A criação da Associação de Agricultores Familiares de Dourados e Buraco Fundo, em Vale Verde, representa um novo momento para os produtores da região. Fundada no início de 2025, a entidade surgiu da necessidade de dar voz e apoio a agricultores que, até então, não tinham representação organizada.
Atualmente, a associação conta com 39 famílias associadas e projeta chegar a 50 até o final do ano. Segundo o presidente e porta-voz, Salvador Teixeira da Silva, a iniciativa nasceu da vontade de fazer a diferença na comunidade.
“A ideia surgiu da necessidade de alguém tomar a frente e buscar melhorias. Se ninguém se propõe, nada acontece”, destacou.
Equipamentos e estrutura para o pequeno produtor
Um dos principais objetivos da associação é garantir acesso a equipamentos agrícolas que, individualmente, seriam inviáveis para pequenos produtores. Entre os itens já encaminhados estão distribuidor de calcário e implementos agrícolas, além da busca por um trator de maior porte.
As aquisições estão sendo viabilizadas com apoio político e articulação junto ao poder público. A Prefeitura também cedeu o prédio da antiga escola José Bonifácio, que hoje serve como sede provisória da entidade.
União para fortalecer a agricultura
A associação reúne produtores de diferentes áreas, como plantadores de tabaco, soja, hortifrúti, criação de animais e apicultura, representando a diversidade da agricultura familiar local.
Além da busca por equipamentos, a entidade também atua na defesa dos interesses dos agricultores, especialmente diante das dificuldades enfrentadas nos últimos anos.
“A agricultura está cada vez mais difícil. O leite já vem enfrentando problemas há anos, a soja está desvalorizada e agora o aumento de impostos sobre o cigarro vai impactar diretamente o produtor de tabaco”, alertou Salvador.
Custos altos e desvalorização preocupam
Outro ponto destacado pelos agricultores é o aumento dos custos de produção, especialmente com combustíveis, como o diesel, que impacta diretamente as atividades no campo.
A combinação entre custos elevados e baixa valorização dos produtos tem pressionado a renda das famílias rurais, ampliando a necessidade de organização coletiva.

Representatividade e futuro
A associação também atua como ponte entre os agricultores e lideranças políticas, encaminhando demandas e reivindicações. O grupo mantém diálogo com representantes estaduais e federais, buscando apoio para o setor.
Para Salvador, o principal ganho até o momento é a representatividade conquistada.
“Antes não tínhamos voz. Agora temos. E não é uma pessoa só, é a associação que representa toda a comunidade”, reforçou.
A expectativa é de que, com o fortalecimento da entidade, novos investimentos sejam conquistados e a agricultura familiar da região ganhe mais visibilidade e condições de crescimento.
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