Visita começou cordial, mas terminou em multa
Segundo Adalberto, dois servidores da Inspetoria Veterinária de Venâncio Aires estiveram em sua propriedade no dia 5 ou 6 de novembro, em uma fiscalização de rotina. Ele diz ter recebido a equipe com cordialidade, fornecendo todas as informações solicitadas. Durante a visita, mencionou espontaneamente a recente compra de um cordeiro — apelidado pela família de “Jubileu” — que ainda não constava em sua ficha de animais.
Um dos fiscais teria ido ao campo para conferir o número de animais presentes, comparando com os registros oficiais. Ao final, conforme relatou o produtor, foi informado de que receberia apenas uma notificação para atualizar a ficha, sem qualquer previsão de penalidade.
“Traído” e “tratado como criminoso”
Dias depois, porém, ele foi chamado à Inspetoria e informado sobre uma multa de R$ 4 mil. O motivo: o cordeiro comprado estava sem Guia de Trânsito Animal (GTA) e havia “falta de animais” em relação ao que consta na ficha — ou seja, ele tinha menos animais do que o registrado, e não mais.
Adalberto afirma que se sentiu enganado e injustiçado:
“Fui tratado como se fosse ladrão. Minhas vacas maduras já pagaram muito imposto. Sou um homem trabalhador.”
Abalo emocional e problemas de saúde
O produtor descreve que o episódio teve forte impacto em sua saúde emocional. Já em tratamento com diversos medicamentos, ele relatou ter tomado dois comprimidos antes de ir à Inspetoria tentar resolver o caso. Mesmo assim, disse ter chegado ao local “calmo, mas tremendo”.
Dentro da repartição, afirma que ouviu apenas que deveria procurar um advogado ou sindicato para recorrer da multa. Sem respostas, contou que ao sair precisou sentar na calçada:
“Fiquei tão nervoso que nem sabia onde estava o meu carro.”
Segundo ele, a situação também tem afetado sua família: “Isso está me fazendo muito mal.”
Decisão: porteira com cadeado e fim da atividade leiteira
Indignado, Adalberto comunicou que não permitirá mais a entrada de ninguém em sua propriedade sem a presença da Brigada Militar. Anunciou, ainda, que instalará uma porteira com cadeado, permitindo a entrada apenas de pessoas convidadas ou com ordem judicial.
Ele também buscou apoio na Inspetoria de Passo do Sobrado e com autoridades locais, mas afirma não ter conseguido ajuda.
Crise no leite e investimento perdido
O produtor lembrou que a situação financeira da cadeia leiteira já é crítica e que, no final do mês, sobra menos de um salário para sua família. Ele conta que já vinha pensando em abandonar a atividade, mas hesitava devido aos investimentos recentes:
Construção de galpão de ordenha com canalização até o resfriador;
Instalação de placas solares para reduzir custos de energia.
Com o ocorrido, disse que tomou a decisão final:
“Agora chega. Vou parar. Meu filho está plantando fumo, vou ajudar ele. Porque hoje ele me ajuda aqui. O estrago está feito.”
Repercussão e incerteza
O vídeo segue gerando debate intenso entre produtores da região, que expressam indignação, solidariedade e preocupação com procedimentos de fiscalização. A reportagem permanece aberta para manifestação da Inspetoria Veterinária de Venâncio Aires ou da Secretaria Estadual da Agricultura, caso desejem se posicionar sobre o caso.
“O estrago está feito. Agora não sei mais o que vai acontecer”, finaliza Adalberto, emocionado.
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