Soja: entre a recuperação e o prejuízo consolidado
A cultura da soja, que ocupa uma área gigantesca de mais de 6,7 milhões de hectares nesta safra 2025/2026, encontra-se majoritariamente na fase de enchimento de grãos (60%). O cenário é de contrastes: enquanto as lavouras de ciclo intermediário e tardio conseguiram retomar o crescimento com as últimas chuvas, os cultivos precoces sofreram danos definitivos.
Em solos mais rasos ou compactados, o calor excessivo de janeiro resultou em abortamento de flores e vagens, além do encurtamento do ciclo das plantas. A expectativa agora se volta para o dia 10 de março, durante a Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque, quando a Emater deverá divulgar a nova estimativa oficial de produtividade. Por ora, a colheita é considerada incipiente, ocorrendo apenas em áreas isoladas e mais afetadas pela seca.
Milho e Silagem: colheita avança no Estado
No caso do milho grão, a colheita já atingiu 60% da área total cultivada no Rio Grande do Sul. O ritmo de retirada do grão das lavouras foi um pouco mais lento nesta última semana justamente devido às chuvas, que impediram a entrada das máquinas. Até o momento, a produtividade média nas áreas colhidas se mantém próxima dos 7.370 kg/ha projetados, indicando que o milho plantado mais cedo sentiu menos o impacto da falta de chuva em comparação à soja.
Para quem produz milho para silagem, a situação é semelhante. A colheita alcança 65% das áreas plantadas, com uma produtividade estimada em 38.338 kg/ha. As chuvas recentes ajudaram a aliviar o estresse das plantas que ainda estão no campo, embora em algumas localidades as perdas de volume já sejam consideradas relevantes.
Arroz e Feijão: o ritmo das águas
As lavouras de arroz iniciam agora o processo de colheita, com cerca de 3% da área já colhida, principalmente na Metade Oeste e na região Central. Com a maior parte das plantações em fase de enchimento de grãos e maturação, a tendência é que as operações de colheita ganhem forte aceleração nos próximos dias.
Já o feijão apresenta dois cenários distintos. A primeira safra já tem mais da metade da área colhida (53%), enquanto a segunda safra (safrinha) se beneficia de um plantio mais tardio. Como estas plantas não foram atingidas pelo pico do estresse hídrico de janeiro, o desenvolvimento atual é considerado adequado, com a maioria das lavouras ainda em fase de desenvolvimento vegetativo.
O clima nas próximas semanas será determinante para definir o tamanho real da safra gaúcha, especialmente para a soja que ainda está completando o enchimento do grão.
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