Paulo Eisermann e João Tabajara relembram experiências no Legislativo de Vale Verde
Projeto “Heranças do Tempo” reúne entrevistas, fotografias e documentos para preservar a trajetória das pessoas que participaram da história política do município

As atas da Câmara registram projetos, votações e decisões, mas não revelam todas as experiências vividas por quem ocupou uma cadeira no Legislativo. Os pedidos recebidos nas ruas, as dificuldades políticas e os aprendizados adquiridos durante o mandato fazem parte das memórias recuperadas pelo projeto “Heranças do Tempo — Memórias do Legislativo de Vale Verde”.
Entre os participantes estão Paulo Inácio Eisermann, ex-vereador e ex-presidente da Câmara, e João Tabajara Queiroz, que ingressou no Legislativo como suplente e posteriormente conquistou um mandato próprio.

Paulo Eisermann: da saúde ao Legislativo
Nascido em 6 de janeiro de 1963, em Rio Pardo, Paulo passou a infância em Rincão de Nossa Senhora, atualmente pertencente a Passo do Sobrado. Trabalhou inicialmente na agricultura e depois tornou-se servidor público e motorista da saúde, atividade que lhe rendeu o nome político de Paulo Motorista da Saúde.
Sua participação comunitária incluiu a diretoria da comunidade e a presidência do Nacional. Incentivado por Emir Rosa da Silva, Roque Eisermann, Gustavo e outras pessoas próximas, concorreu pela primeira vez em 2012.
Paulo recebeu 147 votos pelo então PMDB e foi eleito para o mandato de 2013 a 2016. Em 2014, exerceu a presidência da Câmara.
O momento mais marcante de sua passagem pelo Legislativo foi a posse, quando entrou acompanhado pela esposa, Ilana, e pelo filho Pietro, ainda recém-nascido.
Durante o mandato, defendeu pautas ligadas à saúde, ao diálogo e às necessidades da população. Aponta como principal dificuldade o fato de integrar a oposição, condição que, segundo ele, tornava mais difícil conseguir o atendimento de alguns pedidos.
Mesmo diante das divergências políticas, recorda que a relação entre os vereadores era boa. As reivindicações chegavam principalmente pelo contato direto com os moradores, em conversas realizadas nas ruas e nas comunidades.
“Tem que pensar no povo e não só em ti. Tem que trabalhar pelo povo”, afirmou.
Como mensagem aos atuais e futuros vereadores, Paulo recomenda honestidade, diálogo e compromisso com a população.

João Tabajara assumiu como suplente
João Tabajara Queiroz nasceu em 28 de agosto de 1968, em Rio Pardo. Nas eleições municipais de 2020, concorreu pelo Republicanos, recebeu 70 votos e ficou como suplente de vereador.
Sua entrada na Câmara ocorreu em fevereiro de 2023, após o falecimento do vereador titular Flávio da Silva. Diante da vacância definitiva da cadeira, João foi convocado e empossado para exercer o restante da legislatura 2021–2024.
Mesmo tendo assumido como suplente, passou a exercer plenamente as funções parlamentares, participando das sessões, votações, comissões e do encaminhamento das reivindicações da comunidade.
Em 2024, João voltou a concorrer. Dessa vez, foi eleito titular e assumiu, em janeiro de 2025, o primeiro mandato conquistado diretamente nas urnas, correspondente ao período de 2025 a 2028.
Sua atuação inclui demandas relacionadas à infraestrutura, à saúde, à agricultura, à segurança e aos serviços públicos. João também participa da busca de emendas parlamentares e do encaminhamento de pedidos às lideranças estaduais e federais.
Entre suas proposições está uma indicação voltada à segurança das escolas municipais, sugerindo a contratação de serviço especializado ou a disponibilização de servidores preparados para proteger estudantes e profissionais da educação.

Memórias além dos documentos
As trajetórias de Paulo e João representam formas diferentes de ingresso no Legislativo. Paulo foi eleito titular em 2012 e presidiu a Câmara. João ficou na suplência em 2020, assumiu após o falecimento de Flávio Silva e conquistou um mandato próprio em 2024.
Os dois relatos demonstram, porém, que grande parte do trabalho parlamentar começa fora do plenário, por meio das conversas com moradores e do contato direto com as comunidades.
A conclusão do “Heranças do Tempo — Memórias do Legislativo de Vale Verde” está prevista para novembro de 2026. O projeto pretende preservar não apenas os resultados das eleições e votações, mas também as experiências humanas existentes por trás da história política do município.
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