Com o lema “Agricultores e Agricultoras, peregrinos da esperança”, o tradicional Encontro Diocesano das Sementes Crioulas chega à sua 25ª edição neste ano. A atividade será realizada na próxima quinta-feira, 14 de agosto, na comunidade Linha Sítio, em Cruzeiro do Sul, território duramente afetado pelas enchentes de 2023 e 2024.
Promovido pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) da Diocese de Santa Cruz do Sul, o encontro é um dos mais antigos do estado com foco na preservação das sementes crioulas e na valorização da agricultura familiar e camponesa. Nesta edição jubilar, o evento reafirma seu compromisso com a partilha, a memória e a resistência dos povos do campo.
A programação inicia às 7h30, com acolhida e café da manhã. Entre 8h30 e 15h30 estão previstas rodas de conversa, trocas de informações técnicas, pronunciamentos, momentos culturais, mística camponesa, bênção das sementes, celebração e partilha. O almoço será por adesão, ao valor de R$ 20, com arroz de carreteiro e saladas diversas. Para reduzir o uso de descartáveis, os organizadores pedem que cada participante traga sua caneca ou copo. As atrações culturais confirmadas incluem Antonio Gringo, Regina Wirtti e Bruna Ave Cantadeira.
A organização também convida os agricultores e agricultoras a levarem suas sementes crioulas, ramas e mudas identificadas, facilitando as trocas entre os participantes.
Raízes que resistem
Maurício Queiroz, integrante da organização, lembra que a primeira edição do encontro surgiu em 2001 como resposta a uma demanda identificada em seminários de agroecologia promovidos na região. “Foi uma prioridade apontada: trabalhar com o tema das sementes crioulas como forma de fortalecer os pequenos agricultores e agricultoras em sua luta”, afirma.
Ele destaca ainda como um marco importante, a criação do assentamento Padre Réus, em Encruzilhada do Sul, quando famílias recém assentadas precisavam de sementes para iniciar a produção. “Tivemos a ideia de fazer uma coleta de sementes e mudas para doar às famílias. Com a terra e as sementes, poderiam logo plantar e produzir alimentos”, relembra.
A partir dessa experiência, a CPT Diocesana decidiu realizar anualmente o encontro, como espaço de formação, troca de experiências e mobilização. Hoje, 25 anos depois, os frutos são visíveis. “Em meio a centenas de variedades crioulas de sementes e mudas, preservou-se e multiplicou-se no povo as sementes da resistência”, conclui Queiroz.
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