendizado, estabelecendo resultados claros a serem alcançados por todos e, sobretudo, sem excluir ninguém. Ela defendeu mudança curricular, monitoramento sistemático de dados, sistema de recuperação de aprendizagem e trabalho colaborativo dentro e entre as escolas. O advento da inteligência artificial e da quarta revolução industrial, que deverão suprimir cerca de 2 bilhões de postos de trabalho no mundo até 2030 e, paralelamente, criar novas oportunidades de emprego, exigem, segundo a especialista, mudanças de rumo na educação. Em sua avaliação, a escola deve se alinhar às competências do século XXI para formar cidadãos protagonistas, abertos ao novo e com capacidade de adaptação e empatia. O papel dos professores, neste processo, será fundamental, pois terão que deixar de ser “fornecedores de aulas expositoras” para se tornarem “pesquisadores de sua práxis e de seus alunos”, promovendo aprendizagem colaborativa e estimulando o pensamento autônomo e criativo. Para Cláudia, na escola do futuro, equidade é tão importante como a qualidade. “É preciso criar uma mentalidade em cada sala de aula de que todo o aluno pode aprender e desenvolver talentos e buscar a excelência não só em qualidade, mas em equidade”, frisou. Retrocessos Professor de políticas públicas da Fundação Getúlio Vargas, André Portela apresentou dados do estudo “Pandemia de Covid-19: o que sabemos sobre os efeitos da interrupção das aulas sobre os resultados educacionais?”. O trabalho, dirigido por Portela, indica que a interrupção prolongada de aulas presenciais tem efeito negativo sobre o aprendizado que, em alguns casos, pode significar um retrocesso de três a quatro anos. Conforme a pesquisa, em um ano típico, os alunos brasileiros do Ensino Fundamental 2 aprendem o equivalente a 13,1 pontos do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) em Língua Portuguesa e 10,9 pontos em Matemática. Com a pandemia, no cenário mais otimista, esses alunos deixarão de aprender o equivalente a 1,8 ponto e 1,5 ponto, respectivamente. No cenário pessimista, o aprendizado não realizado será de 9,5 pontos na primeira disciplina e de 7,9 pontos na segunda. Para mitigar as perdas, Portela recomendou a qualificação do ensino remoto, combinação de aulas presenciais com virtuais, alteração da estrutura curricular para recuperar conteúdos perdidos e inclusão digital. Além disso, defendeu atenção especial para a alfabetização e para os anos finais do Ensino Médio, por estarem na zona de transição para o mundo do trabalho. Pesquisa e avaliação A secretária estadual de Educação, Raquel Teixeira, que participou do evento como debatedora, anunciou que a pasta promoverá uma avaliação diagnóstica na rede estadual de ensino para organizar as intervenções com o propósito de mitigar as perdas ocasionadas por um ano de ensino remoto. Depois disso, em meados de junho, a secretaria realizará uma avaliação amostral para medir os prejuízos à aprendizagem. Também como debatedor, o vice-presidente do Cpers-Sindicato, Edson Garcia, elencou as dificuldades enfrentadas pela escola pública e cobrou condições para que os professores e funcionários retomem às aulas presenciais com segurança. Já o presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Rio Grande do Sul (Sinep/RS), Bruno Eizerik, afirmou que o Brasil é o país em que mais tempo as escolas ficaram fechadas durante a pandemia e que os reflexos disso serão sentidos nos próximos 15 anos. “Conteúdo é possível recuperar, mas o aspecto psicossocial nem sempre. A escola deve ser a última a ser fechada e a primeira a ser aberta”, preconizou. O seminário “A escola do futuro: como recuperar o atraso no pós-pandemia” tem patrocínio do BRDE e do Banrisul e produção da Storia Eventos e Projetos. A próxima edição do evento ocorre no mês de junho, com o tema “O ritmo da vacinação. Em quanto tempo a Covid-19 será uma doença comum?”. |
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Entenda o caso
O que aconteceu?Escola deverá formar cidadãos protagonistas, abertos ao novo e com capacidade de adaptação e empatia
Onde?Local não informado
Fonte da informaçãoRedação Gazeta Popular
Transparência editorial
Tipo de conteúdoNotícia
Fonte/OrigemApuração/Redação
Última atualização14/05/2021 às 05:01
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